O procônsul Sérgio Paulo - Elimas, o falso profeta

Havendo atravessado toda a ilha até Pafos, acharam um Judeu chamado Bar Jesus, mago, falso profeta, que estava com o procônsul Sérgio Paulo, varão sensato. Este tendo chamado a Barnabé e a Saulo, mostrou desejo de ouvir a palavra de Deus. Mas Elimas, o mago (porque assim se interpreta o seu nome) opunha-se-lhes, procurando desviar da fé o procônsul. Mas Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito de Deus, fixando nele os olhos, disse: Ó filho do Diabo, cheio de todo o engano e toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás tu de perverter os caminhos retos do Senhor? Agora, eis a mão do Senhor sobre ti, e ficarás cego, não vendo o Sol por algum tempo. No mesmo instante saiu sobre ele uma névoa e trevas e, andando à roda, procurava quem o guiasse pela mão. Então, o procônsul vendo que havia acontecido, creu, maravilhando-se da doutrina do Senhor. - Cap. XIII, v. v. 6 - 12.

Os falsos profetas, desde os tempos do Cristianismo, se achavam espalhados por toda a parte.

João Evangelista, em sua 1ª Epístola, Cap. 4, recomendava naquele tempo: "Não creiais a todo o espírito, mas provai os Espfritos, se vêm eles de Deus; porque muitos falsos profetas têm aparecido no mundo".

Neste capítulo dos Atos, vemos Paulo em luta com um falso profeta, que servia de barreira para que o procônsul Sérgio Paulo recebesse o Evangelho.

Em todos os tempos tem havido falsos médiuns, como há até agora entre nós. É preciso que nos acautelemos contra esses "magos" de fancaria, que torcem o sentido da doutrina e procuram locupletar-se com as coisas santas, sem se incomodarem com o prejuízo espiritual que dão a seus irmãos.

Elimas sofreu uma merecida corrigenda, um castigo que, sem dúvida, deveria concorrer para sua regeneração futura.

Saulo, cego pela descarga fluídica que recebeu na Estrada de Damasco, recebeu depois a Palavra de Jesus e as ordenações que lhe foram dadas, como novo Apóstolo do Cristianismo. O mesmo deveria ter acontecido, quiçá, com Elimas?

Não o sabemos, porque muito diferente era a natureza de Saulo da de Elimas. Aquele era um homem de caráter, sincero, leal, e se estava no erro, errava convencido de que acertava. Por isso Jesus conhecendo a sua têmpera e a sua honradez, o escolheu como vaso primoroso para levar a fé aos gentios. Elimas não; está se vendo que era um indivíduo interesseiro, de má-fé e sem caráter.

Seja como for, a ação potente do Espírito se fez sentir e o mistificador não pôde mais embaraçar o caminho da verdade.

O Evangelista diz que caiu sobre os olhos de Elimas uma névoa e trevas, querendo significar os fluidos expendidos por ação magnética que naturalmente paralisaram a visão do mago.

Este fenômeno concorreu muito para a conversão do procônsul que logo após recebeu o complemento da Doutrina que o havia de salvar.

Cairbar Schutel