O QUE É DEUS?

O QUE É DEUS?

1- PREFÁCIO: COGITAÇÕES SOBRE DEUS

Quando o querido amigo, Elifas Alves, me convidou a escrever o prefácio do seu novo livro, e disse que se chamaria 0 Que é Deus?, pensei comigo: assunto difícil.

Mas ao ler os originais, percebi claramente que o Elifas tinha um jeito todo especial para tratar o tema, primando pela simplicidade.

Fiquei a pensar: está é a preocupação da humanidade desde tempos imemoriais, desde que os homens se sentiram indefesos ante a selva gigantesca e animais quase ciclópicos, sempre prontos a devorá-los.

Observando a si mesmo e os fenômenos que fugiam a sua compreensão, o homem percebeu que existia algo invisível que o protegia, o guiava nos caminhos da vida.

Incapaz de elucubrações mais complicadas, ele concluiu que aquele algo além de o proteger das coisas ruins da sua vida, seriam seres superiores aos homens, portanto, deuses.

A organização do sacerdócio veio com o tempo.

Acostumados a violência da vida, e temerosos de contrariar esse ser superior, criaram imagens para esses deuses e a eles fizeram sacrifícios de vidas humanas para saciar os caprichos divinos, interpretados por seus representantes.

Sempre que houvesse desgraças, sempre que fenômenos naturais como seca, chuva em demasia, doenças, pragas de gafanhotos, tempestades, terremotos acontecessem, vidas humanas eram sacrificadas para aplacar a ira dos deuses.

Interessante é a história do culto.

A humanidade começou adorando as pedras, e elegeu montanhas sagradas para cultuar Deus, ou os deuses.

Era a "litolatria". Depois veio a "fitolatria", ou seja, a adoração de árvores e vegetais diversos.

O homem escolheu bosques sagrados para a morada dos deuses.

Depois veio a "zoolatria", e muitos cultos se fizeram a animais, desde o rato, o gato, o crocodilo, o elefante, a vaca, deuses metade homens, metade animais, como Anubis no Egito, e tantos outros deuses menores ou maiores.

Com o desenvolvimento acelerado de parte da humanidade, nasceu o politeismo greco-romano, com deuses a cuidar das atividades humanas, como a caça, a guerra, a agricultura, representados por belas figuras humanas, como Diana, Afrodite, Minerva, Juno, Eros... Todos eles chefiados por Zeus. Neste culto havia, também, os semideuses, seres que participavam da natureza humana e da natureza divina.

Porém, nunca houve uma linha demarcatória entre essas fases, e atá hoje elas se tocam e as vezes se misturam.

Mas a grande demarcação foi a do monoteismo judeu, embora Moisés tenha apresentado ao povo um Deus ciumento, guerreiro, exclusivista, regional.

Mas tudo era uma questão de tempo, e do Deus guerreiro surgiu o Deus Pai.

Com Jesus de Nazare conhecemos o Deus bondoso, paciente, sempre pronto a perdoar.

Por isso foi rejeitado, pois o orgulho nacional do povo judeu exigia um Deus vingador para expulsar os "goyns" da sua Terra e dar a supremacia do mundo aos judeus.

Deus existe? Está é a pergunta crucial que ainda atormenta a humanidade. Se existe, onde mora, como se relaciona com os homens?

Ele castiga? Como agradá-lo para ter as suas benesses?

Depois de um longo período de dominio da Igreja Católica Apostólica Romana, o homem começou a libertar-se do jugo religioso, já no século XIX, pois não mais suportava o despotismo da igreja.

Ao mesmo tempo começaram a surgir as universidades, ampliando o conhecimento e, como resultado, muitas pessoas tornaram-se materialistas.

Foi neste momento crucial que surgiu o Espiritismo, completando a idéia de Deus, já dada aos homens por Jesus de
Nazaré.

O homem já não podia aceitar um Deus que criasse alguns privilegiados em detrimento de outros.

As religiões nunca explicaram porque uns nascem cegos, aleijados, doentes, miseráveis, enquanto outros nascem saudáveis, ricos e felizes.

O Espiritismo veio provar que o homem é o construtor do seu destino, mas não reencarna para sofrer, e sim para crescer, evoluir.

Elifas Alves tem um notável fio condutor que parte das emoções da desencarnação de um amigo, as dúvidas da esposa do amigo, as reflexões mais íntimas.

E' na mediunidade e nas reflexões espíritas que ele vai formando a sua tese, para reconhecer a presença de Deus em tudo, uma verdadeira apoteose de luzes e cores.

Obrigado, Elifas, pelas maravilhosas reflexões que nos proporcionou, neste livro simples como você, que foi capaz, um dia, de transformar, numa peça teatral memorável, o Mal de Hansen (lepra) em Bem de Hansen.

Amilcar Del Chiaro Filho Guarulhos, Fev./1999

..1 - UMA AMIZADE DURADOURA
..2 - MOMENTOS DE DOR
..3 - A VISITA
..4 - SONHEI QUE... TIVE UM BOM SONHO....
..5 - A IDADE DA RAZÃO
..6 - INFLUÊNCIAS FÍSICAS, SUBL. E INCO..
..7 - A CIÊNCIA DO CÉU E A INVESTIGAÇÃO DIRETA
..8 - AS RELIGIÕES E O CONFLITO DE IDÉIAS
..9 - AINDA AS CRENÇAS
..10 - MEDIDAS DE GRANDEZA
..11 - EXPERIÊNCIAS ANÍMICAS E MEDIÚNICAS
..12 - EDUCAÇÃO PARA DEUS
..13 - O SENTIDO DA VIDA
..14 - EVOLUÇÃO E REENCARNAÇÃO
..15 - ENTRE O BEM E O MAL. O CÉU E O INFERNO
..16 - ENTRE A FÉ E A RAZÃO
..17 - A EFICÁCIA DA PRECE
..18 - PREVIDÊNCIA E MISERICÓRDIA DIVINAS