OS PAIS E A EVANGELIZAÇÃO INFANTIL

Os pais e a evangelização espírita infantil
POR CéLIA ELMY


Eu tenho uma suspeita e gostaria que fosse feita uma pesquisa para confirmá-la ou não: os pais espíritas são os mais descuidados na educação religiosa de seus filhos. Por que digo isso? É sabido que pais católicos fazem questão que seus filhos façam a primeira comunhão e para tanto encaminham-nos ao catecismo. Os pais evangélicos, por sua vez, são muito zelosos quanto à freqüência dos seus aos templos de sua convicção. Já os espíritas partem do pressuposto de que eles, em sua maioria, se tornaram espíritas quando adultos e vão deixar que o filho escolha sua religião quando crescer.


O que eles esquecem é que os tempos são outros, assim como essa geração que está chegando é bem diferente da deles. Deixá-la sem religião é não resguardá-la do mal com o qual seus filhos têm de conviver nos dias atuais.


Mesmo aqueles que encaminham seus filhos à evangelização infantil não têm a necessária firmeza: “Ah, se ela quiser ela vai...” Se ela quiser! Estão deixando os filhos decidir numa questão fundamental para a qual eles não têm condições de avaliar!


Conversei com um pai que defendia os dois exemplos acima e argumentei: “Se seu filho quiser deixar de ir à escola, o senhor permite?” “Ah, não, na escola não tem conversa, ele vai nem que seja amarrado!” “Por quê?” “Porque ele tem que ser alguém na vida!” respondeu, cheio de convicção. “E por que o senhor acha que ele está encarnado? Pra conseguir ser alguém na vida? Mas ele vai ficar aqui pra sempre? O senhor está preparando-o pra se dar bem do outro lado? Pra cumprir os objetivos pelos quais ele reencarnou?”


Às vezes a criança não quer ir porque não quer deixar o que está fazendo – jogando vídeo-game, brincando –, mas quando chega ao centro espírita, não quer mais ir embora.
E o que percebemos também é que as crianças só vão ao centro quando não têm outra programação. Tudo é motivo pra faltar. Não têm a necessária continuidade, o que prejudica o que estão aprendendo.


E há os pais que levam e esperam que em 2 horas de uma semana que tem 168, os evangelizadores consigam fazer o milagre da transformação da criança. Simplesmente despejam-nas lá e eles próprios não vão, não fazem Evangelho no Lar, não vivem sua crença.


A evangelização infantil é uma parceria. O trabalho dos evangelizadores completa o dos pais e vice-versa. Mas o que acontece é que a criança aprende uma coisa no centro e em casa vê o contrário. Estou falando de pais espíritas.


Hoje em dia parece que é unanimidade os pais se queixarem de seus filhos, mas eles estão esquecendo um importante recurso para auxiliá-los em sua educação, que é o espiritismo.
“Que fizeste do filho confiado à vossa guarda?”1 A fase infantil passa muito rápido. Aproximadamente aos 7 anos o espírito reencarnante consolida sua ligação ao novo corpo.2

Até essa idade ele tem bloqueada em grande parte sua bagagem do passado. É quase como se viesse zerado para recomeçar. Essa fase se caracteriza por uma voracidade muito grande de aprendizado. É a chance de passarmos algo que será determinante no rumo da sua evolução. Desperdiçá-la é chorar mais tarde com os desgostos que eles nos causarão, ou pelos quais passarão.


“Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais”.3 Estamos impedindo nossos filhos de se aproximarem de Jesus?

1 “O Evangelho segundo o Espiritismo”, capítulo 14, item 9.
2 “Missionários da Luz”, capítulo 13.
3 Lucas 18:16.