A impotência do Sinédrio Pedro e João soltos

E ao verem a intrepidez de Pedro e João, e tendo notado que eram iletrados e indoutos, maravilharam-se; e reconheciam que haviam eles estado com Jesus; vendo com eles o homem que era fora curado, nada tinham que dizer em contrário. Mandaram-nos sair do Sinédrio, e consultavam entre si dizendo: Que faremos a esses homens? Pois na verdade é manifesto a todos os que habitam em Jerusalém que um milagre notório foi feito por eles, e não o podemos negar, mas para que não se divulgue mais entre o povo, ameacemo-los que de ora em diante não falem nesse Nome a homem algum. E chamando-os ordenaram-lhes que absolutamente não falassem nem ensinassem em nome de Jesus. Mas Pedro e João responderam-lhes: Se é justo diante de Deus ouvir-vos a vós, antes do que a Deus, julgai-o vós, pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos. E depois de os ameaçarem ainda mais, soltaram-nos, não achando motivo para os castigar por causa do povo, porque todos glorificavam a Deus pelo que acontecera; pois tinha mais de quarenta anos o homem em que se operara essa cura milagrosa. - 4: 13-22.

Por mais ardis que os sacerdotes lançassem contra os dois Apóstolos, não lhes foi possível manter aqueles homens na prisão. Eles mesmos reconheceram os poderes dos Apóstolos manifestados publicamente no Sinédrio, por Pedro e João. Diziam abertamente que eles haviam feito "um grande milagre".

Mas não lhes convinha absolutamente que a glória de Deus fosse proclamada com a manifestação de maravilhas que seus Apóstolos tinham o poder de operar.

Se eles se curvassem, se eles se submetessem à Voz dos Apóstolos, teriam que renunciar ao mando, às primazias, aos primeiros lugares, ao braço de César e se aniquilariam, não seriam mais sacerdotes, e seu egoísmo e orgulho não lhes permitiam tal renúncia.

A ambição de mando, a submissão ao dinheiro, o desejo de figurar constituem e têm constituído, em todos os tempos, o apanágio do sacerdotalismo.

Não os podendo manter em prisão, pois seria bem fácil que, se isso acontecesse, houvesse uma rebelião do povo, não tiveram remédio senão soltá-los. Mas ainda assim só o fizeram após grandes ameaças e promessas macabras caso eles "falassem ou ensinassem em nome de Jesus;".

Mas os Apóstolos retorquiram imediatamente que não podiam submeter-se às ordens deles, em detrimento às ordens de Deus. Que eles mesmos julgassem a questão: se era possível obedecer a eles ou a Deus.

Libertos da prisão, eles receberam grande manifestação de regozijo do povo e ergueram ao Senhor fervorosa prece de graças por tê-los livrado de inimigos tão tigrinos, restituindo-os no trabalho do Apostolado, sãos e salvos, e ainda com mais fé e mais vigor do que antes.

A bela oração, digna de ser lida, está no mesmo capítulo em que nos detemos, v. v. 23-31.

Diz Lucas que, terminada a prece, tremeu o lugar onde eles estavam reunidos, o Espírito se manifestou novamente entre todos e com liberdade eles falavam a palavra de Deus.

Um trecho de dita oração é verdadeiramente edificante. "Senhor! Olha para as ameaças dos nossos inimigos, e concede a teus servos, que com toda a liberdade falem a tua palavra enquanto tu estendes a mão para curar, e para que se façam milagres e prodígios pelo nome do teu santo servo Jesus".

Cairbar Schutel