COMO NÃO DESPREZAREI

"Ninguém despreze tua mocidade, mas torna-te o exemplo dos fiéis,
na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza."
- (I Timóteo, 4: 12)

- Como não desprezarei minha mocidade, se já não a tenho e se já me curvo ao peso dos longos anos de uma existência na carne e se, somente agora, trago em mim o desejo ardente de crescer espiritualmente para a Vida Eterna?

- Se chegastes ao outono da vida na Terra, sem teres buscado, nos dias de teu vigor físico, um pouco de convivência com o Divino Amigo;

- se passastes pelo verdor dos anos sem buscar nas linhas dos conhecimentos elevados, um roteiro para tua jornada de lutas terrenas,

- na verdade, guardas ainda o espírito envolto na capa da mocidade inexperiente e adormecida,

- embora sintas envelhecer o templo físico de tua presente encarnação.

Mas, se assim é,

- não te entristeças com a realidade, não te inutilizes com o desânimo, não te desculpes com o passado para deixares para amanhã o início de teu auto-aproveitamento;

- não desprezes a luz da verdade que te bafeja a consciência e começa a exercitar-te na prática de uma virtude que seja, contigo mesmo, com teus familiares ou com teus companheiros;

- não desprezes esse raiar de um novo dia para teu espírito e começa a exemplificar pela palavra, colaborando na divulgação das lições evangélicas e, à força de repeti-las, conseguirás gravá-las melhor para te orientares no proceder de acordo com a sabedoria nelas contida.

Enfim, não te desprezes, e ninguém te despreze, pois se a mocidade das forças físicas é bela pela grande oportunidade de realizações que nos permite idealizar e encetar, a mocidade do espírito pode ser chamada de magnífica, por não se restringir a limitado espaço de anos terrenos e por nos possibilitar viver a verdadeira idéia de progresso que nos ensina a começar sempre, em qualquer hora, em qualquer boa luta ou em qualquer idade.

Ottília (Espírito)