COMO NÃO VOLTAREI

"Mas agora conhecendo a Deus, ou antes sendo conhecidos por Deus,
como estais voltando outra vez aos rudimentos fracos e pobres,
aos quais vos quereis ainda de novo escravizar?" - (Gálatas, 4:9)

Se meu espírito, pela necessidade de retificação e aprendizado em inúmeras vidas na Terra, é compelido em cada uma delas a recordar as experiências mais rudimentares, porém indispensáveis à própria vida, como não voltarei a elas, eu que procuro conhecer os ensinamentos superiores?

A água do córrego, pequenino e desconhecido, vai descendo rumo ao ribeirão, ao rio, ao mar, e de lá volta às nuvens, para recomeçar o ciclo de sempre.

A semente germina, integrando-se novamente no caminho da vida, para nele transformar-se em planta tenra, arbusto, árvore, flor e fruto, e manter-se na condição maravilhosa de vegetal.

Também o espírito encarnado deve manter-se, assim, no ciclo educativo das experiências terrenas, voltando a atender aos rudimentos da carne em suas mínimas necessidades, a fim de que realize o ciclo evolutivo em si próprio.

Porque,

- assim como a gota d'água, voltando à sua condição de parte integrante do regato obscuro, poderá ser água mais limpa e mais útil;

- assim como o fruto em regressando à condição de semente humilde, poderá ser melhor em sua espécie, guardando mais elevado poder de transmissão das qualidades desejáveis;

- também o espírito, embora voltando aos rudimentos da carne, fracos e pobres perante as maravilhas do Universo, poderá tornar-se cada vez mais sábio, mais virtuoso e mais puro, porque só a experiência gera a confiança, só a prática traz o verdadeiro conhecimento, só a transformação conduz à pureza, e só na compreensão e na sinceridade a virtude encontra base.

Volta, pois, às experiências menos elevadas que a vida de ti reclama, não voltando, porém, à escravidão delas e sabendo que se o teu coração estiver voltado para a vida com Jesus, crescerás e purificar-te-ás em qualquer experiência.

Ottília (Espírito)