10 - INICIAÇÃO SEM ESCOLA

Para aqueles que não têm possibilidades de frequentar escolas desse tipo, sobretudo vivendo em lugares onde elas não existem, o problema poderá ser resolvido com a AUTO-IN1CIAÇÃO, isto é, cada um realizando seu próprio esforço com os recursos que tiver à mão. Para isso há duas soluções melhor aplicáveis:


Primeira solução


As escolas já existentes, como, aliás, já foi previsto na organização da Escola de Aprendizes do Evangelho, promoverão Cursos por correspondência, com instruções pormenorizadas e metódicas, enviadas aos interessados pelos meios normais conhecidos, encarregando-se também da apuração dos resultados nas épocas próprias.


Segunda solução


Onde quer que residam, os interessados em realizar esse dignificante esforço de melhoria íntima — libertar-se da ignorância religiosa e dos enganos retardadores da vida material — poderão promover sua auto-iniciação da seguinte forma:

1°) Assumirão perante Jesus, diretamente, o compromisso firme e sincero de se reformarem, solicitando ao mesmo tempo que benfeitores espirituais desencarnados possam vincular-se ao seu intento, auxiliando-os e inspirando-os a bem agirem nas diversas etapas do empreendimento.
Farão duas ou três concentrações sucessivas, com hora marcada, durante as quais se abrirão para o mundo espiritual, até que se sintam penetrados da certeza de que foram atendidos e estão em condições de iniciar seu esforço;

2°) Organizarão em seguida um plano de ação pessoal, levando em conta sua posição social, condições gerais de vida, compromissos domésticos e possibilidades de tempo disponível, de forma a realizar seu esforço sem criar reações ou prejudicar quem quer que seja;

3°) O plano abrangerá as duas partes já referidas — teórica e prática — como segue:

- a) Estudos e meditações progressivas e metódicas dos conhecimentos teóricos da Doutrina, que podem ser obtidos pela leitura das obras da Codificação Espírita, de Emmanuel, André Luiz e de outros autores conhecidos;

- b) Caso não disponham de tempo e facilidades, poderão adquirir a obra Iniciação Espírita, existente para isso mesmo, contendo noções desses conhecimentos destinados aos principiantes;

- c) Praticagem das regras constantes deste Guia do Aprendiz para o 1° grau da Escola de Aprendizes, versando sobre combate aos vícios, maus costumes, maus sentimentos, repressão às más tendências e defeitos morais.

Com persistência e força de vontade lutarão nesse sentido durante dois anos, anotando em sua caderneta tudo aquilo que conseguirem realizar; darão então um balanço nos resultados e na sua posição atual, concluindo por si mesmos sobre a passagem para o segundo grau.

Novamente se dirigirão ao Divino Mestre em concentrações diferentes, abrindo-se, como na primeira fase, para as inspirações do Alto. Se se esforçaram e eliminaram os vícios e modificaram o trato com seus semelhantes, certamente poderão passar ao grau de servidores, no qual prosseguirão no combate às falhas ainda existentes e aos defeitos morais que, então, passarão a ser combatidos com redobrado vigor.

Ao mesmo tempo iniciarão a parte mais importante da reforma, que é a prestação de serviços aos semelhantes em geral, não uma vez ou outra, de forma aleatória, mas como regra de procedimento habitual, no ambiente doméstico, no social e no de trabalho e por todos os meios ao seu alcance, inclusive por meio de preces e concentrações em benefício de necessitados, conhecidos ou não.

Esse trabalho deve ser realizado com discrição, sem alardes, para evitar reações contrárias ou interferências exteriores, que podem prejudicar seu aprendizado. Poderão, como medida acertada e útil, organizar o trabalho de "Evangelho no Lar", que pode interessar e beneficiar aos próprios familiares e conhecidos que demonstrem desejo de participação. Essa reunião poderá com o tempo transformar-se em uma sólida base de trabalho efetivo em benefício de muitos necessitados, dali se irradiando para lugares afastados.

Após dois anos desse segundo esforço e balanceados os resultados como já mostramos, alcançados no próprio íntimo e no setor das testemunhações, voltarão os aprendizes às concentrações de consulta ao Plano Maior, em busca de inspirações para novos avanços espirituais, neste caso para saber se estão ou não em condições de encerrar suas atividades como servidores, passando ao grau de discípulos.

A aprovação para isso será: terem combatido com bons resultados os defeitos morais ou, no mínimo, os terem reduzido de forma evidente e profunda; e terem integrado sua nova formação espiritual no conceito do amor universal. Se a resposta que receberem de forma evidente e profunda; e terem integrado sua nova formação espiritual no conceito do amor universal. Se a resposta que receberem for afirmativa, dirigir-se-ão mais uma vez a Jesus, para reafirmar sua fidelidade ao serviço do Evangelho, prometendo dedicar-se daí por diante, definitivamente, à sua propagação e testemunhação.

Isso obrigará os servidores a um desdobramento de programas e atividades com uma atuação permanente e definitiva, para a qual aliás já possuem um bom cabedal de experiências, conhecimentos e condições intimas. A essa altura já se fizeram verdadeiros espíritas e verdadeiros cristãos, podendo contar com amplas aberturas no Plano Espiritual e auxílio poderoso da parte dos benfeitores espirituais, que lhes custodiaram e ampararam os esforços realizadores.

Se, em todo esse tempo de aprendizado, puder haver o concurso de médiuns, tudo será facilitado, principalmente o intercâmbio com os Espíritos desencarnados, com os protetores espirituais e os atendimentos de necessitados — desde que, bem entendido, os médiuns possuam realmente qualidades inspiradoras de confiança, o que pode ser verificado, desde o início, pelos resultados do trabalho deles e as consequências que dele decorrerem, pois que pelos frutos se conhecem as árvores.

Se, porventura, surgirem dificuldades insuperáveis de soluções por conta própria, ou não tiverem os interessados capacidade para organizar sua auto-iniciação, é de todo conveniente solicitarem, pessoalmente ou por escrito, instruções a escolas já existentes das quais tenham conhecimento, ou diretamente à Aliança Espírita Evangélica.

O esforço de reforma íntima, é bom esclarecer, deve ser executado com todo rigor possível, sem transigências com comodidades e preconceitos de qualquer ordem, sem prejudicar, como já dissemos, os deveres comuns domésticos, sociais e de trabalho, mas, muito ao contrário, exige que estes sejam realizados ainda com maior perfeição, exatidão e boa vontade.

Nas cidades onde houver um grupo que deseje realizar o esforço por conta própria, as facilidades serão maiores e, nesse caso, o mais capacitado e que inspire mais confiança será o dirigente.

Nota: Nada impede que a reforma íntima seja realizada a título precário por indivíduos isolados ou em grupos, quando não existam escolas apropriadas, porque evangelizar-se é um direito de todos; e pontos de vista, preconceitos ou exclusivismos, mesmo quando partidos de organismos direcionais, não devem servir de obstáculos a tão necessária e urgente realização popular. Não podendo ou não desejando levar-lhes o conhecimento, devem, no mínimo, dar-lhes assistência e orientação dessa maneira.

Edgard Armond