PROJETO REENCARNATÓRIO

Crer em todo Espírito, sem exercitar a razão, é comportamento tão contraproducente para o espírita e o Espiritismo, quanto a atitude do materialista que não aceita a evidência de Espírito algum.

Não te deprima a ausência da comunicação com determinado amigo que se transferiu para o Além.

Há muitos fatores que desfavorecem a possibilidade da transmissão mediúnica.

Nem sempre os Espíritos podem atender àqueles que os chamam.

Nada mais natural: se isso ocorre, freqüentemente, com os homens comuns da Terra, que se dirá do intercâmbio complexo com os desencarnados?

Expressar-se mediunicamente não é tão fácil quanto se pensa: para estabelecer uma correspondência de real valor, dos planos superiores para o mundo, o interessado vê-se constrangido a verdadeiro curso de manifestação.

Não acredites em mudanças radicais pela morte: continuarás fazendo, como Espírito, e dentro das condições da vida espiritual, aquilo que fazes como encarnado, na vida humana.

E merece notar-se que essa ausência de mudanças radicais é mais grave do que se as houvesse.

Por isso e para cúmulo de paradoxo e infortúnio, legiões de Espíritos são, por séculos e séculos, mais lúcidos quando na carne do que quando livres no Espaço: os vícios a que se acomodam não lhes permitem liberdade para a fixação deles próprios na paz interior.

Inegável que o Espiritismo é interessante e consolador; contudo, acima do interesse e da consolação, ele confere a responsabilidade do conhecimento espiritual, a cada um obrigando a responder pela elaboração dos ingredientes mentais que lhe patrocinarão a existência seguinte.

Recebe com carinho e discernimento os visitantes da Espiritualidade, mas vive cooperando com os teus contemporâneos de aprendizado humano para alcançares a meta essencial: a suavização do projeto reencarnatório de tua próxima vida terrestre e, conseqüentemente, a ajuda efetiva na melhoria e no esclarecimento dos desencarnados que te observam ou te acompanham.

A árvore que consegue crescer no deserto assegura a vitalidade da sementeira, em torno, formando o prodígio do oásis, e a consciência que se edifica assemelha-se a lâmpada inflamada que se faz, ao mesmo tempo, clarão em si mesma e luz no caminho.

ALFREDO JÚLIO - Seareiros de volta