11- COMENTÁRIOS FINAIS

1°) Com o Velho Testamento os homens reverenciavam a Deus poderoso e punitivo que, nos salmos e nas profecias, fazia-se presente às atividades humanas de forma objetiva; mas com Jesus abriram-se novos horizontes iluminados pelo amor, pela esperança e pela certeza de uma vida mais feliz, nos reinos espirituais.

2°) Agir pelo Bem é como amealhar tesouros que reverterão em nosso próprio benefício, quando deles necessitarmos. Assim, nos celeiros de Deus, acumulamos recursos de vida feliz para a eternidade.

3°) Obedecer às leis de Deus em tudo e sempre, eis a sabedoria maior. Aqueles que ouvem e esquecem, constróem na areia casas efêmeras que facilmente desmoronam; mas os que são fiéis às leis, plantam alicerces firmes e jamais ficarão ao relento; assim são edificações argamassadas com o amor conforme Jesus ensinou, e que são eternas.

4°) Conforme disse um autor inspirado, a alma do discípulo é como um reduto sitiado por forças hostis, que buscam, infatigavelmente, abertura por onde penetrar; mas a vigilância constante, pela comunhão espiritual e o coração limpo de maldades, representam defesas invencíveis.

5°) Conservar a confiança em Deus e prosseguir corajosa e persistentemente, nos caminhos traçados para a espiritualizaçao própria, eis a atitude dos que querem vencer, pois que as dúvidas e as vacilações retardam a marcha, fazem perder tempo e são fontes perenes de sofrimentos evitáveis.

6°) Manter o bom ânimo e a alegria é condição importante na luta pela espiritualização, porque a inquietação e o temor causam grande dano, enfraquecem a alma e a isolam das forças protetoras. A alegria espanca as sombras, dá forças e restaura o equilíbrio psíquico.

7°) Recebam com amor a todos os que os procurem, porque a muitos podemos dar alguma coisa de nós mesmos e bom será que os necessitados guardem desses encontros lembranças favoráveis. De tudo o que dermos receberemos de volta, centuplicadamente, bênçãos e graças de eterno valimento.

8°) Nunca suponham os aprendizes serem demasiadas as tarefas recebidas, pois que, se as receberam, é que poderão suportá-las, porque a força do Divino Mestre reside em nós quando agimos em seu nome e também porque Deus, como disse um venerável instrutor, "quando põe sobre nossos ombros uma carga pesada, nos ajuda a sustentá-la com seus próprios braços".

9°) Mesmo em meio às maiores dificuldades, privações e fracassos, a presença dos seres amados traz conforto e estímulo. Assim também deve ser em relação ao Divino Mestre: sabendo que Ele estará sempre com seus discípulos, isso conforta, estimula e traz alegria e paz de espírito.

10°) "Buscai primeiro o reino de Deus e sua Justiça..." Não se deve buscar com ansiedade os bens do mundo, porque são transitórios e efêmeros.
Nos mundos inferiores os homens buscam, em primeiro lugar, as coisas materiais, e só em certas circunstâncias as do espírito. Mas as primeiras são nos dadas por Deus segundo nossas necessidades de momento e conveniências encarnativas, ao passo que às últimas cabe a nós conquistá-las, aperfeiçoando-nos espiritualmente, para a vivência eterna.
"Cuidai das coisas do espírito que das materiais cuidaremos nós" dizem os benfeitores espirituais, duma forma alegórica, para nos advertirem dessas verdades.

11°) "Não importa que choremos de noite — afirma um instrutor espiritual — se as alegrias voltam pela manhã com as luzes deslumbrantes de sol". Essa é a chama da esperança que não morre e o estímulo para a retomada infatigável dos esforços da ascensão para Deus.

12°) Não nos atemorizemos com as dificuldades da vida, pois que elas são de todos os que vivem. Do alto de um morro, donde enxergamos um vasto horizonte, como nos lastimarmos das canseiras da subida? Agradeçamos, isso sim, a visão das metas, para as quais caminhamos, pois que, se as vemos, é porque já estão mais próximas. Igualmente rejubilemo-nos com os sofrimentos do passado, porque através dele é que nos vieram as experiências e a sabedoria que nos trouxeram até aqui onde estamos.

13°) Para os que lutam bastam as preocupações e o peso das horas de cada dia. Se juntarmos a isso preocupações sobre o passado e o futuro não aguentaremos a carga. Por isso mesmo é que Deus cerra aos encarnados a cortina do tempo.

14°) O que se pede a Deus certamente que se recebe desde que seja coisa justa, e nestes mundos inferiores, há muita coisa a pedir para suportar a vida que neles se leva; mas o esforço próprio deve preceder o pedido porque, na vida espiritual, quase tudo deve ser conquistado e não solicitado.

15°) A compreensão do verdadeiro sentido do Evangelho só se obtém com o amadurecimento do Espírito. Com a compreensão surge na alma o ideal do aperfeiçoamento, da espiritualização, e o aprendiz torna-se apto a realizar a reforma íntima com perseverança e sinceridade.

A reforma não é um título que se receba, mas uma transformação que se opera no mais íntimo da alma, visando a libertação dos tormentos, misérias e temores da vida inferior e a ascensão para mundos melhores, mais altos e perfeitos.
Desenvolver esse ideal e criá-lo nas almas que ainda não o possuem, essa é a verdadeira finalidade da Iniciação Espírita. Entender de outra maneira é cometer erro paralisante do movimento ascensional, retardar a evolução de milhares de almas irmãs, para as quais o Divino Condutor mantém abertas as portas do seu Reino; porque foi justamente para isso que semeou no mundo os insuperáveis ensinamentos do seu Evangelho redentor.

Ao encerrar este trabalho convém ainda perguntar:
Perg — Como consolidar a Fraternidade dos Discípulos de Jesus e a Escola de Aprendizes do Evangelho, bases fundamentais da iniciação?
Resp— Conservando e aperfeiçoando, mas não modificando levianamente:

- a) a característica religiosa predominante;
- b) a filiação evangélica operante não somente interpretativa;
- c) a finalidade fundamental redentora do trabalho;
- d) a obrigatoriedade do esforço de reforma;
- e) a formação cuidadosa de expositores e dirigentes que, preferentemente, devem ter passado pelos mesmos graus de acesso;
- f) a multiplicação das escolas nas mesmas bases e finalidades.

Se isso for feito, grandes serão os frutos do trabalho comum e o Brasil virá a ser, realmente, a pátria do Evangelho e a Doutrina dos Espíritos alcançará seus alvos redentores, configurados no binômio: amor e sabedoria.

Edgard Armon