6 - APURAÇÃO DE RESULTADOS

Os resultados do esforço da reforma íntima são apurados considerando-se os índices dos diferentes valores registrados nas cadernetas individuais, na seguinte ordem: frequência — testes — trabalhos prestados — exames espirituais — caderneta.


I - Frequência


Como não se trata de ensino teórico que permite consulta a posteriori a livros e apostilas, para recordar e completar ensinamentos recebidos em classe, mas sim de instruções que, na sequência do currículo, nem sempre se repetem, a assiduidade é indispensável, porque também demonstra o interesse, o devotamento do aprendiz ao esforço de melhoria.

Deve-se ainda considerar que a assiduidade permite ao aprendiz colaborar, pari passu, nos trabalhos práticos e em outras atividades escolares, indispensáveis à formação do caráter moral e ao burilamento do psiquismo.


II - Os testes


Em princípio e fim de cada estágio. No primeiro grau visam identificações pessoais: caráter, temperamento, inclinações, defeitos e verificações das primeiras reações aos esforços de eliminações de vícios e hábitos perniciosos.

Teste do primeiro grau:

- Fumava antes?
- Deixou de fumar?
- Bebia?
- Bebe ainda?
- Jogava?
- Joga ainda?
- É maledicente?
- Cultiva companhias inferiores?
- Frequenta esportes?
- Quais?
- É torcedor?
- É casado? Há quanto tempo?
- Vive em paz no seu lar?
- Quantos filhos?
- Profissão?
- É sensual?
- Dá livre expansão aos instintos?


Nota: O termo "sensual" é aqui empregado na sua exata significação de inclinação para os prazeres dos sentidos físicos, não se referindo exclusivamente ao sexo. Idêntica observação se aplica ao termo "instintos". No grau de servidor, no primeiro teste procura-se penetrar mais fundo na estrutura psíquica, nos resultados dos esforços anteriores e, no segundo, avaliam-se as perspectivas do futuro do servidor, como discípulo.


Teste do segundo grau


1°) Quando sofre transtorno ou prejuízos materiais, como reage?

- a) resigna-se?
- b) abate-se?
- c) revolta-se?

2°) Quando é repreendido:

- a) humilha-se?
- b) ofende-se?
- c) justifica-se?

3°) Ante os erros do próximo:

- a) aconselha ou repreende com brandura?
- b) critica ou condena?
- c) não dá importância?

4°) Ante suas misérias:

- a) comove-se ou socorre?
- b) atende displicentemente?
- c) fica indiferente?

5°) Doutrina o próximo e dá-lhe lição de moral:

- a) porque quer ajudá-lo a progredir?
- b) cumpre somente o dever?
- c) gosta de exibir superioridade?



III - Serviços prestados


Como o primeiro estágio não comporta prestação obrigatória de serviços, estes somente são exigidos no estágio de servidor e são realizados segundo as possibilidades de cada um, pois o que se tem em vista é:

- a) o desembaraço da ação do servidor no campo coletivo;
- b) o treinamento de virtudes e sentimentos, como sejam: fraternidade, desprendimento, capacidade de amar ao próximo;
- c) conhecimento de processos de atendimentos materiais e espirituais em vários setores das necessidades humanas e diferentes formas de praticá-los, após a terminação dos cursos, no desempenho de tarefas que lhes couber, como discípulos.

Nota: Esses atendimentos pessoais durante o curso têm prioridade sobre qualquer outra atividade, sendo elementos importantes para a promoção ao quadro de discípulo.


IV - Exame Espiritual


Uma vez por ano, em cada turma e ao final de cada estágio, o aluno é submetido a exames espirituais, que são a apreciação dos instrutores desencarnados, por meios mediúnicos através de médiuns educados e seguros, que se manifestam sobre os resultados do aprendizado, vistos do seu plano, com a profundidade que escapa ao nosso, e principalmente porque se referem à reforma íntima, que se opera nos refolhos do psiquismo. Esses exames servem também para a orientação do aprendiz e transmissão de conselhos, em qualquer período dos cursos, sendo, ainda, importante elemento de julgamento para as inclusões na Fraternidade dos Discípulos de Jesus.

V - A Caderneta


Desde o início das aulas os aprendizes recebem uma caderneta individual, de múltiplas utilidades, como sejam: escrituração das notas escolares exaradas pelos dirigentes; anotações feitas pelo próprio aprendiz sobre tudo quanto ocorra no seu íntimo e que seja útil ao aprendizado, à vivência espiritual, e reverta em benefício próprio, como, por exemplo, transformações morais e psíquicas, eliminação de hábitos e vícios ruinosos, aquisição de virtudes, melhoramentos de conduta, surgimento de faculdades mediúnicas, trabalhos realizados, etc.

A caderneta reúne dados de apreciação pessoal, de resultados dos esforços de reforma e concorre ela à apuração deles e pode conter ou não, indiferentemente, os nomes de seus portadores. Muitos preferem a representação dos nomes por números, para satisfação de escrúpulos pessoais, ou de amor-próprio, convindo, porém, considerar que o que deve interessar a todos é libertarem-se das imperfeições, para que as almas surjam à luz do dia em claridade enobrecedora e não dissimularem seja o que for, porque isso é também esforço e testemunhação.

O que se registra nas cadernetas é examinado, ao fim de cada estágio, pelos dirigentes das turmas ou pelo diretor-geral da Fraternidade, que nelas exaram uma apreciação sucinta e em caráter reservado sobre o resultado do aprendizado e as condições do aproveitamento individual, fornecendo as indicações e os conselhos que forem necessários. A apreciação é dada em caráter impessoal, sem preocupações sobre identidade, para que possa ser feita com isenção e imparcialidade.

O item "caderneta" é o quinto do grupo de valores a considerar no exame global dos esforços individuais desde o início, e nela são considerados: o esmero, os cuidados na confecção, a perfeição das anotações, os resultados alcançados, as perspectivas futuras; é, portanto, importante elemento de julgamento de resultados, que se expressa em uma nota, exarada por último, antecedendo a média geral final de cada estágio.

Edgard Armond