JESUS, O CRISTO

O CRISTO

Jesus, doce rabi da Galiléia! Luz do mundo! Verbo que se fez carne e habitou entre nós! Pão que desceu do Céu e dá vida ao mundo! Água viva que sacia a sede de justiça e de amor! Mestre divino! Pastor de nossas almas! Cristo de Deus!

QUANTOS ADJETIVOS PARA NOS REFERIRMOS A JESUS de Nazaré! Belas palavras tiradas de expressões evangélicas. Mas, em verdade, que sabemos sobre Jesus?

Ele foi um hebreu, portanto israelita (todos os hebreus descendiam de um dos patriarcas desse povo, Jacó, também chamado Israel) e judeu, por ser da tribo de Judá, uma das doze que compunham aquele povo. E viveu há dois mil anos, na Palestina, antigo Oriente, atual Oriente médio.

Em Estudos Espíritas do Evangelho (Editora Allan Kardec, 2005), o leitor encontrará informações mais extensas sobre Jesus, sua vida, seus feitos e ensinos, seu julgamento, condenação e sacrifício, com a ressurreição gloriosa, e os demais temas abordados neste livro.

Estava entre os trinta e cinquenta anos de idade, quando iniciou seu ministério (Lc 3:23 e Jo 8:57). Até então, vivera no oculto de uma vida comum, para que adversários do bem não impedissem antes do tempo sua tarefa redentora.

Nenhum outro registro ficou de sua aparência física. De um mestre espiritual importa a essência de sua vida e não o corpo de que se revestiu.

Sem ter feito estudos especiais (Mt 13:54 e Jo 7:15), agiu e falou de modo admirável, jamais superado por ninguém. Os pontos similares e concordantes de sua vida e pregação com a doutrina dos essênios explicam-se simplesmente por serem as verdades eternas sempre as mesmas e todos que as atinjam, que as alcancem, falarão e agirão de modo semelhante.

Tão extraordinários a vida, ensinos e feitos de Jesus que chegam a supô-lo um mito, representando o ideal de liberdade no seio do povo hebreu; dominados por outros povos, ansiavam por libertação e faziam ressurgir sempre esse anseio, apesar dos insucessos.

Mas, que existiu realmente, prova-o a excelência de sua doutrina, superando as idéias e concepções do mundo judaico de então, não obstante faltarem anotações históricas mais substanciais para atestá-lo.

Sua qualificação superior e sua missão sublime foram atestadas pelo Alto de modo especial, por ocasião da transfiguração. Materializados apareceram ao seu lado Moisés, que para os israelitas representava a lei, a ordenação escrita, e Elias, representando as revelações espirituais, os profetas ou médiuns, pois foi o maior deles. Depois, desapareceram e só ficou Jesus, enquanto uma voz dizia:

-Este é o meu filho amado. A ele escutai. Haviam escutado e atendido a Moisés e aos profetas; com Jesus, porém, nova revelação se fazia e a humanidade recebia nova e mais aperfeiçoada ordem de ensinos. Era ele, Jesus, o Cristo, o "ungido por Deus", para trazer ao mundo a mensagem do amor.

Seu ressurgimento em glória espiritual, após a morte de seu corpo, e suas reiteradas manifestações a discípulos e apóstolos, consolidaram neles a convicção da imortalidade e de que a justiça divina dá a cada um segundo suas obras, alentando-os para a continuidade dos labores de pregação e exemplificação da conduta cristã.

Apesar do cuidado que ele teve em demonstrar a relação das profecias com seus ensinos e feitos, a maioria dos israelitas não entendeu nem aceitou a sua mensagem, por não ser o líder guerreiro e dominador que esperavam devesse ser o Messias. Era rei, mas não deste mundo, como esclareceu a Pilatos, e, sim, do mundo espiritual. Espirituais seriam, também, a libertação e o bem-estar que traria.

Os que tiveram "ouvidos de ouvir" e "olhos de ver" encontraram nele o caminho da verdade e da vida, entenderam a sua doutrina e se tornaram seus discípulos, perpetuando na Terra, através do ensino e da exemplificação, a sua mensagem sublime e libertadora.

E Jesus continua atraindo a atenção dos pesquisadores, cristãos ou não, leigos e especialistas, teólogos, filósofos, historiadores... Centenas de livros foram e estão sendo escritos sobre ele e existe um estudo especial, a Cristologia, que se destina a investigar quem foi o Nazareno, seu lugar na história real e os fatos de sua existência.

Revistas conceituadas, documentários e reportagens na televisão abordam temas assim: "Jesus, quem era ele. As novas descobertas sobre sua vida e sua época"; ou "Nos Passos de Jesus de Nazaré"; ou ainda, "Jesus, a outra face; pesquisas revelam novo Jesus e corrigem data de seu nascimento".

Essa correção se faz necessária para que Jesus ressurja ante o nosso entendimento na realidade de sua natureza espiritual: nem um deus materializado nem um simples homem terreno, mas um Espírito já purificado que encarnou entre nós para se fazer o "caminho da verdade e da vida" e levar a humanidade ao encontro do Pai.

O Cristianismo e os cristãos

A partir da vida e dos ensinos de Jesus, se formaram várias religiões e, nelas, muitas coisas foram acrescentadas: dogmas, rituais, sacerdócio. Cada qual se apegou a determinados aspectos, de modo que estão muito divididas, às vezes nem se reconhecem e até se hostilizam: Catolicismo, Igreja Ortodoxa, Copta; Igrejas evangélicas, como os Luteranos, Presbiterianos, Batistas, Metodistas, o Anglicanismo, além das atuais seitas evangélicas.

Todas essas confissões religiosas se denominam cristãs e dizem que a sua religião é o Cristianismo. Do Espi
ritismo, dizem que não é Cristianismo, nem religião seria... Apenas porque não temos sacerdócio nem culto exterior. Dos espíritas, dizem: Vocês não são cristãos! Entendemos nós, porém, que cristão é quem segue o Cristo, quem procura conhecer e viver a sua mensagem. Mas vocês não reconhecem a divindade de Jesus, contrapõem. De fato, entendemos que Jesus, não obstante filho dileto do Altíssimo, é criatura como nós e não criador, só Deus é o criador. Vocês querem ser iguais a Jesus, acham que são como ele! Certamente, somos da mesma natureza espiritual que Jesus, sim, senão como poderíamos segui-lo? Mas não iguais, não estamos no mesmo grau de evolução. Só estamos querendo nos aproximar do que Jesus já era há dois mil anos. E como a evolução dos Espíritos é incessante, Jesus deve ter evoluído ainda mais...

Mas, pelos padrões do Cristianismo deles, talvez até Jesus não fosse considerado cristão. Foi o que comentou uma reportagem da Manchete (16/10/1993): Jesus foi Cristão?, destacando que Jesus não se diria Deus; não adotaria imagens, altares, igrejas; nem sacramentos, como o batismo, o casamento e a eucaristia; não cobraria dízimo e não demonstraria apego às letras bíblicas.

O verdadeiro Cristianismo

A religião real do Cristo não é uma religião formal, Jesus não fundou nenhuma religião assim.

No campo das idéias, falou de um Deus de natureza espiritual, Pai criador, poderoso, mas sábio e amoroso; do reino dos céus significando a vida espiritual, verdadeira e duradoura; de nós, criaturas humanas, como filhos de Deus, seres espirituais como nosso Pai, também imortais e com faculdade de pensar, sentir e agir; da justiça divina dando a cada um segundo suas obras, aqui ou no Além; de planos espirituais e da influência dos espíritos sobre nós, reconhecíveis como bons ou maus pelo que produzem.

Quanto a práticas, nada ensinou de culto exterior. Não combateu as que existiam, como oferendas, sacrifícios, gesticulação, vestes nem rezas, mas não as utilizou nem recomendou. Ensinou, porém, a adoração a Deus em espírito e em verdade, ou seja, de modo espiritual e com sinceridade, traduzida em tudo que pensamos, sentimos e fazemos.
Orientando-nos quanto à conduta a manter, recomendou, especialmente:

1. Ter fé (confiança) em Deus, em Jesus, em si mesmo.

— Credes em Deus, crede também em mim.
— Por que não tendes fé? Onde está a vossa fé?
— Tudo é possível àquele que crê.

2. Viver principalmente para o que é espiritual. Não se apegar às coisas materiais, passageiras, em detrimento do que for espiritual.

3. Pedi, buscai, batei e recebereis, achareis, abrir-se-vos-á. Orar, para pedirmos o que nos seja necessário e, por nós mesmos, não o possamos conseguir; orar sem ser preciso recorrer a fórmulas, palavras, posições especiais; mas fazê-lo com humildade, senso de justiça, sentimento de fraternidade, e perseverando nesse orar. Buscar conhecer e entender a vontade de Deus, expressa nas leis que regem a vida e os seres, para de acordo com ela agir o mais que lhe for possível. Bater com a mão do esforço na porta das oportunidades, para que se desdobrem as imensas possibilidades ao nosso alcance e saibamos aproveitá-las em favor de nós mesmos e dos que nos rodeiam.

4. Ajudar a todos, indistintamente. Assim como Deus não escolhe para ajudar, a todos oferecendo sol e chuva (mesmas oportunidades), também a todos devemos ajudar, amparando os pobres, os carentes, curando os enfermos, visitando os presos, afastando os maus espíritos que perturbam as pessoas.

5. Não esconder a luz sob o alqueire. Partilhar o conhecimento espiritual com quem quiser ouvir.

E informou-nos que o amor é o distintivo pelo qual se reconhece quem é cristão: Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros, como eu vos amei.

A mensagem de Jesus, simples na aparência, é cheia de vitalidade espiritual e capaz de reformar o mundo.

A proposta é transformar a humanidade, informando e convencendo intimamente a cada pessoa quanto à excelência do amor ao semelhante e da conduta digna e honesta; se entender a proposta e quiser vivê-la, a pessoa modificará a si mesma, passando a influir na vida social O código de moral que Jesus ensinou é inatacável e de validez inalterável. Se aceito e seguido, pode realmente trazer solução para os maiores problemas da Humanidade, pois visa anular seus grandes e básicos causadores: o materialismo e o egoísmo.

O Cristianismo contém, em sua essência, todas as verdades e conduz à espiritualização e ao amor. São de origem humana os erros que nele se enraizaram. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, "O Cristo Consolador", item 5)

O sangue de Jesus nos salva?

Acreditam alguns que a humanidade já está salva, pois Jesus morreu na cruz para nos salvar e seu sangue, assim derramado, nos salvou de nossos pecados. De fato, Jesus apregoou: Ninguém tem maior amor do que este de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. E ele deu a sua vida por nós, não morrendo, mas vivendo-a para nos beneficiar com seu ensino e exemplo. Ofereceu-nos a sua vida: como um pão (alimento), ensino e exemplo que deveríamos comer (assimilar), a fim de viver de acordo; como um caminho, para ser seguido, trilhado. Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia sobre si a sua cruz e siga-me.

Entretanto, quantos cristãos continuam errando, agredindo, mentindo, explorando, matando... A esses, o sangue de Jesus não os salvou, porque ainda não assimilaram o significado de sua vida, de seu ensino, e, consequentemente, ainda não se modificaram moralmente para melhor.

Entendendo a mensagem de Jesus e procurando vivê-la, nos salvaremos:

Da ignorância que nos faz errar. Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Da inércia paralisadora. Meu Pai trabalha constantemente e eu também trabalho. Do egoísmo limitante. Convida e estimula à generosidade. Dai e vos será dado (...) com a medida com que medirdes vos medirão a vós, medida boa e recalcada, sacudida e transbordando deitarão em vosso regaço.

Do materialismo enganoso. Buscai primeiramente o reino de Deus e a sua justiça e tudo o mais (que for necessário e justo) vos será acrescentado. Do orgulho injustificado. Aquele que a si mesmo se exalta será humilhado e o que a si mesmo se humilha será exaltado.

Do ódio, do desejo de vingança. Porque o ódio une tanto quanto o amor, mas nos une a quem não queremos bem. Desejando nos libertar desse sentimento inferior, ensinou: Perdoai para serdes perdoados. E exemplificou, quando, crucificado, orou: Pai, perdoa-lhes, não sabem o que fazem. Da intolerância presunçosa. Nas muitas vezes em que esclareceu e aconselhou: Quem não é contra nós é por nós. Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco.

Não façamos de Jesus o Deus que ele não é, mas, com todo respeito e reverente admiração, reconheçamos nele "o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo", assim afirmam os instrutores espirituais em O Livro dos Espíritos, na resposta à questão 625.

Busquemos nos aproximar desse modelo sublime. Esforcemo-nos por conhecer seus ensinos, seguir seus exemplos de vida. Combatamos as imperfeições morais que nos limitam a vida.

Desenvolvamos virtudes e qualidades, todos as temos em potencial.

Amemos a Deus, nosso Pai! E ao próximo, nosso irmão!

Assim nos ensinou e assim fez...

Jesus, doce rabi da Galiléia! Luz do mundo!

Verbo que se fez carne e habitou entre nós!

Pão que desceu do Céu e dá vida ao mundo!

Agua viva que sacia a sede de justiça e de amor!

Mestre divino! Pastor de nossas almas! Cristo de Deus!

Therezinha OLiveira

..E O VERBO SE FEZ CARNE

..O PÃO DO CÉU
..JESUS E A FAMÍLIA
..O TERAPEUTA DAS MULTIDÕES
..UM SÓ REBANHO, UM SÓ PASTOR
..O PATRIOTISMO DE JESUS
..ELE VENCEU O MUNDO