A DESTRUIÇÃO DO TEMPLO DE JERUSALÉM

"Não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada." (Mateus, 24:2)

Foi bastante acidentada a história do famoso Templo de Jerusalém. Construído pelo rei Salomão, nos anos 1013 a 1006 a. c., empregaram-se, na edificação e adorno dessa monumental obra, numerosos artistas fenícios. Foi, mais tarde, no ano 588 a . c., destruído pelos Caldeus e reconstruído em 516 a. C., por Zorobabel. No ano 18 a. c., foi consideravelmente ampliado por Herodes, o Grande. Finalmente, foi destruído, no ano 71, pelo exército romano, sob as ordens de Tito, filho do Imperador Vespasiano. Sua arquitetura lembrava os tempos egípcios ou fenícios; era ornamentado com luxo extraordinário, e sobressaíam nele o ouro, a prata, o marfim e madeiras preciosas. Nesse ano 70, depois de prolongado sítio, quando a população de Jerusalém foi submetida a um logo e negro período de misérias e fome, aconteceram a invasão e a destruição da cidade. Do Templo não restou pedra sobre pedra. Com a tomada da cidade, os Judeus se dispersaram pelo mundo, perdendo sua própria Pátria, num episódio mais conhecido por Diàspora.

Diante da incompreensão dos seus contemporâneos, muitos dos quais relutam em aceitar a sua mensagem de libertação, o Mestre, com o coração amargurado, vaticinou: "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintainhos debaixo de suas asas, e tu não quiseste!" Acrescentando, logo, a seguir: "Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta, porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor."

E, quando os apóstolos lhe mostraram a magnífica estrutura do Templo, disse Jesus: "Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada."(Mateus, 23:37-39 e 24:1-2)

Os veículos citados nos proporcionam um manancial inesgotável de ensinamentos. Um deles é de nos revelar que a Justiça Divina é tolerante e misericordiosa.

No decurso dos séculos, Deus tem enviado à Terra dezenas e dezenas de profetas e missionários, objetivando concitar os povos à observância das suas leis eternas, mas sempre houve obstáculos irremovíveis e recalcitrância por parte desses povos.

As palavras de Jesus Cristo traduziram, assim, toda amargura que reinava em seu amoroso coração, face a incompreensão dos seus contemporâneos.

Ele havia traduzido à Terra uma mensagem de paz e de amor cuja revelação lhe custara três anos de penoso Messiado entretanto, uma parte do povo a quem trazia a palavra da Boa Nova se mostrou refratária e recalcitrante.

Espírito da mais elevada hierarquia, Jesus notava que a missão terrena estava prestes a ter o seu epílogo, sem que as suas palavras, como sementes generosas, tivessem caído em terreno adequado para o nascer dos tão esperados frutos. Além da incompreensão, sabia, também, que o sacrifício da cruz seria a sua glorificação e o coroamento de sua missão redentora.

A Jerusalém que havia apedrejado ou aniquilado tantos profetas e missionários, que Deus, em sua infinita misericórdia, havia suscitado em seu seio, continuava obstinada diante do Grande Enviado, do tão esperado Messias.

Dirigente máximo do nosso Planeta, o Cristo de Deus tentara, através dos exemplos edificantes de grandes missionários, congregar o povo, fazendo com que este se irmanasse sob sua égide augusta, semelhantemente a uma galinha que ajunta os seus pintainhos debaixo de suas asas. Entretanto, todo esse esforço fora debalde. O orgulho e o fanatismo se constituíram em poderosos obstáculos para a consecução desse desiderato superior. Na verdade, prevaleceram o ódio e a intemperança, os dogmas e as vãs tradições, a recalcitrância e as revoltas contra os superiores desígnios de Deus.

A comunidade israelita constituía-se de doze tribos, correspondentes aos doze filhos do patriarca Jacó. Cada uma dessas tribos tinha dirigente próprio, mas existia uma autoridade maior chamada Juiz, ao qual as tribos recorriam quando necessitavam dirimir controvérsias. Mais tarde, as doze tribos, apesar das admoestações do patriarca Samuel, resolveram eleger um rei, cuja escolha recaiu em Saul, cessando, então, a continuidade do sistema de juízes.

Os verdadeiros profetas, de um modo ou de outro, vaticinaram o advento de Jesus Cristo; no entanto, também foram incompreendidos e repelidos nas épocas, quando aqui estiveram, principalmente os que vieram após a proclamação de Saul como rei, quando, então, os sacerdotes passaram a exercer hegemonia sobre o povo, contrariando, muitas vezes, os ensinamentos oriundos dos profetas e obstaculando quase tudo o que vinha do Céu.

Não aceitando os profetas como lídimos arautos da vontade de Deus, obviamente também não aceitaram o tão esperado Messias, principalmente pelo fato de Ele não surgir no cenário do mundo como indômito guerreiro, semelhante a Moisés, Josué ou Davi, mas como um humilde filho de carpinteiro, que apenas falava em concórdia, paz e amor.

Deste modo, muitos profetas foram apedrejados e mortos, e o próprio Cristo foi imolado, como dócil cordeiro, no cimo do Calvário.

Mas assim como a Justiça Divina aplica corretivos aos indivíduos, também os aplica às cidades obstinadas e orgulhosas, haja visto o que aconteceu com Sodoma, Gomorra, Pompéia, Herculanum, Jerusalém e outras.

Paulo A. Godoy