A SOLIDÃO DE DEUS

Introdução

Somos uma partícula que surge na arena da existência e logo desaparece. Apesar da pequenez do ser humano, nosso pensamento caminha na esfera da imaginação mais rápido do que a luz, e é mais fértil do que o solo mais rico. Perambulamos apreensivos durante algumas dezenas de anos em nossa breve trajetória existencial usando o aparelho psíquico para tentar desvendar o desconhecido, em especial a vida. Perguntar é nosso destino.

Sabemos muitas coisas sobre o mundo que nos cerca, escrevemos milhões de livros sobre o universo físico e biológico, mas sabemos pouquíssimo sobre nós mesmos, sobre a nossa psique. O que é pensar? Quais os limites e alcances dos pensamentos? Quem somos? O que somos? O que é existir? O que é a morte? Quais as consequências do caos do córtex cerebral enfrentado num túmulo? Quem é o Autor da existência? Deus é real, ou uma construção articulada pelo mundo das idéias? Se Deus existe, por que se esconde atrás da cortina do tempo e do espaço? Por que não mostra sua face, aliviando a inquietação dos ateus e corrigindo as rotas dos religiosos?

Embora milhões de pessoas não percebam, a oração do Pai-Nosso toca frontalmente em todas essas questões. Apesar de ser o texto mais recitado e conhecido da história, talvez seja o menos compreendido. Um texto aparentemente simples, mas bombástico para quem esquadrinha o que está em suas entrelinhas.

A obra Os segredos do Pai-Nosso se divide em duas partes, dois livros. Na primeira, que analisa o trecho da oração que se inicia com "Pai-Nosso" e termina com "Seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu" (Mateus 6:10), Jesus fala em código sobre algumas fascinantes características da personalidade de Deus, bem como sobre suas necessidades psíquicas fundamentais.

Mas Deus tem necessidades psíquicas? Sim! Afirmar isso não é uma pretensão psicológica insana? Não creio. Veremos que a análise psicológica dessa intrigante oração revela que Deus tem necessidades psíquicas, embora tal afirmação possa nos chocar e até abalar alguns pilares da religiosidade humana.

Não farei essa análise no campo teológico, pois não é esta a minha área de pesquisa. Minha especialidade é o funcionamento da mente e o desenvolvimento da inteligência. Portanto, estudaremos esse tema no terreno da psicologia, da filosofia, da psiquiatria e da sociologia. Não discorrerei sobre religião.

Na segunda parte, que se inicia com "O pão nosso de cada dia nos dá hoje" (Mateus 6:11), essa complexa e enigmática oração aborda as necessidades psíquicas fundamentais dos seres humanos, assim como algumas características relevantes de sua personalidade. Evidencia que para Jesus o ser humano está doente no território da emoção e apresenta grande dificuldade em ser gestor das suas reações instintivas e dos seus pensamentos, bem como em ser líder do teatro da própria mente.

A primeira parte disseca a alma de Deus, e a segunda disseca a alma humana. Neste livro trataremos da primeira parte. Logo de início duas questões gritam muito alto: se mal conhecemos as áreas mais íntimas da nossa personalidade, não seria um delírio tentar discorrer sobre a personalidade daquele a quem chamam Deus? Se existem tantos mistérios à nossa volta, tantos fenômenos a descobrir, por que nos preocuparmos em desvendar quem somos?

Em primeiro lugar, o conteúdo da oração do Pai-Nosso juntamente com diversas palavras ditas por Jesus em suas biografias - os evangelhos - é que dissecam algumas características da personalidade de Deus que passaram despercebidas aos olhos da teologia. Em segundo lugar, temos uma busca incurável por nossas origens e nosso destino. Jamais o ser humano aceitará passivamente tombar no silêncio de um túmulo para nunca mais existir.

Eu fui um dos ateus mais críticos que já existiram. Mas, depois de intensa reflexão, me convenci de que não há discurso ateísta que aplaque a ansiedade inconsciente do ser humano pela compreensão da vida e pela continuidade da existência. O vácuo da inexistência imposto pela morte nos perturba profundamente. Só não se inquieta quem nunca o analisou.

Tal inquietação, longe de ser negativa, é uma fonte inesgotável que impulsiona o saber e alimenta a produção de teólogos, religiosos, filósofos, pensadores, cientistas. Sempre haverá um prazer da mente humana pelo desconhecido, pela superação das intempéries. Sempre haverá o desejo irrefreável de desvendar o Autor da existência.

Einstein também foi consumido por essa inquietação. Não se contentou em produzir conhecimento sobre a relação espaço-tempo. Queria entender Aquele que inaugurou e fundamentou os elementos da existência. Desejava perscrutar a mente de Deus.

Sócrates instigava os seus jovens discípulos com o pensamento: "Conhece a ti mesmo!" (Durant, Will, 1996). Todavia, não é possível conhecer sem perguntar. Não é possível perguntar sem duvidar. Não é possível duvidar sem experimentar ansiedade. Esse tipo de ansiedade é saudável, pois abre as janelas da inteligência e nos dá prazer nos desafios.

Na era da computação e da internet o conhecimento é oferecido pronto, um fast-food intelectual, inclusive nas universidades. Os jovens não experimentam aventura, ansiedade pelo desconhecido. Não sabem perguntar, duvidar e produzir novas idéias.

A rotina social e o consumismo entorpeceram nossa capacidade de ficar atônitos com a vida. O incomum tornou-se comum. Milhões de pessoas acordam, levantam, seguem uma agenda engessada, atormentam-se com problemas, sem nunca golpear a inteligência com a lâmina das perguntas.

Raramente alguém indaga: O que é a existência? Sou um ser humano ou uma máquina de atividades? Sou um aparelho de consumir ou um mundo a ser descoberto? Ingerimos poucas idéias e muitos produtos. Não percebemos que existir como ser consciente é o mistério dos mistérios. Não entendemos que não sabemos quase nada sobre as questões mais relevantes da existência.

A oração do Pai-Nosso resgata-nos do entorpecimento e nos dá um choque de lucidez. Ela oxigena a nossa mente e implode nosso conformismo. É instigadora e provocativa, uma fonte perturbadora de enigmas que nos liberta do cárcere da rotina.

Ao estudá-la neste livro, precisamos reconhecer nossa pequenez e limitações. Devemos sempre nos lembrar que somos andarilhos que vagam no traçado da existência em busca de grandes respostas no pequeno parêntese do tempo.

Augusto Cury

Nunca um texto tão recitado foi tão incompreendido. Este livro discute as idéias dos grandes ateus.

Conhecemos o mundo que nos cerca, escrevemos centenas de livros sobre o Universo, mas pouco sabemos sobre nós mesmos. Quem somos? Deus é real? Quais os limites do pensamento?

A resposta para essas e outras indagações está em um dos textos mais recitados da história, mas talvez um dos menos compreendidos: o Pai-Nosso.

Aparentemente simples, essa oração é repleta de reveladores significados sobre o ser humano, a vida e o seu Criador.

Com mais de 3 milhões de livros vendidos, Augusto Cury analisa a alma de Deus para nos ajudar a buscar explicações para os mistérios da existência.

Sob a ótica da psicologia, da filosofia e da sociologia, ele examina, verso por verso, a famosa prece e revela os códigos usados por Jesus para falar das fascinantes características de Deus e de suas necessidades psíquicas fundamentais.

Também discute o ateísmo debruçando-se sobre as idéias de grandes pensadores como Nietzsche, Freud, Diderot e Voltaire.

Dessa forma, Cury mostra como o estudo das palavras de Jesus e o conhecimento da filosofia podem ajudar a compreender a necessidade humana de algo que transcende suas limitações.

CAPÍTULO I

O HOMEM QUE PROFERIU
A ORAÇÃO DO PAI NOSSO

CAPÍTULO II

A SOLIDÃO DE DEUS

CAPÍTULO III

A SOLIDÃO GERADA PELA VIRTUALIDADE
DA CONSCIÊNCIA EXISTENCIAL

CAPÍTULO IV

A SOLIDÃO INTRAPSÍQUICA
E A SOLIDÃO SOCIAL

CAPÍTULO V

DEUS NÃO É AUTISTA

CAPÍTULO VI

PAI-NOSSO: UM GOLPE MORTAL
CONTRA A DISCRIMINAÇÃO

CAPÍTULO VII

UM PAI QUE ESTÁ NOS CEUS:
CONTRA A SUPERPROTEÇÃO

CAPÍTULO VIII

SANTIFICADO SEJA O TEU NOME

CAPÍTULO IX

VENHA A NÓS O TEU REINO

CAPÍTULO X

SEJA FEITA A TUA VONTADE

CAPÍTULO XI

A VIDA HUMANA TRANSCORRE
NO PARÊNTESE DO TEMPO

CAPÍTULO XII

A PAIXÃO DE CRISTO PELO
PRISMA DA PSICOLOGIA

CAPÍTULO XIII

PROCURANDO O DEUS DESCONHECIDO