8 - DIRETRIZES

Como é incompatível com a evangelização a posse de vícios, mesmo os chamados "sociais", e defeitos, mesmo os convencionais, os aprendizes devem, logo aos primeiros dias do estágio inicial, organizar um quadro que indique o que deve ser eliminado e o que deve ser conquistado.

Examinarão essas anotações em sua verdadeira significação e profundidade, encarando as inferiodidades frente a frente e sem nenhuma idéia de diminuição pessoal, considerando que todos os homens são imperfeitos, porque essa é a condição natural dos Espíritos que encarnam em mundos inferiores como o nosso; e que há um grande mérito no pôr-se a descoberto e reconhecer honestamente as falhas que se possui; e maior mérito ainda, o lutar por libertar-se delas, espiritualizando-se; e que essa luta justamente representa um valor próprio posto em ação, afirmando as qualidades do lutador e assegurando o êxito visado, ao final do esforço.

Nesse exame o aprendiz assinalará as imperfeições que se julga em condições de eliminar em primeiro lugar, começando, naturalmente, pelas mais simples, menos arraigadas à constituição psíquica ou física e, em consequência, organizará seu plano pessoal para vencê-las ou, no mínimo, reduzi-las.
Aos vícios, por exemplo, combaterá decididamente, porque são simples hábitos e bastará dispor-se a isso para que sejam facilmente eliminados, por processos conhecidos; o mesmo, porém não se dá em relação aos defeitos morais, que exigem às vezes existências inteiras e esforços tenazes para serem eliminados e, mesmo assim, sem garantias completas de êxito definitivo.

Na escala dos vícios começará pelo fumo, que, muito embora seja o mais simples e tolerável, causa prejuízos de vulto ao corpo físico, pelo qual o Espírito encarnado é responsável direto. Nos defeitos, começará pela má conduta em relação aos semelhantes: os maus modos, a agressividade no falar e no agir, a rigidez no trato, as maneiras rudes, desabridas, a intemperança, a negligência, a impontualidade, o desprezo aos deveres da vida comum.

Evitará as más companhias, as aproximações desmoralizantes, sobretudo com o sexo oposto, os costumes licenciosos e inúmeras outras falhas conhecidas e reprováveis. Executará esse esforço como um treinamento importante que levará seguramente aos resultados desejados, em tempo que dependa da perseverança e do rigor empregados. Não dará tréguas às acomodações, às voltas atrás, ao hábito comum de protelar e deixar para amanhã, na ilusão de que as coisas venham ao seu encontro gratuitamente, fugindo assim às responsabilidades da ação pessoal deliberada e imprescindível; e assim prosseguirá na rota traçada sem se deter ou olhar para, trás, a não ser quando for necessário balancear os resultados.

Para mudar a conduta exercitará a brandura, a delicadeza no trato, a paciência no ouvir, a moderação no falar somente o necessário e de forma clara e sincera. Reprimir os impulsos instintivos, as exibições de força, os revides, mesmo em relação a opositores e desafetos e acostumar-se com os contatos de qualquer espécie, com seres das mais variadas condições e estados evolutivos, considerando que todos somos irmãos, todos vivem, lutam e sofrem os mesmos quinhões de provas reabilitadoras, lembrando-se que, como aprendiz do Evangelho, já não pode mais proceder como a maioria dos homens.

Para os defeitos mais graves (o orgulho, por exemplo — em seus inúmeros aspectos: presunção, amor-próprio, sentimento de separatividade, vaidade, ostentação de riqueza e de poderes; o egoísmo, nas suas formas conhecidas: avareza, apego excessivo aos bens materiais, insensibilidade ao sofrimento alheio, frieza íntima e outros) deve o aprendiz desentocá-los das profundezas da alma e aplicar-lhes o antídoto da conduta oposta: para o orgulho, a humildade, discreta e firme, sem subserviência ou ostentação ridícula; para o egoísmo, a liberalidade no pensar e no agir, no dar-se e no servir, sem preocupações de pessoas e em tudo o quanto for possível, preservado sempre, entretanto, o equilíbrio do bom-senso e da prudência.

Essas anotações devem ser revistas no mínimo de seis em seis meses, tomando nota dos resultados obtidos e voltando à carga para as complementações aconselháveis; e tudo isso executado de dentro para fora, por vontade própria, sem alardes ou exibições, certo o aprendiz de que toda vez que conseguir eliminar um defeito estará, por isso mesmo, adquirindo a virtude oposta correspondente.

Em todos os casos, o esforço aumentará seu poder de vontade, de decisão, de realizações positivas, de capacidade de receber e cumprir tarefas, de assumir responsabilidades e inspirar confiança aos instrutores espirituais, que não perdem de vista e sustentam, de todas as formas possíveis, as tentativas de melhoria.

E em nenhuma hipótese o aprendiz estará agindo sob influência coercitiva, sugestões ou temores, provindos do exterior, pois a Escola não lhe exige algo que não queira ou não possa fazer, forçando seu livre-arbítrio; e tudo quanto ela solicita é necessário e útil ao seu progresso espiritual, para o qual, livre e espontaneamente, ingressou em seus quadros.

Edgard Armond