Os judeus exorcistas
Os filhos de Ceva

Alguns judeus exorcistas ambulantes tentaram invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que estavam possessos de espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega. E os que faziam isto eram sete filhos de um judeu chamado Ceva, um dos principais sacerdotes. Mas o espírito maligno respondeu-lhes: Conheço a Jesus, e sei quem é Paulo, mas vós quem sois? O homem, no qual estava o espírito maligno, saltando sobre eles, apoderou-se de dois e prevaleceu contra eles, de tal modo que, nus e feridos, fugiram daquela casa. E isto tornou-se conhecido de todos os judeus e gregos, que moravam em Éfeso e veio o temor sobre todos e o nome do Senhor Jesus era engrandecido; e muitos dos que haviam crido, vinham confessando e declarando os seus atos. Muitos também que tinham exercido artes mágicas ajuntaram os seus livros e queimaram-nos na presença de todos; e calculando o seu valor, acharam que montava a cinqüenta mil dracmas de prata. Assim crescia e prevalecia em poder a palavra do Senhor. - Cap. XIX, V. V. 13-20.

As esconjurações aos Espíritos malignos vêm de tempos imemoriais.

Vários eram os meios empregados para que se conseguisse o fim almejado. Ora aplicavam "processos mágicos", como sói acontecer ainda hoje, ora ditavam diante do obsediado orações mais ou menos esdrúxulas e ininteligíveis.

Ainda hoje a igreja romana se utiliza do crucifixo, dos rosários, da água benta e da oração para expelir os demônios (espíritos maus). No ritual existe um capítulo especial sobre os energúmenos ou possessos, que instrui o padre a esse respeito.

Mesmo no tempo de Jesus, segundo narra Lucas, havia muitos indivíduos que se entregavam a esse mister, aplicando meios que lhes pareciam eficientes e experimentando novas fórmulas que julgavam proveitosas. No cap. XI, V. v. 49-50, lê-se que João disse: "Mestre, vimos um homem expelir demônios em Teu nome e lho proibimos, porque não Te segue conosco", ao que Jesus lhe respondeu: "Não lho proibais, pois quem não é contra vós é por vós".

Correndo a fama em toda a Judéia que sob as ordens de Jesus, os espíritos malignos eram expelidos, diversos exorcistas começaram a se utilizar do nome do Senhor chegando mesmo a obter sucesso.

O mesmo aconteceu quando Paulo predicava. Os filhos de Ceva, que eram exorcistas ambulantes, naturalmente viviam disso, vendo as maravilhas operadas pelo doutor dos gentios, que em todos os seus discursos e atos nunca se esqueceu do nome de Jesus, deliberaram também aplicar um novo processo de cura, invocando o nome de Jesus sobre os que estavam possessos de espíritos.

Mas como não basta ter Jesus nos lábios, para que o resultado nesse como em outros casos seja satisfatório, é preciso também tê-Lo no coração, os moços de Ceva saíram-se mal com a experiência, a Espírito maligno, embora reconhecendo em Jesus e em Paulo autoridade para o que quer que fosse, não reconheceu neles o poder para se utilizarem desses nomes no exercício de sua tarefa de exorcistas. E o resultado foi desautorá-los investindo contra eles fisicamente e maltratando-os.

O dom espiritual de curar, para produzir resultado satisfatório, precisa estar aliado ao desinteresse e à humildade, e estas virtudes no seu mais alto grau só podemos conquistá-las aliando-nos de coração, de entendimento, de alma, e com todas as nossas forças a Jesus Cristo.

Nesta passagem dos Atos se aprende mais que, como disse Jesus, nada vale dizer - "Senhor, Senhor!" É preciso que, de fato, estejamos aliados ao Senhor, guardando unidade de espírito pelo amor, que é o vínculo da perfeição.

Cairbar Schutel