A exposição de Festo ao Rei Agripa

E passados alguns dias, o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesaréia, para saudar a Festo. Como se demorassem ali muitos dias, Festo expôs ao rei o caso de Paulo, dizendo:

Félix deixou aqui um homem preso, a respeito do qual, quando estive em Jerusalém, os principais sacerdotes e os anciãos dos judeus deram-me informações, pedindo-me que o condenasse; aos quais respondi que não é costume dos romanos condenar homem algum antes de o acusado ter presentes os acusadores, e ter tido oportunidade de se defender do que lhe é imputado. Portanto, tendo-se eles reunido aqui, sem me demorar; no dia seguinte sentei-me no tribunal e mandei trazer o homem; e, levantando-se os acusadores, não apresentaram contra ele alguma acusação dos crimes que eu supunha, mas tinham com ele certas questões sobre a sua religião, e sobre um Jesus defunto, que Paulo afirmava estar vivo. E eu, perplexo, quanto ao modo de investigar estas coisas, perguntei-lhe se queria ir a Jerusalém e ser ali julgado sobre estas questões. Mas havendo Paulo apelado, para que o reservassem ao julgamento do imperador, mandei que fosse detido até que eu o enviasse a César. Disse Agripa a Festo: Eu também desejava ouvir esse homem. Amanhã, respondeu ele, o ouvirás. - Cap. XXV, v. v. 13-22.

O rei Agripa deliberou fazer uma viagem de recreio a Cesaréia, onde se demorou vários dias. Foi justamente quando o novo governador daquela importante cidade, Pórcio Festo, em conversa com o rei, expôs o caso de Paulo, o perseguido dos sacerdotes e dos principais anciãos, mas em quem Festo não via crime algum, mas somente havia contra ele queixas originadas por questões religiosas, a respeito de um Jesus defunto que Paulo afirmava estar vivo.

Paulo viu a Jesus depois dos judeus O haverem crucificado e matado; e eles achavam que isso era impossível. Para essa gente a morte era a destruição de tudo, mas para Paulo assim não era, pois tinha não só o testemunho pessoal de que Jesus vivia, como também o testemunho alheio que corroborava o seu testemunho.

Em todos os seus discursos ele repetia sempre o que escreveu aos Coríntios, na sua Epístola, Cap. XV, vv. 3-8.

"Porque vos entreguei primeiro o que recebi, que Cristo morreu por nossos pecados segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou no Terceiro dia, segundo as Escrituras; e que apareceu a Cefas e então aos doze; depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez; depois apareceu a Tiago, e então a todos os Apóstolos; e, por último de todos, como por um abortivo, apareceu também a mim".

Na sua Epístola aos Romanos, cap. XI, v. 16 - tratando da rejeição de Israel, e dirigindo-se aos gentios, ele acha que a admissão dos Israelitas não se pode efetuar, negando-se a "Vida dentre os mortos".

Enfim, o rei Agripa, respondendo a Festo, manifestou o desejo que alimentava de ouvir a sua palavra. Festo prometeu ao rei satisfazer a sua curiosidade, e mesmo no dia seguinte, tal como diz a narrativa de Lucas, nos Atos, Cap. XXV; vv. 23-27.

Vindo Agripa e Berenice, com grande pompa e, depois de entrarem em audiência com os tribunos e homens principais da cidade, foi Paulo ali trazido por ordem de Festo. Então disse Festo: "Rei Agripa e todos vós que estais presentes conosco, vedes este homem, por causa de quem toda a comunidade dos judeus recorreu a mim, tanto em Jerusalém como aqui, clamando que não convinha que ele vivesse mais.

Porém, eu achei que ele nada havia praticado que merecesse a morte, mas tendo ele apelado para o imperador, determinei remeter-lho. Do qual nada tenho de positivo que escreva ao soberano; pelo que vo-lo tenho apresentado a vós e mormente a ti, ó rei Agripa, para que, depois de feito o interrogatório, tenha eu alguma coisa que escrever; porque não me parece razoável remeter um preso, sem mencionar também as acusações que há contra ele".

Festo, pelo que se vê, quis guardar uma certa compostura, embora tivesse desejo de agradar e servir aos judeus. Talvez os Espíritos, que auxiliavam a Paulo, não permitiram que palavras más fossem assacadas contra o Apóstolo, naquele tribunal.

E como vamos ver adiante, foi concedida a palavra ao doutor dos gentios para apresentar a sua exposição.

Cairbar Schutel