A QUARTA CRUZ

Nota da autora

Partindo do princípio de que somos criaturas dotadas de um corpo orgânico mortal e de outro espiritual imortal, nossa vida não sofre solução de continuidade com as frequentes existências na nossa eterna vida. Tais existências encaixadas no processo de viver, de evoluir, são necessárias a nós a fim de que conquistemos sabedoria e possamos um dia ser cocriadores na obra divina.

Embora a criação seja um dos mistérios de Deus, chega-nos hoje a informação relevante de que um dia fomos projetados no espaço cósmico pelo Criador, quais fagulhas divinas, em um ato totalmente espiritual. Tais fagulhas, também chamadas mônadas luminosas (o ser humano em potencial), espraiaram-se pelo Universo com a finalidade de evoluir e voltar ao seio do Criador como seres inteligentes e individualizados. O Espiritismo, doutrina evolucionista que é, fala à nossa inteligência e nos mostra a coerência dessa possibilidade.

No primeiro movimento, o involutivo, a mônada celeste não tem nenhuma consciência de si mesma. Nenhum psiquismo desenvolvido. É pura essência divina; energia condensada; semente na qual o ser humano do futuro, ou seja, nós, estamos contidos.

Desde sua saída da mente divina, a mônada, ao longo dos milênios, vem se transformando, pois a evolução constitui-se lei do planeta, e tudo se transforma ao toque do Divino Regente.

Estagiando em grupo, durante milênios, nos diversos reinos da Natureza, desenvolvendo suas potencialidades, tais fagulhas celestes são sempre monitoradas por diretores siderais, os cocriadores a serviço da evolução.

Ao final desse movimento involutivo, no qual essa chama divina se foi envolvendo em matéria cada vez mais condensada, mantendo, todavia, a pureza original, inicia-se o movimento oposto: o da evolução. E ela, que desceu inconsciente, agrupada, totalmente passiva e guiada pelos assessores celestes, vai, nesse movimento inverso, individualizando-se, conscientizando-se, transformando-se. Assim, ao longo dos milênios, essa mônada luminosa que um dia foi projetada pelo pensamento criador de Deus, evoluiu para um ser inteligente e personalizado. Aí está o Espírito incipiente que começa seu aprendizado; seu longo trajeto de volta ao Pai-Criador.

Ensaiamos as primeiras existências em planetas mais condizentes com nossa condição espiritual; nossa primariedade. Para lá fomos remetidos magneticamente, obedecendo à lógica da justiça e sabedoria de Deus. "Há muitas moradas na Casa de meu Pai."

Séculos chegam e passam. Milênios se vão... E já caminhamos para o alto como consciências plenas que buscam a religação com sua origem; com seu Criador. Cada conquista, como cada queda, ficam registradas, cada qual com as suas consequências, a fim de que saibamos escolher as atitudes futuras que nos convém.

Do exposto, fomos buscar alhures, uma das existências de Salvatore, um romano que viveu à época de Jesus, o Cristo de Deus.

É bem verdade que tudo aquilo que fizermos de bom ou ruim fica gravado nos registros akásicos, no éter cósmico, e será testemunha inquestionável da nossa vitória ou derrota. Quando necessário poderão ser revistos, todavia, aqui, a história é contada em tempo presente pelas lembranças do personagem Salvatore.

Não só os registros espirituais têm informações a nosso respeito, mas também no nosso corpo perispirítico ficam impressas ascensões e quedas; a luz já conquistada e as trevas ainda por vencer.

De todas as reencarnações de Salvatore é a que agora narraremos a que o marcou para sempre, razão pela qual jamais a esqueceu. Quem quer que teve seu caminho cruzado ao de Jesus jamais continuou o mesmo.

Assim, chegou até mim, pelas vias sutis da inspiração, mais este romance. Esperamos que ele encontre ressonância na sensibilidade dos leitores. Não tencionamos historiar mais uma vez a vida de Jesus, pois que já existem informações suficientes sobre ela. Este romance resgata, ratifico, uma das existências de Salvatore, o romano que teve o privilégio de caminhar muitas vezes ao lado Daquele que foi o maior expoente do Amor na Terra. Infelizmente, Salvatore não se deu conta da grandiosidade e importância de tal momento.

Na verdade, a quarta cruz poderia ter sido a minha, a sua, a de qualquer um; imaginária, real ou simbólica.

LOURDES CAROLINA GAGETE

..1 - O CHAMAMENTO

..2 - REMINISCÊNCIAS
..3 - CANSADO, MEU NOVO AMIGO
..4 - ESTIVE COM ELE NO SERMÃO DA MONTANHA
..5 - O RETORNO DE CANSADO
..6 - FOLHA SECA AO VENTO
..7 - MUITO TARDE COMPREENDI QUE ELE É O CAMINHO
..8 - NINGUÉM CAMINHA SÓ
..9 - DE VOLTA AOS PÉS DA QUARTA CRUZ
..10 - CRUCIFICADO POR AMAR REBECA
..11 - RECUPERANDO UM POUCO DO PASSADO
..12 - ONDE JESUS PASSOU SUA INFÂNCIA
..13 - DAVID, O ANJO ESCLARECEDOR
..14 - A FAMÍLIA DE DAVID
..15 - MENINO JESUS, UMA CRIANÇA SENSÍVEL
..16 - JONAS, UM ESPÍRITO DESTOANTE
..17 - POR QUE JONAS ME FOI ANTIPÁTICO
..18 - JONAS E REBECA