A INCREDULIDADE

"E Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e milagres, não crereis." (João, 4:48)

Em todas as épocas da Humanidade, existiram os descrentes, os incréus, que não acreditavam nas coisas mais ostensivas.

Jesus Cristo, dirigindo-se a seu apóstolo Tomé, lhe disse:

"Tomé, precisaste ver para crer, mas bem-aventurados são os que acreditam sem ver."

Certa vez, cidadãos de várias nacionalidades procuraram Jesus, pedindo-lhe que produzisse um sinal dos Céus, para que eles vissem e acreditassem. E, quando esperavam que o Mestre fizesse ali um prodígio, pois supunham que o Cristo se ufanaria com suas conversões, a resposta foi peremptória: "Nenhum sinal será dado a esta geração adúltera e infiel, porque ela já tem o sinal de Jonas. É evidente que Jesus não se preocupava com uma eventual conversão daqueles homens, porque via neles meramente criaturas incrédulas e endurecidas.

Ora, o Mestre percorria todas as cidades e aldeias da Galiléia, da Samaria e da Judéia, fazendo curas espantosas, restaurando a visão a cegos de nascença, expulsando Espíritos possessores e fazendo com que inúmeros paralíticos e leprosos ficassem curados; esses fatos eram notórios a toda a população, representando autênticos sinais dos Céus, porém nem assim convencia a todos. Muitos homens endurecidos, daquela época, não se curvariam mesmo ante os fenômenos mais conspícuos.

Os homens mais incrédulos, na época, quando Jesus esteve na Terra, foram os Escribas. Eles tinham a incumbência de interpretar as leis e ensinar ao povo os textos dos livros sagrados. Esses livros estavam repletos de ensinamentos dos antigos profetas e missionários atestando que o Cristo de Deus viria em época adequada, a fim de trazer a sua mensagem à Humanidade. Essas profecias facilmente identificavam Jesus Cristo como sendo o Messias prometido, dada a amplitude de detalhes e coincidências de informações, pois ninguém que estivesse investido de uma autoridade, emanada dos Céus, poderia fazer o que ele fez. No entanto, os Escribas preferiram pactuar com os Fariseus e os sacerdotes, convertendo-se nos mais acirrados inimigos do Mestre.

O Cristo afirmou que, em época adequada, a Humanidade seria contemplada com o advento do Espírito Consolador, o Paráclito, o Espírito de Verdade.

O Consolador já está entre nós. As obras básicas da Doutrina dos Espíritos - o Espiritismo - aí estão como atestado eloqüente do cumprimento da promessa de Jesus. Entretanto, grande parcela da Humanidade, e, principalmente as religiões dogmáticas, reluta em aceitar as primícias da Terceira Revelação. que tem por objetivo básico a restauração do Vero Cristianismo, revelado à Terra, quando do advento de Jesus Cristo. 1sso comprova, mais uma vez, a incredulidade dos homens, face as grandes verdades que emanam dos Céus.

Quando Cristóvão Colombo apresentou seu projeto a uma junta de cosmógrafos, astrônomos, geômetras, geógrafos dignatários da Igreja, todos reunidos no Colégio dos Altos Estudos de Salamanca, na Espanha, recebeu o seguinte diagnóstico unânime: "A Terra é chata e rodeada de água. Admiti-la esférica é incompatível com os dogmas da fé. Acreditar que existem dois hemisférios habitados é igualmente ímpio, porque é a mesma coisa que acreditar que há homens que não descendem de Adão.

De resto, se existisse outro hemisfério, já seria conhecido. Admitir a existência de antípodas, isto é, de um mundo em que tudo é ao contrário, em que chove e neva de baixo para cima, em que as árvores crescem de cima para baixo, em que as pessoas caminham com os calcanhares no ar, é completamente absurdo. Por conseguinte, o projeto de Cristóvão Colombo assenta sobre uma base falsa e imaginária, e o que ele pretende não pode ser verdade. "

Quando Galileu atestou que a Terra gira em torno do Sol, a Igreja também refutou. Ela preferia manter-se apegada ao sistema geocêntrico, pois o sistema heliocêntrico, demonstrado por Galileu, contrariava os dogmas.

Quando Joana D'Arc afirmou que ouvia vozes de Espíritos, foi catalogada como feiticeira, relapsa e apóstata; como tal, foi condenada a morrer na fogueira. Hoje, é considerada heroína, e até a Igreja, que a condenou, passou a considerá-la santa.

Mesmo nos tempos atuais, prevalecem teorias errôneas no tocante às grandes verdades que foram reveladas por Jesus Cristo e outros grandes missionários.

Ainda se acreditava na terrível teoria da vida única do Espírito na carne, nas penas eternas, no pecado original, na unicidade dos mundos habitados, em flagrante contraste com o que está contido nos maravilhosos ensinamentos do Grande Mestre Nazareno.

Por enfrentar a incredulidade dos homens, trazendo grandes verdades, Jesus foi crucificado; Sócrates foi condenado a beber cicuta; João Batista foi decapitado; Paulo de Tarso sofreu as maiores perseguições e, por fim, também foi decapitado; muitos profetas foram perseguidos e mortos e muitos emissários dos Céus sofreram a incompreensão e o sarcasmo dos homens.

Paulo A. Godoy