COMO NÃO ME ASSEMELHAREI

"A que pois, compararei os homens desta geração, e a que são semelhantes?
São semelhantes aos meninos que se assentam na praça e gritam uns para
os outros: 'Nós vos tocamos flauta e vós não dançastes; entoamos lamentações
e não pranteastes!' "- (Lucas, 7:31 e 32)

- Sendo uma reprovação a comparação feita pelo Divino Mestre, como não me incluirei nela?

- Às crianças é própria a bulha desarrazoada. Nas crianças compreende-se a incoerência de escolhas.

Para as crianças é natural a expansão descontrolada de sentimentos e atitudes.

Se, pois, não desejas para teu espírito de homem feito, a semelhança com as crianças,

- aquieta-te intimamente, quanto às ansiedades impróprias diante das situações de tua vida, lembrando sempre que o Pai te colocou onde melhor podes ser útil a ti e ao próximo.

Porque quase sempre,

- o homem pobre de bens materiais, sujeito à disciplina de horários e à restrição de um salário, lamenta-se por não ser rico, acreditando que a expansão de limites monetários, lhe traria a felicidade suprema;

- o detentor de tesouros valiosos, acirrado pelas preocupações de administração e multiplicação de seus patrimônios materiais, inveja o sono tranqüilo e despreocupado do operário humilde;

- o espírito convocado à experiência bendita do casamento, com finalidade de resgate e aprendizaado e que, conseqüentemente, lhe exige sacrifício, renúncia, luta íntima e adaptação, imagina que a criatura sem a responsabilidade da família direta é, indubitavelmente, a mais feliz e,

- aquele que é constrangido a trilhar os caminhos espinhosos da solidão sentimental, angustia-se supondo que só colhe flores de carinho e de amor, quem tem a cultivar o campo individual de um lar terrestre.

Enfim, quem ouve flauta, quer dedicar-se ao pranto;

- quem ouve hinos de lamentação, anseia por dançar!

Não te assemelhes pois, às crianças da citação evangélica e busca, no caminho em que te encontras, aproveitar ao máximo, todas as pedras ou flores que ele te oferece.

Ottília (Espírito)