4 - A INICIAÇÃO ESPÍRITA

Essa situação refletia-se no Plano Espiritual ligado à direção do planeta, sobretudo na parte referente ao nosso País, dada sua anterior destinação, como núcleo da futura espiritualização do mundo.

Para impulsionar o movimento doutrinário nesse rumo, realizar esse trabalho de forma objetiva, em caráter iniciático e aberto ao povo em geral, criou-se, então, na Federação, uma Iniciação Espírita em três graus ou estágios sucessivos e complementares, inspirada na situação existente na Palestina ao tempo de Jesus e na Fraternidade Essênia, que foi o elemento espiritualmente organizado que lhe deu franco e decisivo apoio em sua transcendente missão redentora.

A História, mas sobretudo as revelações que têm vindo pelos canais mediúnicos, em nosso País e no estrangeiro, informam detalhes pouco conhecidos dessa jornada inolvidável que culminou com o sacrifício cruento da cruz e do qual o Evangelho emergiu como luz para o futuro do mundo.

Examinando bem as coisas e em humilde analogia, verificamos que nesse tempo, os que se apresentavam a Jesus, sem aspirações bem definidas, eram acolhidos como aprendizes, sem compromissos de trabalho efetivo; permaneciam junto d'Ele ou periodicamente se aproximavam, limitando-se a ver, ouvir, aprender, formando o agrupamento conhecido como "Os quinhentos da Galiléia", grupo esse que se reduziu a setenta e dois quando se configurou e se tornou patente a má vontade do clero judaico.

Aos membros desse grupo reduzido, que demonstravam maior compreensão e fidelidade, Jesus atribuía tarefas menores e fornecia conhecimentos de caráter geral religioso e, em certas ocasiões, permitia que acompanhassem os discípulos mais fiéis em suas andanças pelo país.

Dava-lhes instruções que deixavam clara a necessidade da testemunhação. "Ide e pregai", dizia-lhes, mas acrescentava: "curai os enfermos, consolai os aflitos, afastai os Espíritos malignos, dai testemunho de Mim", indicando-lhes que a propagação não se faz somente com palavras.

Já prestavam, portanto, serviços efetivos, colaborando na propagação das verdades espirituais, como verdadeiros servidores.
Esse grupo, à sua vez, reduziu-se a doze, quando se concretizaram as ameaças do Sinédrio, cujos delegados interferiram nas pregações com interpelações, protestos e outros meios coercitivos.

A estes últimos Jesus consagrou como apóstolos — mensageiros — alterou-lhes os nomes, confiou-lhes conhecimentos mais aprofundados, outorgou-lhes faculdades psíquicas, revelou detalhes mais importantes sobre sua pessoa, sua missão redentora, sua hierarquia espiritual e seu destino, ao término da tarefa, da qual os considerava autênticos porta-vozes Seus.

Os mesmos doze, alguns dos quais ainda vieram a fraquejar nas horas difíceis dos testemunhos, nos momentos dramáticos da prisão e da crucificação.

Os mesmos, vários dos quais, após a retirada do Mestre, permaneceram inativos, desalentados, por mais de dez anos, até que despertassem para as responsabilidades da propagação, como testemunhos vivos, e se lançassem ao trabalho, dispersando-se pelos países vizinhos ou remotos, do mundo então conhecido, e onde, em sua maioria, sofreram e morreram nas tarefas piedosas e dignificantes.

Edgard Armond