FLUÍDO MAGNÉTICO

1 - SOMBRA E LUZ

Qualquer estudante de Física sabe que a ação da luz pode impor diferenciações a variáveis ou a propriedades de substâncias e sistemas, determinando, por exemplo, variações de resistência elétrica, emissão de elétrons ou excitações de redes cristalinas.

Sabe também que os fótons têm massa em repouso nula, carga elétrica nula e spin unitário, mas que a energia de cada um é sempre igual ao produto da constante de Planck pela freqüência do campo.

Também não ignora que, num meio material, a velocidade de um fóton pode ser menor do que a da radiação eletromagnética no vácuo, porque ele interage com as partículas do meio.

Igualmente, não constitui novidade que um cátodo fotossensível, excitado por uma radiação apropriada, emite elétrons que podem ser acelerados para um eletrodo, provocando a emissão de novos elétrons, ainda mais numerosos. E se novas acelerações ocorrerem, em seqüência, para outros eletrodos, o número inicial de elétrons pode multiplicar-se por várias potências de dez.

Até aí, nenhuma novidade. Entretanto, neste outro lado do plano físico em que o homem desencarnado reside, isto é, no plano a que a morte do corpo nos conduz, e onde a matéria diferenciada e muito mais plástica se caracteriza por bem menor densidade, a influência da luz é, na mesma inversa proporção, muito maior.

Se no plano físico fótons podem decompor moléculas e, quando possuem energia superior a 5,18 ou 5,40 MeV, podem até provocar fissões nucleares, como a do urânio 233 e a do tório 230, aqui a gradação natural e automática, ou conscientemente provocada, determina com facilidade o teor eletromagnético de qualquer tipo de luz, a ponto de tornar uma claridade confortadora e reconstituinte, ou, ao contrário, insuportável por quem não tiver capacidade fisio-psico-moral para absorvê-la.

É em razão disso que os "filhos da Luz", isto é, as consciências iluminadas pelo bem, são sempre mais poderosos do que os "filhos da treva", ou seja, as consciências ensombrecidas pelo crime. Isto porque as vibrações do pensamento têm sempre efeitos luminosos, geram luz, e essa luz tem, naturalmente, freqüência, intensidade, coloração, tonalidade, brilho e poder peculiares, de acordo com a sua natureza, força e elevação.

Poder-se-ia dizer que a hierarquia espiritual se assinala por naturais diferenças de luminosidade, a traduzir níveis e expressões variadas de elevação, grandeza, potência e saber.

Se considerarmos que as vibrações luminosas da aura espiritual se fazem acompanhar de sons e odores característicos, além de outras intraduzíveis expressões de dinamismo vital, poderemos tentar formular vaga idéia do que chamaríamos o mundo individual de um Espírito Superior, pois não temos, por enquanto, nenhuma possibilidade de imaginar a excelsa sublimidade da aura de um Espírito Angélico.

Se a crônica do mundo referiu-se à claridade da explosão de uma bomba atômica, dizendo que ela teve o fulgor de mil sóis, como se expressaria se pudesse suportar a gloriosa visão da Aura do Cristo?

Descendo, porém, à humildade da nossa condição, consideremos que tudo em nosso plano é relativo e que, dentro das limitações de nossa realidade, a luz do bem é força divina que o Poder do Alto nos convida constantemente a sublimar e expandir.

A sombra e a treva são criações mentais inferiores das mentes enfermiças, renováveis e conversíveis em luz confortadora, pela química dos pensamentos harmoniosos e dos sentimentos bons.

2 - FLUÍDO MAGNÉTICO

No processo da ENCARNAÇÃO, OU REENCARNAÇÃO, a mente espiritual, envolta no seu soma perispirítico reduzido, i.e., miniaturizado, atrai magneticamente as substâncias celulares do ovo materno, ao qual se ajusta desde a sua formação, revestindo-se com ele para, de imediato, começar a imprimir-lhe as suas próprias características individuais, que vão sendo absorvidas pelo novo organismo carnal, à medida que este se desenvolve e se desdobra segundo as leis genésicas naturais.

Intimamente ligada, desse modo, a cada célula física, que se forma segundo o molde da célula perispiritual preexistente a que se acopla, a mente espiritual assume, de maneira mais ou menos consciente, em cada caso, mas sempre rigorosamente efetiva, o comando da nova personalidade humana, que assim se constitui de Espírito, perispírito e corpo material.

Importa aqui considerar que as características modulares que a mente imprime às células físicas que se formam são por ela transmitidas e fixadas através de uma força determinada, que é a energia mental, veiculada pelas ondas eletromagnéticas do pensamento. Quando o molde perispirítico preexiste exteriorizado, as vibrações mentais, atingindo-o em primeiro lugar, encontram maiores recursos para a ele ajustarem as novas células físicas. Noutros casos, as vibrações mentais, atuando sobre moldes perispiríticos amorfoidizados por ovoidização, valem-se do processo fisiológico natural de desenvolvimento genético para reconstituir a tessitura da organização perispiritual, ao mesmo tempo que imprimem às novas células deste, e às do soma físico, as características de sua individualidade.

Assim, as ondas eletromagnéticas do pensamento, carregadas das ideo-emoções do Espírito, constituem o que se denomina fluido magnético, que é plasma fluídico vivo, de elevado poder de ação.

Dai em diante, e pela vida toda, refletem-se na mente espiritual todos os fenômenos da experiência humana do ser, cuja quimiossíntese final nela também se realiza. Justo é que nela se reflitam e se imprimam tais resultados, por ser ela mesmo quem comanda o ser, ou, melhor dizendo, por ser ela o próprio ser, que do mais se vale como de instrumentos indispensáveis à sua ação e manifestação, porém não mais do que instrumentos.

É das vibrações da mente espiritual que dependem a harmonia ou a desarmonia orgânicas da personalidade e, portanto, a saúde ou a doença do perispírito e do corpo material.

De acordo com o princípio da repercussão, as células corporais respondem automaticamente às induções hipnóticas espontâneas que lhes são desfechadas pela mente, revigorando-se com elas ou sofrendo-lhes a agressão. Raios mentais desagregadores, de culpabilidade ou remorso, formam zonas mórbidas no cosmo orgânico, impondo distonia às células, que adoecem, provocando a eclosão de males que podem ir desde a toxiquemia até o câncer.

Tanto ou mais do que os prejuízos causados pelos excessos e acidentes físicos, muitas vezes de caráter transitório, as ondas mentais tumultuárias, se insistentemente repetidas, podem provocar lesões de longo curso, a repercutirem, no tempo, até por várias reencarnações recuperadoras.

Além disso, na recapitulação natural e inderrogável das experiências do Espírito, quando se trata de ônus cármicos em aberto, eclodem, com freqüência, em determinadas faixas de idade, e em certas circunstâncias engendradas pelos mecanismos da expiação, forças desarmônicas que afligem a mente, desafiando-lhe a capacidade de autocontrole e auto-superação, sob pena de engolfar-se ela em caos de intensidade e duração imprevisíveis.

Não podemos, tampouco, esquecer os problemas de sintonia, decorrentes da lei universal das afinidades, que obriga os semelhantes a conviverem uns com os outros e a se influenciarem mutuamente. Como a onda mental opera em regime de circuito, incorpora inelutavelmente todos os princípios ativos que absorve, sejam de que natureza forem. Assim, tanto acontecem, entre as almas, maravilhosas fecundações de ideais e sentimentos nobres, como terriveis contágios mentais, algumas vezes até de natureza epidêmica, responsáveis por graves manifestações da patologia mento-física.

Tudo depende, por conseguinte, do modo como cada Espírito se conduz, no uso do fluido magnético que maneja. Com ele, pode-se ferir e prejudicar os outros, criar distúrbios e zonas de necrose, soezes encantamentos e fascinações escravizantes. Mas pode também manipular medicações balsâmicas, produzir prodígios de amor fecundo e estabelecer, através da prece e do trabalho benemerente, uma sublime ligação com o Céu.

3 - AÇÃO MENTOMAGNÉTICA

O pensamento é uma radiação da mente espiritual, dotada de ponderabilidade e de propriedades quimioeletromagnéticas, constiituída por partículas subdivisíveis, ou corpúsculos de natureza fluídica, configurando-se como matéria mental viva e plástica. Partindo da mente, que a elabora, essa radiação se difunde por todo o cosmo orgânico, primeiro através do centro coronário, espraiando-se depois pelo córtex cerebral e pelo sistema nervoso, para afinal atingir todas as células do organismo e projetar-se no exterior.

Tal radiação mental, expedida sob a forma de ondas eletromagnéticas, constitui o fluido mentomagnético, que, integrado ao sangue e à linfa, percorre incessantemente todo o organismo psicofísico, concentrando-se nos plexos, ou centros vitais, e se exteriorizando no "halo vital", ou aura.

Do centro coronário, que lhe serve de sede, a mente estabelece e transmite a todo o seu cosmo vital os seus padrões de consciência e de manifestação, determinando o sentido, a forma e a direção de todas as forças orgânicas, psíquicas e físicas, que se lhe subordinam.

Através do centro cerebral, governa então as atividades sensoriais e metabólicas, enquanto controla a respiração, a circulação sangüínea, as reservas hemáticas, o sistema digestivo e as atividades genésicas, por meio, respectivamente, dos centros laríngeo, cardíaco, esplênico, gástrico e genésico.

É claro que, enquanto se demora em faixas modestas de consciência, a mente age, em tudo isso, de maneira instintiva, segundo a capacidade adquirida em miríades incontáveis de multifárias experiências, nos automatismos de repetição multimilenar, através da imensa jornada evolutiva que realizou, desde a condição de mônada fundamental, no corpo vivo das bactérias rudimentares.

Entretanto, esse maior ou menor grau de inconsciência, em sua própria atuação, em nada diminui a efetividade da ação da mente. Apenas, à medida que ela evolve, amplia as próprias alternativas de poder, ganhando liberdade de conduta cada vez maior, por dispor de recursos de conhecimento teórico e prático cada vez mais amplos.

É pelo fluido mentomagnético que a mente age diretamente sobre o citoplasma, onde se entrosam e se interam as forças fi· siopsicossomáticas, sensibilizando e direcionando a atividade celular, no ambiente funcional especializado de cada centro vital, saturando, destarte, as diversas regiões do império orgânico, com os princípios ativos, quimioeletromagnéticos, resultantes de seu metabolismo ídeo-emotivo saudável ou conturbado, feliz ou infeliz.

Cumpre notar, todavia, que o fluido mentomagnético não é apenas o instrumento por excelência da ação da mente sobre o fisiopsicossoma, mas igualmente o veículo natural que leva de volta à mente a reação fisiopsicossomática. Ele está, portanto, constantemente carregado de forças mentofísicas interadas, que são a síntese viva do estado dinâmico do ser e a externação atuante de sua íntima e verdadeira realidade.

Eis por que o vemos às vezes designado por fluido animal ou fluido vital, que são, sem dúvida, formas ou modalidades pelas quais ele também se manifesta, tal como ocorre com o ectoplasma.

O fluido mentomagnético está na base de toda a fenomenologia mediúnica e, por conseqüência, na base de todos os fenômenos de sugestão, hipnose, auto·hipnose, obsessão e inspiração, por ser o elemento natural de comunicação e de trocas energéticas entre os seres vivos.

Daí a imensa importância do passe magnético, que é operação de transfusão de poderosas energias vivas. Lembremo·nos, porém, de que cada um só pode dar do que tem e só consegue receber o que merece.

Áureo -Universo e Vida