Poder e humildade dos Apóstolos

Em Listra estava sentado um homem aleijado dos pés, coxo desde o seu nascimento, e que nunca tinha andado. Ele ouvia falar Paulo, e este, fitando os olhos nele e vendo que tinha fé de que seria curado, disse em alta voz: Levanta-te direito sobre os teus pés. E ele saltou e andava.

A multidão, vendo o que Paulo fizera, levantou a voz em língua licaônica, dizendo: Os deuses em forma humana desceram a nós, e chamavam a Barnabé, Júpiter e a Paulo, Mercúrio, porque era este quem dirigia a palavra. O sacerdote de Júpiter, que estava em frente da cidade, trouxe para as portas touros e grinaldas e queria sacrificar com a multidão. Mas os Apóstolos Barnabé e Paulo, quando ouviram isto,. rasgaram os seus vestidos e saltaram para o meio da multidão clamando: Senhores, por que fazeis isto? Nós também. somos homens da mesma natureza que vós e vos anunciamos o Evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o Céu e a Terra, o Mar e tudo o que neles há; o qual nos tempos passados permitiu que todas as nações andassem nos seus próprios caminhos; e contudo não deixou de dar testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do Céu chuvas e estações frutíferas, enchendo-vos de mantimentos e os vossos corações de alegria. Dizendo isto, com dificuldade impediram a multidão de lhes oferecer sacrifícios. -. Cap. XIV, V. V. 8 - 18.

A cura do coxo de Listra foi efetuada pelo mesmo processo que a cura do coxo do templo da porta Formosa, efetuada por Pedro.

Paulo possuía também, como Pedro, o grande dom de curar os doentes. Era, como dissemos, um dos sinais que envolviam os Apóstolos. A fé contribui muito para o sucesso dessas curas. Jesus dizia aos que lhe pediam o restabelecimento da saúde: "Se tiveres fé, tudo é possível".

Sem dúvida, esse fenômeno, como todos os demais catalogados nos Evangelhos e que o Espiritismo reproduz, produzem grande sensação.

Foi o que aconteceu em Listra. Admirados do fato surpreendente que acabavam de observar, não só o curado, como todos os que presenciaram o fato, julgaram, de acordo com suas idéias primitivas, que Paulo e Barnabé eram deuses baixados à terra.

Submissos ao politeísmo, sem noção da verdadeira religião que ensina aos homens todas as coisas, estavam eles já prontos para oferecer a "esses deuses", touros e grinaldas, como era de seu costume, mas os Apóstolos, compenetrados de seus deveres e fiéis à missão que desempenhavam, repudiaram imediatamente as ofertas, os holocaustos e as ovações, fazendo-lhes ver que Deus não permite essas coisas, pois, sendo Ele o dono de tudo, não compete a nós oferecer-lhe dádivas nem sacrifícios.

O sinal do apostolado é o desinteresse e a humildade, e estes Apóstolos deviam fazê-lo realçar para que a doutrina que pregavam fosse aceita em seus princípios constitutivos, a fim de verdadeiramente poder salvar as almas.

Observe com atenção o internauta a vida dos Apóstolos, os seus atos, a sua pregação e digam com a mão na consciência, se os sacerdotes atuais imitam, porventura, algum dos feitos desses grandes instrutores da humanidade.

Eles davam e não recebiam, eram perseguidos e não perseguiam; todas as suas palavras, todos os seus atos eram outros tantos louvores ao Deus vivo, que fez a Terra, o Céu, o Mar e tudo o que neles há.

Repeliam as glórias, repudiavam os louvores, execravam o maldito ouro que tanto escraviza os sacerdotes do nosso tempo, e sofriam injustas perseguições, louvando sempre ao Senhor e dando bom testemunho que, de. fato, eram cristãos.

Eles eram cheios de poder, porque eram humildes e verdadeiros; por isso o Espírito seguia seus passos provendo-os de tudo o que necessitavam.

Cairbar Schutel