A LÍNGUA TAMBÉM É UM FOGO

"Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios,
as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução,
a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e
contaminam o homem." (Marcos, 7:21-23)

O apóstolo Tiago Menor, em sua Epístola Universal (Tiago 3:6) diz: "A língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia."

Logo a seguir diz: "A língua também é um fogo, como mundo de iniqüidade .. A língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo e inflama o curso da natureza e o inflama pelo mal. Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear, está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos a Deus, o Pai, e com ela amaldiçoamos os homens." (Tiago, 3:6-9)

Afirmando que uma mesma boca deita bênçãos e maldições, e uma mesma fonte não pode lançar água pura e água contaminada, o apóstolo faz severa admoestação aos que usam a sua língua de dois modos diversos e indevidos - os hipócritas, que fazem com que da mesma boca emanem palavras boas e confortadoras, mas também palavras escandalosas e ferinas .

A língua pode provocar escândalos que degeneram em dissensões, em discórdias, em desmoronamento de lares, em lutas fratricidas, em suicídios, em traições, em guerras e em toda uma gama de desvios.

Foi no tocante a isso que Jesus, em (Mateus, (5:37) diz:

"Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim, não, não! Porque o que passa disso é de procedência maligna."

Dos lábios de Jesus sempre emanaram palavras dóceis e entrecortadas de convites à prática do bem e do amor sem limitações. Seus lábios somente pronunciaram palavras cortantes, quando tinha que verberar o procedimento dos Escribas, dos Fariseus e dos sacerdotes hipócritas que mistificavam e confundiam o povo menos esclarecido.

Não se deve fazer como muitos homens, dóceis e afáveis para com terceiros, mas no recôndito dos lares verdadeiros tiranos, que proferem palavras ásperas, imorais e cortantes, que ferem a dignidade e abalam a fibra dos que as ouvem.

As más palavras espargem antipatia, malquerência e até repelem os que querem aproximar-se mutuamente, ao passo que as palavras serenas, cordatas e amáveis atraem simpatia, bem-estar, e tornam as pessoas amigas, estrelaçando-as num elo de fraternidade e amor.

Quando os Evangelhos falam em "quem com ferro fere, com ferro será ferido", isso significa que, em vidas futuras, as criaturas podem vir a ser feridas com os instrumentos ou com os órgãos com os quais feriram o seu semelhante. Essa sentença evangélica guarda íntimo parentesco com a lei de Ação e Reação, ou de Causa e Efeito.

Ê lógico que a pessoa cuja língua tiver sido a causa de graves escândalos, de morticínio, de desmoronamento de lares, na vida subseqüente poderá nascer com mudez ou problema correlato. O Mestre disse: "É necessário que haja o escândalo, mas ai daquele por quem ele vier; seria preferível que se lhe atassem o pescoço, pesada mó de moinho e fosse atirado ao fundo do mar. "Por isso, devemos comedir nossas línguas, pondo-lhes um freio, o mesmo podendo-se dizer dos olhos, dos ouvidos, das dos pés, para evitarmos mutilações nas vidas porvindouras, evitando-se nascer cego, surdo, mudo ou mutilado dos pés, das mãos e de outros órgãos.

O homem deve ser coerente em sua linguagem, falando somente o que lhe parecer justo, e deixando de falar aquilo que possa ferir a sensibilidade de alguém. Deve-se abster de palavras imorais, torpes, malévolas, frívolas, as quais a nada conduzem. Deve, sim, procurar sempre pronunciar palavras edifícantes, que trazem a alegria, a conformação, que conseguem mesmo soerguer as criaturas decaídas.

Disse o Mestre (Mateus, 5:22): "Eu, porém, vos digo que, qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra o seu irmão, será réu do juízo, e aquele que disser a seu irmão 'Raca' será réu do Sinédrio, e, qualquer que lhe disser 'louco', será réu de graves penalidades. "

Vê-se, portanto, a necessidade imperiosa de comedir-se o uso da língua, a fim de se evitarem problemas angustiantes no porvir.

A língua pode, conseqüentemente, ser uma fonte inesgotável de palavras de vida eterna, como também pode ser o foco de devastadores incêndios.

Paulo A. Godoy