JESUS E O EVANGELHO

JESUS E O EVANGELHO (À LUZ DA PSICOLOGIA PROFUNDA)

Jesus é o mais notável Ser da História da Humanidade. A Sua vida e a Sua obra são as mais comentadas e discutidas dentre todas as que já passaram pela cultura e pela civilização através dos tempos. Não obstante, muito ainda se pode dizer e examinar em torno d'Ele e da Sua mensagem.

Sob qualquer aspecto considerado, o Seu Testamento - O Evangelho - é o mais belo poema de esperanças e consolações de que se tem notícia. Concomitantemente, é precioso tratado de psicoterapia contemporânea para os incontáveis males que afligem a criatura e a Humanidade. Vivendo numa época em que predominava a ignorância em forma de sombra individual e coletiva, qual ocorre também nestes dias, embora em menor escala, Jesus cindiu o lado escuro da sociedade e das criaturas, iluminando as consciências com a proposta de libertação pelo conhecimento da Verdade e integração nos postulados soberanos do amor.

Incompreendido, assediado pela astúcia e perversidade, perseguido tenazmente, jamais se deixou atemorizar ou desviar-se do objetivo para o qual viera, conseguindo perturbar a astúcia dos adversários inclementes com respostas sábias e lúcidas calcadas no reino de Deus, cujas fronteiras se ampliavam albergando todos os seres humanos sedentos de justiça, esfaimados de paz, carentes de amor.

... E nunca foi ultrapassado. Superior às conjunturas que defrontava pelo caminho e incólume às tentações do carreiro humano, por havê-las superado anteriormente, apequenou-se sem diminuir a própria grandeza, misturando-se ao poviléu, e destacando-se dele pelos grandiosos atributos da Sua Realidade espiritual. Exemplo da perfeita identificação da anima com o animus, Ele é todo harmonia que cativa e arrebata as multidões.

Mas não se permitiu impedir o holocausto para o qual viera, nem o padecimento de muitas aflições que se impusera, para ensinar elevação espiritual e moral, desprendimento e abnegação àqueles que O quisessem seguir. Jamais a Humanidade voltaria a viver dias como aqueles em que Ele esteve com as criaturas, sofrendo com elas e amando-as, ajudando-as e entendendo-as, ao tempo em que tomava exemplos da Natureza e na sua pauta incomparável cantava a melodia extraordinária da Boa Nova.

E ainda hoje a Sua voz alcança os ouvidos de todos aqueles que sofrem, ou que aspiram pelos ideais de beleza e de felicidade, ou que anelam por melhores dias, emulando-os ao prosseguimento da tarefa e à auto-superação, ambicionando a plenitude. Historicamente são muito escassas as referências a Jesus. Flávio Josefo, por exemplo, historiador do povo hebreu, ao terminar o século I, por ocasião do ano 62, quando foi lapidado o discípulo Tiago, informou com expressiva síntese: Tiago, o irmão de Jesus, chamado Cristo, aí encerrando a breve referência.

Posteriormente, na Sua Obra Antiguidades Judaicas, entreteceu mais amplas considerações, que parecem haver sido melhoradas: Nesta época viveu Jesus, um homem excepcional, porque realizava coisas prodigiosas. Conquistou muitos adeptos entre os judeus e até entre os helenos. Quando, por denúncia dos notáveis, Pilatos o condenou à cruz, os que lhe tinham dado afeição não deixaram de o amar, porque ele apareceu-lhes ao terceiro dia, de novo vivo, como os divinos profetas o haviam declarado. Nos nossos dias ainda não acabou a linhagem dos que, por causa dele, se chamam cristãos.

No século II, Tácito, famoso historiador romano, nos seus Anais, retratou as justificações de Nero a respeito do incêndio da Cidade, que ficou devastada no ano 64 d. C., através das seguintes palavras: Nero procurou os culpados e infligiu refinados tormentos àqueles que eram detestados pelas suas abominações e a que a multidão chamava cristãos. Este nome vem de Cristo, que o procurador Pôncio Pilatos entregou ao suplício.

Mais tarde, em memorável carta ao imperador Trajano, Plínio, o Jovem, comentando os ritos cristãos, detalhou: Reúnem-se numa data fixa, antes do nascer do Sol, e cantam entre eles um hino ao Cristo como a um deus. Comprometem-se sob juramento a não cometer roubos, assaltos ou adultério, e a nunca abdicarem da fé. Não obstante, das inexauríveis fontes do Mundo Espiritual nunca cessaram as informações sobre a Sua estada entre os homens e a Sua permanência aguardando que se opere a transformação das criaturas e da sociedade em consonância com os Seus ensinamentos.

O legado por Ele deixado para a Humanidade, porque nada escrevera, experimentou rudes alterações através dos evos. A princípio, pela dificuldade de ser traduzido corretamente do hebraico, havendo passado para o grego, e posteriormente para o latim, que facultava muita obscuridade nos textos, foi apresentado em diversos fragmentos e interpretações que ficaram denominados como itálicos, cabendo ao papa Dâmaso solicitar a S. Jerônimo que empreendesse a grande tarefa de revisão do Novo Testamento e do Saltério, para o latim, o que ocorreu em Roma em 383.

Após a desencarnação do papa, seu protetor, S. Jerônimo se refugiou em Belém para dar prosseguimento à Obra, revendo o texto da tradução latina, comparando-a com o grego, afim de aperfeiçoá-la e apresentando-a como definitiva, alongando-se o mesmo trabalho pelo Velho Testamento. No entanto, esse labor hercúleo, mesmo enquanto se encontrava no corpo o seu tradutor, foi contestado por S. Agostinho, para ser adotado por todos os povos cristãos, mais tarde, a partir do Século VIII.

Sucessivamente os Concílios foram apresentando alterações, correções, interpolações, que mutilaram muitos conceitos do Mestre e geraram grandes perturbações, afim de atenderem a interesses inconfessáveis de indivíduos e grupos políticos durante o largo período dos imperadores romanos... Permaneceu, no entanto, a essência dos Seus ensinos, que se encontram sintetizados no Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Não pretendemos discutir textos do Evangelho em nossa modesta Obra. Percorrendo as páginas edificantes de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec (52". Edição da FEB), -utilizamo-nos de alguns dos seus textos, com as respectivas anotações dos evangelistas, para propormos breves comentários à luz da psicologia profunda, por considerarmos de grande atualidade as propostas neles exaradas.

Não se trata de um trabalho de grande fôlego, antes se perceberá que são anotações de alguém interessado em contribuir com alguns esclarecimentos de utilidade para os momentos que se vivem na Terra em plena convulsão moral e espiritual, no grande trânsito que se opera para a mudança de mundo de PROVAS e EXPIAÇÕES, para MUNDO de REGENERAÇÃO.

Sem veleidades de especialista em psicologia profunda, o nosso é o contributo sincero de quem crê na excelência da Doutrina Espírita que atualiza o Evangelho, graças aos postulados apresentados pelos Espíritos Iluminados ao eminente Codificador, que muito bem soube fixá-los na Obra incomparável de que se fez responsável.

Esperando que a contribuição, que ora apresentamos ao caro internauta, possa despertar estudiosos da psicologia profunda para atualização dos ensinamentos de Jesus, e aprofundamento das questões por Ele abordadas, rogamos-Lhe, na condição de nosso Amigo Inconfundível e Terapeuta Excelente que é, que nos inspire e guarde na incessante busca do AUTOBURILAMENTO e da auto-iluminação, que nos são necessários.

Salvador, 30 de junho de 2000. Joanna de Angelis

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