CAPÍTULO IV

A SOLIDÃO INTRAPSÍQUICA
E A SOLIDÃO SOCIAL

A solidão intrapsíquica e a solidão social

1 - A solidão intrapsíquica

Antes de entrar mais profundamente na solidão intrapsíquica revelada subliminarmente na oração do Pai-Nosso, vou fazer uma pausa para defini-la e comentar como ela atinge e controla a vida de bilhões de pessoas deste belo planeta azul.

A solidão intrapsíquica é definida pela necessidade irrefreável de todo ser consciente de relacionar-se consigo mesmo. Ela estimula o autoconhecimento, as viagens interiores, a introspecção, a reflexão, a meditação, a correção de rotas, a superação de conflitos.

Essa solidão nos estimula a ter um rico diálogo com nós mesmos, a fazer uma mesa-redonda com nossos temores, perdas, frustrações, sonhos, projetos de vida. Ela propicia, portanto, um excelente caminho para promover a saúde emocional e mental como um todo. Através dela podemos educar nossa capacidade de pensar antes de reagir.

Mas quem faz essas viagens interiores? Quem é treinado a dialogar consigo mesmo e a ter poéticos encontros com seu próprio ser? As sociedades modernas se transformaram em sociedade de auto-abandonados. Até pessoas cultas não sabem dialogar consigo mesmas. Grandes conferencistas sabem conversar com o público, mas raramente voltam-se para dentro de si. Como não adoecer?

O sistema educacional, embora constituído de professores que são poetas da inteligência, está gerando sociedades doentes. Esse sistema nos ensina a conhecer dos elétrons às estrelas, mas nos emudece diante do nosso ser. Vivemos a síndrome da exteriorização existencial.

Temos dificuldade de introspecção, observação, reflexão e dedução.

Estudamos e discutimos sobre o mundo que nos envolve, da política à física, mas não sabemos chorar, falar de nossas crises, comentar nossos sonhos. Nosso superficialismo beira o inacreditável. Não aprendemos a velejar nas águas da psique.

O resultado é que o Homo sapiens tomou o caminho errado. Desenvolveu bilhões de informações e tecnologias para solucionar os problemas externos, mas, em pleno século XXI, ainda é uma criança perturbada diante das milenares mazelas psíquicas não resolvidas.

E Deus? Ele tem encontros com Ele mesmo? Reuniu-se com seu próprio ser ao longo da história, quando o tempo ainda não havia despertado? Ele se auto-abandona, tal como os seres humanos que são capazes de transformar sua curta trajetória existencial num canteiro de tédio? Estas são perguntas que devemos armazenar em nossa memória para, num segundo momento, refletir sobre elas.

Não sabemos analisar nossas tolices, fragilidades, inseguranças, fobias, ansiedades. Levamos a vida sem nunca penetrar em seu tecido mais íntimo. Quem não usa a solidão intrapsíquica para se interiorizar não supera seus traumas, vive na crosta da inteligência. Torna-se especialista em punir a si mesmo e aos outros.

Alguns se deprimem quando se aposentam. A aposentadoria transforma-se num desastre emocional, pois não se prepararam interiormente para descansar, sonhar, construir projetos de vida.

Outros estão na ativa, mas se dedicam apenas a resolver problemas, não a desfrutar as suas conquistas. Vivem uma contradição: são excelentes profissionais, mas predadores de si mesmos.

Os psicopatas, num grau muito maior, também não se interiorizam. Não se colocam no lugar das suas vítimas, não penetram nos sofrimentos delas, não criticam as próprias obsessões violentas. Por terem abortado o processo de interiorização, não desenvolvem o embrião da sabedoria para destruir seus fantasmas psíquicos.

Quanto mais uma pessoa é consciente e lúcida, mais constrói uma plataforma para um autodiálogo. Aqueles que não estabelecem ricos diálogos interiores, ainda que intuitivamente, têm muito mais chances de serem infelizes, inflexíveis, auto-suficientes, ensimesmados. Levam para seus túmulos as características doentias de sua personalidade.

Grande parte das doenças psíquicas não seria desenvolvida se fôssemos treinados desde a mais tenra infância a desenvolver um autodiálogo capaz de nos fazer repensar nossas perdas e frustrações. Não tenho palavras para expressar o quanto me entristeço em saber que milhões de crianças e adolescentes serão futuros pacientes psiquiátricos porque nunca aprenderam a ser autores das suas histórias, debatedores de idéias.

Muitos nunca têm a oportunidade de descobrir que a introspecção bem elaborada, as imagens mentais bem construídas e as idéias bem estruturadas produzem uma fonte de entretenimento e experiência intelectual jamais propiciada pela TV e pela internet. A introspecção sadia gera sonhos, inspirações, aspirações, intuição, criatividade e prazeres.

2 - A solidão intrapsíquica de Deus

Deus é envolvido pela solidão intrapsíquica? Ela o impulsiona a ser um viajante nas trajetórias do próprio ser? Devemos nos lembrar que essa solidão, longe de ser negativa, é uma dádiva que alimenta a interiorização, a reflexão, a meditação. Se Deus é um ser consciente da sua identidade, da sua individualidade e da sua personalidade, Ele provavelmente experimenta a solidão intrapsíquica nos mais diversos níveis.

Mas como Deus superou essa eterna solidão? Como a superou pelos séculos dos séculos antes de ter as primeiras fagulhas de sua criatividade? Sinto calafrios em pensar na imortalidade de Deus e na possibilidade de Ele ter vivido um tédio inextinguível.

A única explicação filosófica e psicológica que vem à minha mente é que duas grandes causas impediram que a imortalidade de Deus-Pai, eloquentemente proclamada no Sermão da Montanha, comprometesse a sua saúde psíquica e seu encanto pela existência.

Essas causas tecem o segundo segredo subjacente na oração do Pai-Nosso. Primeiro, a emoção desse Pai só não explodiu de tensão porque deve constituir uma fonte inesgotável de prazer. Segundo, ao contrário dos humanos que usam mal seu tempo, Deus usou seu intelecto na eternidade passada para realizar um eterno encontro consigo mesmo, para gerar inumeráveis e intermináveis autodiálogos.

Sem essas duas causas, Deus não teria fôlego para, depois de incontáveis milhões de anos, se colocar como um Pai, e muito menos para ter paciência com a humanidade e falar-lhe de amor. Vejamos de que maneira.

Jesus certa vez deixou assombrada uma mulher da Samaria, ao apontar a emoção de Deus como fonte borbulhante de satisfação (João 4:14). Ela estava diante de um poço sob o sol do meio-dia. Sedento, ele gentilmente lhe pediu água.

Sabendo que Jesus era judeu, e que os judeus raramente conversavam com os samaritanos, a mulher questionou sua aproximação e sua humildade. Surpreendendo-a, ele disse que, se ela soubesse quem ele era, lhe pediria água, e ele lhe daria uma água viva que jorraria por toda a eternidade, satisfazendo-a plenamente.

O rápido diálogo de Jesus chocou a inteligência da samaritana. Ela ficou extasiada e confusa diante desse homem enigmático. Ele tinha sede biológica, e ela tinha sede psicológica. Ele pediu-lhe água, ela pediu-lhe prazer: "Dá-me de beber dessa água!"

Os diálogos de Jesus sempre foram sintéticos, mas com amplos significados. Ele teve a ousadia de falar de uma fonte de prazer que permearia todos os becos da personalidade daquela mulher e seria capaz não apenas de saciá-la no presente, mas de esmagar o tédio e romper as amarras secretas de sua solidão por toda a eternidade.

Como não ficar perplexo com a proposta de Jesus? Que homem é esse que fala de um prazer jamais sonhado pela psiquiatria e pela psicologia? Trabalhamos arduamente para desenvolver técnicas psicoterapêuticas e medicamentos antidepressivos e ansiolíticos para tirar o ser humano do cárcere da depressão e da ansiedade, mas não sabemos como fazê-lo encontrar a plenitude da alegria.

Tratamos da travessia do deserto, mas não sabemos como levar os pacientes a produzirem o oásis. Esse é o grande paradoxo da psiquiatria e da psicologia. É por isso que excelentes profissionais dessas áreas muitas vezes são mal-humorados, não exalam alegria e satisfação.

Nós morremos um pouco todos os dias. O futuro não nos pertence, mas é incrível como Jesus desenhou um futuro inextinguível. A proposta de uma vida eternamente aprazível e encantadora feita à samaritana tinha como espelho o passado do Autor da existência, que Jesus chama de Pai. Demonstra como Deus sobreviveu emocionalmente nos tempos incontáveis que antecederam o presente.

No meu entendimento, Jesus estava falando indiretamente das causas que fizeram o Deus atemporal ter uma emoção Mudável, sem os infindáveis traumas gerados pela solidão intrapsíquica. Isso tornou-se possível porque sua emoção era uma fonte de júbilo e porque construiu no teatro da sua mente, em cada "quantum de tempo", uma infinidade de encontros e reencontros consigo mesmo. O Deus auto-existente, cujos dias não têm princípio, transformou a eternidade passada numa primavera contínua de prazer, e não num inverno regado a sofrimento.

Um texto nos salmos comenta que os pensamentos de Deus são incontáveis (Salmos 139:17-18). A palavra pensamento no hebraico é hegheh e tem uma conotação especial, significa meditação ou elocução. Envolve, portanto, distração, reflexão, sonhos, projetos, inspiração.

O prazer e os autodiálogos de Deus foram suficientes para leva-Lo provavelmente a fazer da solidão intrapsíquica um oásis no passado incomensurável. Mas não foram suficientes para resolver sua solidão social. Por isso, Jesus proclama a oração do Pai-Nosso. Deus depende do amor dos filhos, e não apenas de si mesmo. Ele depende do relacionamento com os outros, e não apenas com Ele mesmo.

3 - Um tédio insuportável

Se com a nossa estrutura psíquica tivéssemos experimentado a solidão de Deus, teríamos destruído nossa saúde mental nos primeiros "quantuns de tempo". Como na eternidade o tempo inexiste, chamo de "quantum de tempo" uma unidade teoricamente mensurável.

Ser atemporal e onipotente nos levaria a um tédio insuportável e, talvez, a inúmeras idéias de suicídio. Não precisaríamos de milhões de anos para nos entediar, bastariam séculos.

Mas o Deus apresentado por Jesus, embora solitário, não tem sombra de ter vivido um passado angustiado, mal-humorado, apreensivo, tenso. Ao contrário, seu passado, ao que tudo indica, foi sereno, pacífico, afetivo.

Quando Jesus pisou nesta Terra, revelou que Deus não era irritadiço e ansioso, mas tranquilo, compreensivo, altruísta, compassivo. O próprio Jesus expressou concretamente essas características ao acolher Judas na traição e Pedro na negação (Lucas 22:48).

O Mestre dos Mestres demonstrou também que Deus alivia o cansado, ama o discriminado e se preocupa com os sentimentos ocultos dos rejeitados. Expressou que Deus não faz distinção de pessoas, não discrimina ou exclui, ao contrário, leva em altíssima conta cada ser humano, independentemente de seu status e de sua moral, como está apontado na coragem de Jesus ao correr ris¬co de morrer apedrejado por proteger prostitutas (João 8:3).

A parábola do filho pródigo revela um Pai que valoriza mais a pessoa que erra do que os erros que ela comete. Um Pai capaz de beijar o filho que o decepciona, abraçar quem espera uma re¬preensão, dar uma festa para quem merece punição. Um Pai que compreende os que não o compreendem e não abandona quem Dele desiste.

Esse Pai imortal que deveria ter sido asfixiado pelo tédio pa¬rece ter vivido uma espantosa tranquilidade em toda a sua his¬tória existencial. O teatro da sua mente tornou-se uma fantás¬tica usina de pensamentos e emoções fascinantes que produzi¬ram um autocompanheirismo, uma auto-amizade, uma histó¬ria contínua de reunião com o seu próprio ser. Deus viveu na plenitude.

Quem não é compassivo, tolerante e afetivo consigo mesmo não será assim com os outros. Na Torá e no Antigo Testamento, especificamente no livro do Êxodo, Deus faz uma recomendação direta e surpreendente: "Amai o próximo como a ti mesmo." Jesus repete enfaticamente essas palavras diversas vezes (João 15:12).

Essa frase mundialmente conhecida foi recitada e estudada teologicamente, mas não sob o foco da psicologia, e por isso permanece incompreendida. Ao recomendar que amemos o próximo como a nós mesmos, Deus está falando sobre sua própria experiência de vida, sobre sua forma de relacionar-se consigo e com os outros.

Deus tem um romance saudável com o próprio ser, uma auto-estima elevadíssima. Ama a si mesmo e por isso pode amar seu próximo. Como é onipresente, abraça toda a humanidade.

Quem não tiver um caso de amor consigo mesmo jamais amará as pessoas com quem se relaciona. Como muitos religiosos não amam a si mesmos, nem amam a própria vida, por mais que se esforcem não são amorosos com os outros, mesmo com seus íntimos.

Quem não é apaixonado pela existência não terá amor pela humanidade, viverá apenas para cultivar as próprias vaidades. Quem é malresolvido, autopunitivo e especialista em reclamar não tolerará as falhas dos outros e não os amará apesar dos seus erros.

O amor dessas pessoas será superficial e condicional. Exalarão irritabilidade, e não solidariedade, expressarão impaciência, e não tolerância. Serão agressivas com elas mesmas e com seus próximos, sejam eles esposa, marido, filhos, alunos, colegas de trabalho ou pares religiosos.

4 - A solidão social de Deus

Deus não apenas possui a solidão intrapsíquica, mas também a solidão social. Agora chegamos ao tempo do Sermão da Montanha. Por que esse Deus dá tanta importância à oração? Por que não usa um método mais rápido e eficiente para se comunicar com os humanos? Por que não prefere uma forma automática de contato e transmissão de dados, como a realizada pelos computadores?

Nada parece tão arcaico quanto orar, seja com palavras, gestos ou pensamentos, mas nada é tão insubstituível quanto a oração que, seja ela qual for, representa uma forma de diálogo entre o ser humano e Deus.

As coisas mais importantes da vida não se resolvem rapidamente. Um pai pode saber de todos os conflitos e necessidades dos filhos, mas ainda assim precisa que o filho se abra, se comunique, revele seus sentimentos. Não basta saber, é preciso cruzar os mundos.

Devido à solidão social indecifrável, Deus, ao que parece, tem uma necessidade capital de encontros com outros seres, não bastando os encontros com Ele mesmo. Por que esse desejo ardente de se relacionar com a humanidade apesar das falhas, injustiças e loucuras humanas? Se Ele é o diretor do roteiro da vida, e não fruto da nossa imaginação, por que suporta as sociedades tão conflituosas e não cria outra espécie menos problemática?

Na época em que eu me indagava sobre isso, imaginava que Deus era uma utopia da mente e que, se existisse, certamente nos descartaria. Mas a arte de pensar mudou minhas rotas. O grande motivo dessa mudança foi perceber que a psique humana possui o mesmo nível de complexidade da mente do próprio Deus, embora o ser humano não tenha a sua qualidade divina, seu poder e muitos dos seus atributos.

Se Deus desistir da humanidade, será obrigado a conviver Com sua solidão social. Poderá ter milhões de outras espécies, inclusive de serviçais, mas deixará de ser o Pai Nosso. O Gênesis, o livro que a ciência pouquíssimo estudou, diz que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus. Isso é uma fábula da Bíblia? Não parece ser. Defendo eloquentemente o argumento de que, do ponto de vista psicológico, as peças aqui descritas se encaixam.

O ser humano diverte, anima, encanta, emociona e inspira Deus, bem como o frustra e o decepciona. Dois mil anos de historia se passaram desde que Jesus esteve aqui, mas, para quem viveu uma eterna solidão, foram apenas segundos.

Apesar de sua dimensão, Deus é capaz de ouvir uma simples Oração, de prestar atenção num sussurro de dor. Tem perspicácia para compreender o que as palavras jamais disseram. Para Ele, um miserável vale tanto quanto um rei. Uma pessoa solapada pelos próprios erros tem o mesmo peso do mais puritano dos religiosos. Um iletrado alça vôo na sua inteligência da mesma forma que um intelectual.

Deus pode ter criado inúmeras outras criaturas em outras dimensões, como aponta Paulo (Colossenses 1:16), o apóstolo tardio, mas no Pai-Nosso Ele faz tudo para nos alcançar, conquistar, envolver. Discordo do antropocentrismo, que coloca o ser humano como centro de tudo, pois não honramos a arte de pensar, somos egocêntricos e temos pouco empenho em preservar a vida e o meio ambiente.

No entanto, é impossível não concluir que a humanidade mexe com as entranhas do Deus propalado por Jesus Cristo.

Não é uma religião que está em jogo, nem um conjunto de dogmas de adoração, mas uma necessidade psíquica de Deus. Muitos leitores talvez não consigam vislumbrar plenamente essa questão. Deixe-me dar um exemplo. Imagine que só exista uma pessoa neste exato momento vivendo na Terra. Quando ela anda, só se ouvem seus passos. Quando desperta, não há ninguém à sua volta. Vamos nos colocar no lugar dessa pessoa.

Ela é a mais rica e poderosa. Possui inúmeros bens e tem o mundo aos seus pés. Entretanto, quando caminha, só seu coração pulsa. Quando acorda, só ela desperta. Não terá atritos nem frustrações sociais.

Ninguém a perturbará. Não sofrerá críticas nem rejeições. Aparentemente essa pessoa vive na mais excelente atmosfera de paz! Mas quem deseja essa paz? Quem deseja todo esse poder? O mais miserável dos seres humanos não suportaria tal solidão. Por mais bem resolvido e feliz que seja o Autor da existência, Ele quer varrer do dicionário da sua existência a solidão social.

Podemos conviver com milhares de animais sem jamais termos problemas de relacionamento. Mas, por melhor que seja a relação com um ser humano, sempre haverá frustrações importantes. Apesar disso, não conseguimos deixar de viver em sociedade. Não somos seres sociais pelo instinto que promove a sobrevivência biológica, como acontece com os outros animais, mas por sobrevivência psíquica.

Certa vez, uma dentista me disse entristecida que se sente só no meio da multidão. É bem-sucedida, mas vive sequestrada dentro de si mesma. Seu marido, seus filhos e amigos não a conhecem, não a descobrem. O sorriso estampado em seu rosto serve para disfarçar o sentimento de solidão. Um pobre com amigos é muito mais rico do que um rico solitário.

Ninguém suporta ser esmagado pelo isolamento. Mesmo os anacoretas, os ermitãos e os monges que se enclausuram para fins místicos, que não têm nenhum contato social, não deixam de se relacionar. A solidão os estimula a construir milhares de personagens no palco de suas mentes, bem como inúmeras fantasias com as quais edificam complexos relacionamentos.

Até os pacientes psicóticos tentam superar sua solidão através dos personagens bizarros que criam no palco de suas alucinações. A solidão não superada deprime a emoção, asfixia a inteligência, dissipa o sentido existencial.

O Todo-Poderoso mostrou sua fragilidade na oração do Pai-Nosso. Revelou seu lado maravilhosamente dependente, sua face carente. Seu poder é capaz de resolver milhões de problemas no universo, mas não pode fabricar filhos, não pode solucionar a sua solidão social.

Se o que estou escrevendo não é um delírio filosófico e psicológico, esse fato mudou a história.

Augusto Cury