CASOS CONTROVERTIDOS DO EVANGELHO

Invariavelmente, todas as religiões procuram interpretar determinados ensinamentos exarados nos Evangelhos, fazendo-o a seu modo, com o objetivo de outorgar autencidade aos seus dogmas, aos seus postulados, ou de servir aos seus interesses mais imediatos.

Dentre os temas que permanecem obscuros nos Evangelhos destacam-se a chamada TRINDADE, a existência do ESPÍRITO SANTO, a chamada RESSURREIÇÃO DOS MORTOS, a consagração da IDOLATRIA, as APARIÇÕES DE JESUS após a sua morte (com o corpo perecível), o BATISMO DA ÁGUA, a CIRCUNCISÃO, a decantada DESCIDA DE JESUS aos Infernos, a existência do PURGATÓRIO, do CÉU e do INFERNO como lugares geograficamente localizados e circunscritos, a existência de DEMÔNIOS criados para viverem eternamente devotados à prática do mal, as PENAS ETERNAS, o PECADO ORIGINAL, a chamada SALVAÇÃO pela GRAÇA, a existência de ANJOS já criados perfeitos, o PECADO IRREMISSÍVEL, além de alguns outros.

Quando, por exemplo Jesus Cristo discorreu sobre a chamada Ressurreição, não pretendeu falar sobre a ressurreição dos mortos ou ressurreição da carne.

Ele se referiu ao ressurgimento do Espírito (sem o corpo perecível), para desfrutar da vida eterna no seio de Deus, representando isso não a estagnação, o marasmo, a inércia, mas o desempenho de uma ação constante no sentido de executar a soberana vontade do Pai Celestial num Universo incomensurável e harmonioso, uma ação que requer trabalho, alegria, amor, dedicação e vibração pois Deus não é Deus dos mortos, mas daqueles que vivem a verdadeira vida, nas noites da Eternidade.

Além disso, é notório que muitos dos ensinamentos do Cristo sofreram o impacto das adulterações, das desfigurações no decurso dos séculos, introduzindo-se-lhes conceitos distanciados da Verdade, em flagrante atentado à sentença proferida por Jesus: "Conhecei a Verdade e ela vos libertará".

Muitos pontos evangélicos se tornaram obscuros e controvertidos, não por terem sido emanados de uma fonte de água turva e duvidosa, mas porque os homens lhes introduziram agregados estranhos, vestindo-os com roupagem diferente, nada condizente com os ninfos preceitos emanados do generoso coração de Jesus.

As excrescências introduzidas nos Evangelhos jamais coadunam com os ensinamentos que foram legados à Humanidade, há cerca de vinte séculos, e para cuja revelação o Cristo de Deus sofreu agruras e dores indescritíveis, tanto de natureza física como de fundo moral e espiritual.

Respeitamos todas as escolas religiosas da Terra, pois não desconhecemos a parcela de responsabilidade que lhes é acometida no sentido de aproximar, cada vez mais, as criaturas do Criador.

Não desconhecemos, também, o esforço que elas despendem no sentido de combater o materialismo e comprovar imortalidade da alma.

Esta obra "Casos Controvertidos do Evangelho" tem por escopo procurar legar aos seus leitores uma interpretação desses temas à luz do Espiritismo, pois, sendo antidogmática, a Doutrina dos Espíritos é a que melhor pode proceder a uma análise mais acurada dos referidos temas, procurando, assim, ajustá-los, de forma mais precisa, ao pensamento do Meigo Rabi da Galiléia.

Representando o cumprimento, do Consolador, o Espiritismo é a religião que tem a incumbência de apresentar os preceitos evangélicos o mais próximo possível da sua verdadeira essência, com uma roupagem nova, mais condizente com o aspecto com que foram revelados pelo Mestre.

Há necessidade urgente de abandonar os atalhos e retomar o caminho certo e seguro. Os atalhos são, evidentemente, as inconcebíveis facilidades que algumas religiões prometem aos seus profitentes, tais como a confissão auricular para a remissão dos pecados, a extrema-unção, o batismo de água para apagar os pecados, a conquista do reino dos céus sem esforços, sem luta, bastando, para isso, assentar-se nos bancos das religiões ou fazer vultosos legados do bem materiais e transitórios.

A concessão desses fáceis benefícios dá uma falsa idéia da reta Justiça Divina, fazendo com que os homens persistam no caminho dúbio do pecado, das transgressões, do crime, animados do falso conceito de que uma absolvição "IN EXTREMIS" garantirá o pronto acesso ao reino de Deus.

Paulo A. Godoy

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