CAPÍTULO VII

UM PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS:
CONTRA A SUPERPROTEÇÃO

Um Pai que está nos céus: contra a superproteção

A continuação da oração de Jesus expõe outros segredos. Jesus disse que Deus não apenas é um Pai, mas que Ele habita nos céus. Temos de abrir o leque da inteligência e indagar: a que céus Jesus se referia? O Autor da existência está num lugar fisico, num ponto longínquo do universo? Está infinitamente distante de nós? Ou habita num lugar que, apesar de não ser físico, fica mais próximo do que imaginamos?

Como o mundo das perguntas abre o leque da inteligência, devemos continuar a indagar. Por que Deus está nos céus e não na Terra como centro das atenções? Por que Ele se esconde atrás do véu da existência? Se estivéssemos no lugar de Deus, nos ocultaríamos como Ele, ou procuraríamos o máximo de visibilidade? Os grandes políticos e líderes sempre amaram os holofotes da mídia, mas, se Deus é real, por que insiste em se ocultar? Nao é um comportamento estranho?

1 - Freud e seu ateísmo: Deus como necessidade de um pai protetor

O comportamento de Deus sempre perturbou o ser humano e gerou crises, em especial nos pensadores. Neste momento vou destacar Freud. O pai da psicanálise foi um brilhante pensador. Era um judeu ateu.

Discorrendo sobre o ateísmo, disse: "A crença em Deus subsiste devido ao desejo de um pai protetor e da imortalidade, ou como um ópio contra a miséria e o sofrimento da existência humana" (Freud, 1969).

Para Freud, a crença em Deus só subsistia na mente humana pela necessidade de um pai protetor, pelo desejo de transcender a morte ou como anestésico para suportar as mazelas humanas.

Aparentemente as idéias de Freud sobre o ateísmo são profundas, mas na realidade eu as considero simplistas e até superficiais. Não é a simples busca da proteção de um pai protetor que leva o ser humano a crer em Deus, mas sua insaciável procura pelas origens, gerada pela consciência existencial.

O salto da inconsciência existencial para a consciência virtual libertou o imaginário humano e levou pessoas de todas as gerações e religiões a desenhar a idéia de Deus. A solidão intrapsíquica e a social fizeram dos seres humanos garimpeiros que indagam: estamos sós no universo? Milhões de livros não responderam as perguntas mais básicas sobre a humanidade. A ciência nos transformou em perguntas vivas sem respostas.

A solidão que impele cientistas a procurar nossas origens, bem como vida em outros planetas, também leva um índio, um asiático ou um americano a procurar Deus. Freud estudou o inconsciente, mas provavelmente não teve oportunidade de estudar a manifestação inconsciente e explosiva gerada pela solidão da consciência existencial.

Além disso, Freud não entendeu que a busca por Deus como expressão do desejo de superação da morte não é uma atitude menor do intelecto humano, mas um processo coroado de inteligência e sustentado também por processos inconscientes.

A consciência humana não consegue compreender a inconsciência existencial, a morte em si mesma, o vácuo existencial.

Toda idéia sobre a morte é sempre uma manifestação da vida. Por isso, como descrevo em outros livros, não existe ideia de suicídio pura. Quem deseja morrer não tem consciência das consequências reais impostas pela morte. Na realidade, uma pessoa que pensa em suicídio tem sede e fome de viver. O que ela deseja é eliminar a dor, e não a vida.

O ilustre Freud experimentou o desejo de imortalidade que ele mesmo condenou. Aos 67 anos desenvolveu uma crise depressiva diante de um câncer bucal e da progressão de uma grave pneumonia em seu neto. A perspectiva do fim da existência gerou uma revolução nos bastidores inconscientes da sua mente, levando-o a uma depressão angustiante (Cury, 2004).

A depressão do pai da psicanálise seria sinal de sua fragilidade psíquica, como ele pensava? De modo algum. Diante do caos da vida, o grande Freud se comportou como um ser humano, e não como um intelectual. Teve uma reação desesperadora, recusando-se a aceitar a finitude da existência. Sua depressão era uma reação inconsciente em busca da eternidade.

Talvez mais do que Freud, fui um ateu contundente. Mas estudar todos esses assuntos mudou meu conceito em relação à espiritualidade. Se antes achava que ela era fruto da pequenez intelectual, hoje penso que a busca por Deus, independentemente de uma religião, é um ato inteligentíssimo. É o grito mais eloquente da consciência que entra em crise diante da possibilidade do caos da inexistência. Filosoficamente falando, é impossível destruir a religiosidade humana.

O socialismo tentou destruí-la, produziu milhares de professores de ateísmo, mas não conseguiu. A religiosidade é o desejo irrefreável do eu, na qualidade de líder do teatro da mente, de continuar a encenar a peça da existência até quando atravessa o drama da solidão de um túmulo. O ser humano é mortal, mas tem uma mente que aspira à imortalidade.

O ateísmo é uma forma de superar a solidão diante de um mundo inexplicável, é um desejo inconsciente de procurar Deus. Os ateus lutam contra tudo que os controla, mas não se dão conta de que o que mais controla e silencia o ser humano é o fim da existência. Procurando fugir de dogmas, acabam proclamando outro dogma: o da ausência de Deus e da negação de uma vida que permanece depois da morte física.

A morte é o maior carrasco da liberdade. Ao esfacelar os segredos da memória, destruir a construção das cadeias de pensamentos, ela implode a identidade e a consciência existencial e nos atira no fosso do nada.

A bandeira da liberdade hasteada pelos ateus pode afastá-los das religiões, mas os aproxima do tema de Deus mais do que imaginam. A morte esmaga a liberdade. A liberdade está ligada inevitavelmente à continuidade da existência, e a continuidade da vida só será possível se houver um Deus muito maior do que nossa religiosidade imagina, um Deus capaz de refazer a colcha de retalhos da memória que se esfacelou no drama de um túmulo.

Retomando a idéia da busca pela segurança, Freud comentou que a crença em Deus está baseada na busca de um pai protetor. Agora veremos que o Pai descrito por Jesus é contra a super-proteção. Eis o oitavo segredo.

2 - Deus não prometeu um caminho de flores

Ninguém é digno do prazer de viver, se não usar suas angústias, ansiedades e aflições para irrigar a vida. Ninguém é digno das flores, se não sujar as mãos para lavrar a terra e cultivá-la. A existência tem curvas imprevisíveis, perdas inesperadas, choques fora do plano que traçamos.

Quando olhamos para o relacionamento que Jesus tinha com seus discípulos, verificamos que ele os testava constantemente. Era capaz de enviá-los sem suporte financeiro e sem alimentos para uma terra estranha. Orientava-os a experimentar o vale do medo e a construir segurança mesmo quando o mundo desabava sobre eles. Corria risco de ser morto por proteger uma prostituta sem nenhuma religiosidade aparente e queria que seus discípulos aprendessem a amá-la independentemente de seus comportamentos. Para espanto deles, o Mestre não tinha medo de expressar seus pensamentos em lugares onde se recomendava a prudência.

A oração do Pai-Nosso é uma síntese complexa do que Jesus viveu e ensinou. O Deus dessa oração não prometeu caminhos sem obstáculos, oceanos sem tormentas. Mas prometeu o pão cotidiano em cada travessia, força na angústia, coragem nas incompreensões e paciência nas perdas.

Deus não prometeu uma existência sem desertos, mas ensinou que há um oásis nos escombros das dores. Não prometeu campos de flores, mas ensinou, através de Jesus, que há dignidade nos vales dos temores e esperança nos abismos das derrotas. Ensinou que a vida deve ser homenageada a cada momento como um espetáculo único.


3 - Um pai que expande os horizontes da inteligência

O Pai descrito por Jesus está nos céus. Não está no centro da Terra resolvendo todos os problemas humanos. É o ser humano que deve traçar seus caminhos, definir sua trajetória existencial e ser responsável por ela.

Deus não facilita a vida humana nem dispensa as labutas de cada pessoa. A análise psicológica e filosófica do comportamento de Deus indica que, se atendesse prontamente todas as necessidades humanas, criaria exploradores, e não pensadores, pessoas autoritárias, e não altruístas.

O próprio Jesus comenta que é necessário bater, bater e bater à porta desse misterioso Pai. Não é um processo sobrenatural, mas natural. Não é instantâneo e exige esforço.

Certa vez Jesus abalou seus ouvintes ao comparar Deus a um juiz iníquo, que aparentemente é tardio em julgar as causas dos que o procuram. Ele não está alheio às angústias e lágrimas humanas. Aparentemente deseja resolver nossas dificuldades, mas sabe dos riscos altíssimos de fazer assim.

Deus sabe que quem dá o mundo para os próprios filhos mas esquece de dar a si mesmo dificilmente terá o amor deles. Poderá se transformar num joguete nas mãos dos filhos e criar manipuladores ambiciosos.

Quem supre todas as necessidades dos filhos, sem estimular sua garra, seus projetos e sua capacidade de lidar com fracassos, criará deuses de pés de barro que se considerarão dotados de um falso poder ilimitado. Ou criará pessoas tímidas, que poderão ser ótimas para os outros mas raramente para si mesmas, que terão medo de correr riscos para concretizar seus sonhos e batalhar por suas conquistas. Deus, como Pai, se recolhe no silêncio e em silêncio clama aos seres humanos: "Façam as suas escolhas!"

Quando estava na Terra, Jesus tinha um comportamento que estimulava a formação de pensadores. Não pressionava as pessoas a segui-lo. Dizia: "Quem tem sede venha a mim e beba." Era necessário fazer uma escolha. De muitas maneiras ele convidava o ser humano a segui-lo, mas respeitava as decisões humanas.

Certa vez, vendo os discípulos escandalizados com suas palavras, deu-lhes liberdade para que o abandonassem. Como já disse, enviou os discípulos para divulgar sua mensagem sem nenhum suporte material. Queria que eles aprendessem a ser líderes em situações inóspitas.

Quando recebidos em uma casa, ainda que fosse um casebre com recursos muito escassos, deviam encher-se de júbilo. Se não fossem recebidos, não deveriam injuriar e criticar, apenas sacudir o pó das sandálias e partir com respeito e serenidade. A naturalidade e a sensibilidade desses gestos são poéticas.

Crer nos atos sobrenaturais de Jesus se situa na esfera da fé. Independentemente desses atos, sua preferência pelos processos naturais era inquestionável. Ele preferia um gesto de generosidade, uma brisa de perdão, um afago de tolerância aos espetáculos milagrosos.

Os seres humanos têm uma atração irresistível por processos antinaturais. A indústria do cinema fatura alto estimulando o sobrenatural em seus filmes, mas o Jesus dos evangelhos e o Pai que ele revelava amavam a naturalidade, principalmente o mais natural dos sentimentos - o AMOR.

4 - A superproteção é devastadora

A superproteção é uma das atitudes mais devastadoras para o processo de formação da personalidade dos filhos. Pais que satisfazem todos os desejos das suas crianças bloqueiam a capacidade delas de proteger-se, de suportar intempéries, de administrar decepções. Crianças superprotegidas crescem ansiosas, emocionalmente flutuantes, autoritárias e inseguras.

Pai Nosso que estás nos céus tem um significado enorme. Jesus dizia que Deus está nos recônditos do espírito humano dos que o procuram, mas está também nos céus, numa distância suficiente para não controlar ou superproteger o ser humano.

Se estivesse na Terra, Ele ocuparia um lugar de destaque que asfixiaria a liberdade de decidir - inclusive, decidir amá-Lo ou rejeitá-Lo. Se estivesse na terra, como muitos almejam, o mundo se dobraria aos seus pés. Teria milhões de bajuladores, mas não pessoas que o amassem. Estaria derrotado. Jamais superaria a solidão social. Teria serviçais, e não filhos capazes de construir uma trama de relacionamentos afetivos com Ele.

Parece estranho que Deus deixe a mente em suspense. Ele existe? Onde está? Por que não mostra sua face? Por que não subjuga a humanidade com seu poder? Se os seres humanos estivessem no lugar de Deus, certamente detestariam o anonimato. Prefeririam o estrelato.

É complicado entender que o poder de Deus não é uma solução, mas um problema que dificulta a satisfação de suas necessidades psíquicas. O poder não gera amor. Herodes, o Grande, amava Mariana, uma judia. Usou seu poder para conquistá-la, mas nunca teve seu amor. A delicada Mariana viu seu marido alcançar sucesso dominando povos e até matando seu próprio povo. Seu poder a subjugou, mas nunca fez com que ela o amasse.

Se Deus tem sede de ser amado, seu poder é capaz de atrapalhá-lo muitíssimo. Por isso busca o anonimato. Ele é tão inteligente e sequioso de realizar seu projeto emocional que deixa o ser humano procurá-lo na sutileza da introspecção, na brisa da oração. Seu comportamento é fascinante.

O grande teste é amar um Deus invisível, é se relacionar com um Pai anônimo que não se preocupa em satisfazer nossas necessidades imediatas, mas investe muito no território da psique. Isaías, o profeta de Israel, certa vez disse que verdadeiramente Deus é um Deus que se encobre.

Alguns fazem loucuras para ter um pouco de fama. Muitos destroem o que mais amam para se tornarem celebridades. Entretanto, aparentemente, Deus tem prazer de se esconder. Gosta de ser procurado pelo que é, não pelo que tem.

5 - Uma belíssima oração islâmica em busca de Deus

Rumi, um poeta do islamismo (Annemarie Schimmel, 1998), declara com refinada beleza o anonimato de Deus. Para Rumi, Deus, Alá, está oculto aos nossos olhos e, ao mesmo tempo, é capaz de revelar os segredos secretos da alma humana.

Tu estás oculto de nós,
Embora os céus estejam repletos da Tua luz,
Que é mais brilhante que o Sol e a Lua !
Tu estás oculto e, no entanto, revelas nossos segredos ocultos !

Os comportamentos de Jesus também se pautam por esse paradoxo. Ele aparecia e desaparecia. Era bem visível e concreto, mas gostava de se esconder. Para nosso espanto, todas as vezes que ajudava alguém, pedia: "Não contem para ninguém." Infelizmente, as pessoas estudam muito raramente a psicologia dos seus comportamentos.

Quando defendeu a prostituta do apedrejamento, todos os acusadores insistiam na morte da mulher. Jesus fez a oração dos sábios, o silêncio. Só o silêncio envolve sabedoria nos focos de tensão. Ele chocou os linchadores e os remeteu para dentro deles mesmos.

Ao ser indagado novamente, em outras palavras Jesus disse: "Tudo bem! Apedrejem-na, mas antes tenham a coragem de mudar a base do julgamento. Olhem para as suas próprias histórias para depois assassiná-la." {João 8:7)

Talvez, pela primeira vez na história, os linchadores recuaram. Abalados, saíram de cena. Em vez de usar processos sobrenaturais nesse momento, um dos mais dramáticos da sua vida, Jesus agiu com sua inusitada inteligência. Depois que os acusadores partiram, olhou gentilmente para a prostituta e chamou-a de "mulher". Deu-lhe o nobre status de ser humano. Além disso, perguntou: "Onde estão os seus acusadores?" Era desnecessário fazer tal pergunta, pois não havia mais ninguém. Como um excelente mestre da filosofia, Jesus usava a arte da pergunta para levar à interiorização e ao questionamento.

Ela respondeu que todos tinham partido. O Mestre não quis saber quantos erros ela cometera e com quantos homens dormira. O que o interessava era o ser humano. Fitando-a, disse, em outras palavras: "Vai e reescreve a tua história."

Não pediu para que ela o seguisse, servisse ou reverenciasse. Para ele, a mulher não lhe devia nada. Fizera aqueles gestos sem qualquer outro interesse a não ser o exercício do amor. Esse é um dos relatos que demonstram com mais eloquência que, ao contrário da maioria dos homens, o Mestre dos Mestres nunca usou seu poder para controlar as pessoas. Segui-lo era um ato completamente livre e espontâneo.

A mulher ficou extasiada. O resultado? Resolveu segui-lo para sempre. Seguiu-o até aos pés da cruz, onde ele agonizava. Por que o seguiu? Porque o amou pelo que ele era, e não pelo seu poder. Encontrou o único caminho que sustenta a liberdade: o AMOR. O AMOR e somente ele a fez correr todos os riscos por Jesus. É provável que essa mulher tenha sido a famosa Maria Madalena.

6 - Os céus: a habitação de Deus é mais próxima do que imaginamos

Jesus diz que o Pai está nos céus. Qual a distância entre Ele e a humanidade? Que céus são esses? É um lugar físico ou não?

Certa vez, um homem estranho chamado João, o Batista, bradava com eloquência na beira de um rio, anunciando a vinda do Messias. Suas palavras penetravam no inconsciente coletivo e desenhavam as mais diferentes imagens. Alguns achavam que o homem que ele anunciava apareceria com vestes solenes, outros previam a sua chegada com um séquito de assessores ou com uma escolta. Todos o aguardavam ansiosamente.

De repente surgiu um discreto caminhante no meio da multidão. Procurava passagem tocando delicadamente as pessoas. Ninguém o notou. Subitamente o olhar de João cruzou com o do caminhante. Deu-se um choque emocional.

Ele se aproximou e, embora sua aparência não tivesse nada de especial, João se convenceu de que encontrara o enigmático Messias que estava em seus sonhos. Depois que Jesus foi batizado, ouviu-se uma voz dizendo: "Este é meu filho amado em quem tenho prazer" (Mateus 3:17).

O meu ponto é: de onde Deus falou? Ouviu-se uma voz vinda dos céus, mas onde está esse céu? Infinitamente distante ou muito próximo? Provavelmente é um lugar, uma dimensão mais próxima do que imaginamos.

Os céus a que Jesus se referia não pode ser um lugar físico. Por quê? A velocidade da luz, de acordo com a teoria de Einstein, é a maior existente. Ela demora cerca de oito minutos para chegar do Sol à Terra. A luz das estrelas de outras galáxias demora milhões de anos para chegar ao nosso planeta.

Se Deus morasse num espaço físico, numa galáxia vizinha à nossa, a voz ouvida por João teria demorado milhares ou milhões de anos-luz para chegar até ele. Da sua emissão até a chegada à Terra, inúmeras gerações já teriam nascido e morrido. Portanto, esse céu não pode ser físico.

Se o processo fosse meramente físico, Jesus estaria delirando quando ensinou a oração do Pai-Nosso. As orações dos pais pelos filhos distantes, do marido ao lado do leito da esposa doente, do derrotado que procura alívio para sua perda demorariam milhões de anos até chegar ao Autor da existência.

Porém, aos olhos de Jesus, a oração ganha uma dimensão que ultrapassa os limites do tempo e do espaço. É um sistema de comunicação que ultrapassa os limites da física e viaja além de qualquer parâmetro conhecido. Eu fico atônito com esse processo.

Eis o nono segredo: O céu onde habita Deus-Pai é infinitamente distante e extremamente próximo. É distante o suficiente para não superproteger os seres humanos e próximo o bastante para que seja ouvido o clamor de cada um deles. Mesmo que esse clamor seja inaudível, mesmo que seja apenas uma lágrima sutil que sai dos becos da emoção ou um sussurro de dor que emana das áreas mais ocultas do intelecto.

O céu parece um lugar intransponível a bilhões de anos-luz de distância, mas simultaneamente encontra-se a menos de um centímetro. Tão próximo que a oração do Pai-Nosso e qualquer oração pronunciada, mesmo no silêncio da mente, por toda e qualquer pessoa penetra nos recônditos do ser de Deus. Como não ficar assombrado com esse fenômeno?

Augusto Cury