REPETÊNCIA REENCARNATÓRIA

Em qualquer escola, o aluno que se desleixa vê-se obrigado a rematricular-se no período próximo de ação estudantil, reiniciando os estudos encetados, às vezes em condições mais difíceis.

E faz-se desse modo aluno repetente, repisando matérias, horários, situações e, não raro, encontra transformado o clima da experiência com a substituição das companhias conhecidas anteriormente.

O aluno repetente não se defronta com surpresa agradável. Tudo em derredor já foi vislumbrado, de todas as disciplinas em pauta já recebeu alguma luz e, no entanto, tudo há de fazer para não se entediar ou esmorecer, porquanto uma oportunidade já foi desprezada, uma estação educativa passou frustrada, significativa fração de tempo já se evaporou sem proveito.

E, se, porventura, perder novamente o ensejo em lide, a terceira repetição surgirá com maiores tribulações.

Assim também ocorre com os alunos da evolução planetária. Urge diligenciar no aproveitamento efetivo de todas as possibilidades virtuais da existência para que o esforço futuro não se lhe faça pior.

Ninguém inicia, chorando, a viagem do berço ao túmulo por simples diletantismo.

Todos vestimos a carne em tarefa específica.

E a repetência reencarnatória traz problemas agravados e embaraçosas situações sem qualquer vantagem nos instrumentos de que o repetente se valerá na edificação da felicidade.

Se a missão passada envolvia comando, em ambiente de paz, aparece na condição de subalternidade, na forja da provação.

Se fracassou na ficha de médico destinado a servir ao povo, reaparece na posição de doente crônico, necessitado da Medicina.

E assim sempre será, de vez que adiamento de obrigação é aumento de empeços.

Lembra-te, assim, de que o Senhor não adiou a sua Excelsa Vinda à Terra, tampouco atrasou o envio do Consolador Prometido, e, de posse da instrução e do reconforto que a Doutrina do Amor te faculta, age no bem, obedece esperançoso, ora confiante e melhora-te de maneira incessante, sem procrastinar o bem que nos cabe fazer, pois o amanhã, embora sendo uma incógnita, deriva invariavelmente de teus esforços no dia que passa.

JOÃO MODESTO - SEAREIROS DE VOLTA