Paulo em Éfeso -
Recepção do Espírito

Já dissemos e não cansamos de repetir, para que fique bem esclarecido: "O Espírito Santo não foi dado unicamente aos Apóstolos no Cenáculo, no dia de Pentecoste". Inúmeros foram, nos primeiros tempos do Cristianismo, os crentes que receberam os Espíritos e transmitiram as Suas mensagens.

É vezo das Igrejas de Roma e da Protestante, quando fazemos referência sobre a "Vinda do Consolador - o Espírito de Verdade", que compõe a falange inumerável de Espíritos puros e purificados, que assumiram o Governo Espiritual do mundo e nos transmitem seus Ensinos, é vezo desses homens dizerem que o Espírito Santo baixou só no dia de Pentecoste sobre os Apóstolos.

Pelas narrativas feitas até aqui, vemos que foram inúmeros os crentes que receberam os Espíritos. Eles nunca cessaram e nem cessarão a sua ação em todo o mundo, pois, a promessa de Joel, segundo afirma Pedro, pertence a todos: "filhos e filhas, mancebos, anciões, servos e servas, todos os que ainda estão longe (os que naquele tempo não haviam nascido) e a todos os que Deus chamar" (Atos, Cap. II, v. v.. 17-18-39).

Dentre os Apóstolos, alguns deles, como Pedro e Paulo, tinham o poder de desenvolver as mediunidades nos prosélitos, para que eles pudessem receber o Espírito.

No cap. XIX, v. v. 1-7 dos Atos, vemos a confirmação desta proposição:

"Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo atravessado as regiões mais altas, foi a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, perguntou-lhes: Recebestes o Espírito Santo, quando crestes? Responderam-lhe eles: Não, nem sequer ouvimos falar que o Espírito Santo é dado ou que há Espirito Santo. Que batismo, pois, recebestes? Perguntou ele. Responderam eles: O batismo de João. Paulo, porém, disse:

Joao batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus. Eles, tendo ouvido isto foram batizados em nome do Senhor Jesus. Havendo-lhes Paulo imposto as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo, e falavam em diversas línguas e profetizavam. Eram todos cerca de doze homens".

Vê-se claramente que a Doutrina que os Apóstolos pregavam e pela qual viviam, era muito diferente dessas religiões que se têm imposto pela falsidade e pela violência, enganando os homens e extorquindo-lhes o seu direito de pensar, de estudar, de compreender.

A Doutrina de Jesus, que está sob a direção dos Espíritos Superiores, é absolutamente oposta a esses batismos exóticos dados aos recém-nascidos para lhes subjugar a razão e lhes proibir de receber, no futuro, a verdadeira crença.

O homem de boa vontade, que teme a Deus e quer encontrar a Verdade, não deve continuar a se deixar iludir pelos falsários que substituíram a verdadeira fé por uma fé incompreensível, esdrúxula, que não dá razão de coisa alguma e que é imposta pela força.

Os tempos chegaram e a crise avassaladora por que passamos é um sinal característico de que essas religiões não podem permanecer. A aliança do sacerdotalismo com a política, a sua intromissão no estado de guerra, quando o preceito do decálogo é -"não matarás" -, o seu apego às coisas do mundo, a sua fome sagrada de dinheiro (aura sacra fames), são os pródromos significativos do seu próximo desaparecimento, o prognóstico claro de sua morte próxima.

Onde se viu nas igrejas, tenham elas o nome que tiverem, o Espírito Santo? Onde se viu seus sacerdotes, já não dizemos imporem as mãos como fez Paulo e fazerem seus crentes receber o Espírito, mas eles próprios receberem o Espírito, falarem várias línguas, profetizarem, erguerem paralíticos e endireitarem coxos?

Onde se viu sacerdotes com ofício, por exemplo, fazendo tendas de campanha, como Paulo?

Temos visto muitos donos de fazendas, de grandes negócios e até capitalistas, com o dinheiro extorquido aos ignorantes, produtos de batizados, de casamentos, de missas, de festas e de outros negócios "religiosos" que enchem os templos de vendilhões, mas nenhum que exerça um ofício ou uma arte que lhes dê o pão à custa do suor do rosto.

Perdoem-nos os que se acharem filiados a essas igrejas, mas o nosso intuito é de esclarecer os homens que desejam aproximar-se de Deus e se arregimentar sob os auspícios de Jesus para a conquista da Vida Eterna.

Fazemos questão muito cerrada de demonstrar que o sacerdotalismo, absolutamente, não representa o Apostolado, e até constitui a antítese do mesmo.

A obra do Apóstolo é uma obra santa, profícua, cheia de sabedoria e de virtudes, ao passo que a do sacerdote é uma obra destruidora, de ignorância, de vícios, antimoral que infelicita os povos e abate as nações.

Cairbar Schutel