COMO ABORRECEREI

"Quem ama a sua vida, perde-la-á: mas quem aborrece a sua vida
neste mundo, conserva-la-á para a vida eterna." - (João, 12:25)

- Se a vida no corpo físico é oportunidade bendita que devo valorizar, conservando-a e aproveitando-a em todas as facetas de trabalho e elevação que ela me oferece, como a aborrecerei para a conservar para a vida eterna?

- Nos graus de imperfeição, de virtude ou de sentimento que ainda predominam em nossos espíritos, conservamos as linhas de vida que podemos chamar nossa, por a termos escolhido, guardado e conservado por milênios incontáveis.

Nos sentimentos rudimentares e animalizados em que se compraz a maioria dos espíritos encarnados devido à própria incapacidade de auto-transformação e superação, encontramos ainda, as diretivas ditas normais, da vida intelectual e sentimental da sociedade humana.

Mas tudo e todos caminham, inevitavelmente, para a destinação do progresso e da luz que nos reserva o divino amor do Pai Eterno.

E assim como a semente, aborrecendo a própria vida, entrega-se à escuridão da cova na terra, a fim de que o esto de vida nela entesourado possa se eternizar em nova planta;

- e assim como a flor perfumosa e linda aborrece a própria vida deixando-se macerar e transformar em essência rara e preciosa a fim de que, na beleza perecível de suas pétalas, não cesse a existência do perfume divino,

- também, o espírito encarnado, conhecendo já as riquezas e os justos valores das oportunidades que a vida no corpo lhe propicia e integrando-se na compreensão da transitoriedade das formas de manifestação da matéria, deverá aborrecer a vida que guarda como sua no recesso de si próprio a fim de que na transformação de sentimentos, na disciplina de hábitos e tendências, na conquista de conhecimentos valiosos, na renúncia de caprichos pessoais, encontre a eternização dos princípios de elevação a que aspiram as almas votadas à vida mais elevada.

Ottília (Espírito)