Os Apóstolos Marcos e Barnabé

Quem será o Apóstolo Marcos? Para nós é uma grande personalidade, uma figura saliente no Cristianismo; saliente e humilde, humilde e cheio de energia, de poder e de vontade.

Nos Evangelhos nada poderemos recolher de Marcos, a não ser o Evangelho de sua autoria. Sua genealogia é desconhecida! Parece um desses indivíduos que, ligados estreitamente às coisas do Céu, timbram em se mostrar sem títulos, sem estirpe e até sem nome, ou com um nome que lhe é peculiar, mas que não é o nome dado por sua família.

Ele quer ser um anônimo, um desconhecido, mas que somente seja conhecido por suas obras, para que não lhe pertença a verdadeira honra e glória, mas sim ao seu e nosso Mestre Jesus.

Os livros sagrados, as enciclopédias, tratam Marcos como um indivíduo quase desconhecido e, entretanto, até hoje as suas Mensagens espíritas repercutem aos quatro cantos do globo, como clarins a anunciar a alvorada do grande Dia do Senhor.

Não será Marcos aquele João Marcos a quem se referem os Atos dos Apóstolos e as Epístolas de Paulo?

O nome Marcos aparece nos Atos como sendo um judeu de Jerusalém, chamado João, que tinha adotado o sobrenome romano, Marcos. Na primeira menção que dele se faz, vem o seu nome em relação com o de Pedro, quando este, ao lhe serem abertas as portas do cárcere, pelo anjo, "foi à casa de Maria, mãe de João, que tinha por sobrenome Marcos, onde muitas pessoas estavam congregadas e oravam" (Atos, Cap. XII, v. 12).

Interessante ainda é que essa casa foi, quando vivo o pai de Marcos, aquela em que se celebrou a Ceia do Senhor, sendo também o pai de Marcos o proprietário do jardim de Getsêmani. Não seria Marcos o tal moço narrado no Evangelho de Marcos, que seguia a Jesus, coberto unicamente com um lençol, e o agarraram, mas ele, largando o lençol, fugiu nu?" (Cap. XIV, v. v. 51-52).

Nós cremos que sim.

Marcos trabalhou muito, após a difusão do Espírito no Cenáculo.

Quando Barnabé e Paulo voltaram de Jerusalém a Antióquia, depois de haverem cumprido sua missão de portadores de socorros aos que se achavam famintos, Marcos os acompanhou (Atos, Cap. XII, v. 25) ficando depois como auxiliar deles. Em Perga ele deixou Paulo e Barnabé e seguiu para Jerusalém, onde, provavelmente, tinha celtas obrigações de sua casa a cumprir.

Noutra viagem, ele fez companhia a Barnabé, navegou para Chipre, donde este era natural (Cap. XV, vv. 36-40). Pensa-se que Marcos exerceu o seu ministério no Egito, tendo fundado em Alexandria o primeiro núcleo cristão.

Pelas Epístolas de Paulo, vê-se que Marcos foi um grande.

Quando Paulo, da sua prisão em Roma, expediu epístolas aos Colossenses e a Filemon, lembra que Marcos é o seu companheiro. Paulo diz que somente três judeus em Roma lhe eram fiéis, sendo Marcos um deles, não mais como ajudante, mas como cooperador do Evangelho.

Na carta dirigida a Timóteo, Paulo diz que Marcos é seu leal companheiro.

Enfim, Marcos cooperou também com Pedro no trabalho espiritual. Muitos escritores chamam a Marcos, o intérprete de Pedro.

Eis em ligeiras notas o que podemos colher do ilustre Evangelista.

Barnabé, como Marcos, não foi um dos Doze; entretanto, a sua grande atividade, após a ressurreição de Jesus, fez com que fosse contado no número dos Apóstolos.

Ele era da tribo de Levi, e a sua família, que era oriunda de Chipre, possuía muitos bens. Ele era letrado, estudou em Jerusalém com Gamaliel; foi só depois de haver abraçado e ter entrado no trabalho do Evangelho, que recebeu o nome de Barnabé, que quer dizer - filho da consolação. Assim como Marcos, ele tem o emblema do leão. O nome primitivo de Barnabé era José. Era um homem simples e bom. Quando abraçou o Cristianismo, vendeu seus bens e entregou o produto aos apóstolos. Foi ele que apresentou Paulo a Pedro e a Tiago Menor.

Barnabé esteve em Antióquia, depois em Tarso quando Paulo lá estava; acompanhou o doutor dos gentios na viagem à ilha de Chipre e a Liacônia e quando andava com Paulo tinha a humildade de, por ocasião das prédicas, dar preferência sempre à palavra de Paulo.

É para lembrar o caso de Listre, em que os convertidos ovacionavam a Paulo e a Barnabé como sendo Mercúrio e JÚpiter.

Foi, como os demais apóstolos. um grande obreiro.

Cairbar Schutel