AS ENFERMIDADES NOS
TEMPOS REMOTOS

"Que tens comigo, Jesus, filho de Deus Altíssimo?
Conjura-te por Deus que não me atormente." (Marcos, 5:7)

Adentrando a província dos Gadarenos, Jesus dirigiu-se a um local, onde havia um homem possesso de Espíritos malfeitores. Mateus, em seu Evangelho (8:28), afirma que eram dois os atormentados. Esse homem vivia nu dentro dos sepulcros e, durante o dia e mesmo à noite, saía a clamar pelos montes, ferindo-se nas pedras e nos espinheiros.

Várias vezes era preso com correntes, com grilhões, mas tudo quebrava e conseguia escapar, dada a força de que se achava possuído, sob o império daquela influenciação espiritual. Muitas vezes, várias pessoas, juntas, não conseguiam subjugá-lo.

Após terem dito a Jesus que eram muitos e que se chamavam legião, os Espíritos atormentados foram afastados do possesso, ao ouvirem setenciosa ordenação partida dos lábios do Mestre.

A cura operada pela interferência de Jesus Cristo aconteceu de modo natural, tendo bastado, para tanto, a sua autoridade moral e a sua presença, ao contrário do que acontecia nos tempos imemoriais.

No passado longínquo, as enfermidades eram tratadas de maneira exótica, uma vez que muitas delas eram encaradas com um misto de superstição e extremado obscurantismo. A elas eram atribuídos vários fatores, várias causas, as mais estranhas e absurdas.

Nessa negras épocas, quando grassava o mais profundo atraso moral, era muito comum considerar que as pessoas acometidas de convulsões, que espumavam pela boca, que se atiravam ao solo e os epilépticos em geral, eram pessoas assediadas por Espíritos trevosos.

Em algumas regiões do mundo antigo, era crença generalizada que a totalidade das enfermidades tinha como fonte geratriz a influenciação de Espíritos malfeitores.

Quando de sua peregrinação em nosso mundo, Jesus Cristo, em todos os lugares por ele visitados, era seguido por enorme contingente de sofredores de todos os matizes. Muitas curas foram por ele concretizadas, algumas com a maior facilidade, porém, num dos casos constantes do Evangelho de João (9:1-12), afim de curar um cego de nascença que não possuía fé, o Mestre teve necessidade de aplicar um processo um tanto material: misturou terra com saliva e aplicou o barro nos olhos do cego, ordenando-lhe que, em seguida, fosse banhar os olhos na piscina de Siloé, quando então a cura se processou.

Em Israel não reinava tanta superstição como nos países politeístas. No seio do povo pagão era crença generalizada que bastava um contacto com um obsediado ou possesso, ou mesmo que alguém passasse sobre a sua sombra, para também ser afetado pelo mesmo tipo de enfermidade, por isso, o doente muito dificilmente encontrava alguém que tentasse ajuda-lo em sua cura.

Consta que muitas criaturas, portadoras de enfermidades incuráveis, eram consideradas indignas de receber qualquer tipo de auxílio, pois o mal era oriundo de uma punição por parte dos deuses. Muitas dessas criaturas eram flageladas e sofriam vários vexames. Em alguns lugares até os cegos recebiam pedradas, por parte das crianças, quando transitavam pelas ruas.

Nessas épocas remotas, o portador da lepra, por exemplo, era tratado do modo mais lamentável possível. Entre os judeus, o leproso era obrigado a se apresentar aos sacerdotes, e se fosse constatado que ela era doente, tinha que se encaminhar para um lugar denominado Vale dos Imundos, onde ficava afastado do convívio de todos. O portador de doença mental também era tido na conta de ser influenciado por uma entidade espiritual, que o assediava e pretendia levá-lo ao extremo da desencarnação.

Em alguns paises da Europa, o leproso, além de ser afastado de sua família e da sociedade, era considerado morto.

Os Evangelhos registram que Jesus, além do caso do Possesso Gadareno, também se defrontou com outros casos de possessão espiritual.

Maria Madalena, antes de conhecer Jesus e tornar-se sua humilde seguidora, era atormentada por uma legião formada de sete Espíritos obsessores, que foram dela afastados pela interferência de Jesus Cristo. (Lucas 8:2). A filha da Mulher Cananéia Mateus, 15:21-28) e o Jovem Lunático (Marcos, 9:144.28) foram libertados da influenciação danosa de Espíritos trevosos, graças à presença e ordenação de Jesus.

Paulo A. Godoy