CASA VARRIDA E ADORNADA

"E, chegando, acha-a varrida e adornada." (Lucas, 11:25)

Em Lucas (11 :24-26), Jesus fez a descrição de um Espírito imundo que foi afastado de um homem e que perambulou por lugares áridos. Como não encontrasse consolo nos locais por onde andou, resolveu voltar para ver como estava a casa de onde havia saído, encontrando-a varrida e adornada. Em vista disso, foi buscar outros sete Espíritos piores do que ele, e foram todos habitar a casa, fazendo com que o estado daquele indivíduo se tornasse pior que antes.

A luz do Espiritismo, esse caso é descrito do seguinte modo: um homem era obsediado por um Espírito malfazejo. Através de trabalhos de desobsessão e preces, o Espírito foi afastado. Perambulando, então, pelo espaço, não achou conforto, decidindo-se, portanto, a voltar, para ver como estava o seu antigo perseguido, encontrando-o novamente chafurdado nos vícios e na vaidade terrena. Por isso, foi e arregimentou outros sete Espíritos piores do que ele, uma autêntica legião e foram todos atormentar aquele indivíduo, cujo estado, então, degenerou em obsessão, tornando-se pior do que antes.

Com essa descrição, o Mestre deixou entrever um caso que muito comumente ocorre na Terra, e que o Espiritismo cataloga como obsessão ou possessão.

Foi no tocante ao assédio desses Espíritos maldosos que o Mestre prescreveu a imperiosa necessidade da oração e da vigilância, único meio de o homem furtar-se a cair no estado de obsessão ou possessão, responsável por uma enorme gama de loucuras, de suicídios e outros males.

Nas páginas dos Evangelhos deparamos com uma vasta descrição de casos de obsessão e possessão. Sem contar as curas desse gênero, operadas pela ação direta de Jesus Cristo, vemos que até os Apóstolos e os setenta e dois discípulos que o Mestre ordenou que percorressem os territórios circunvizinhos foram investidos do poder de afastar numerosos Espíritos obsessores, que atormentavam muitas pessoas. (Lucas, 10:17)

Um caso típico dessa natureza aconteceu com um menino levado pelo seu pai, para ser curado de uma tremenda obsessão (Marcos, 9: 17-29). Quando procurado pelo aflito pai, o Mestre não estava presente. O homem decidiu, então, apelar para afastar o obsessor. Logo em seguida, chegou Jesus; vendo-o, o Espírito maligno pretendia mata-lo, uma vez, querendo atira-lo ao fogo e outra vez na água.

O Mestre olhou para o menino e, com voz imperativa ordenou que o Espírito maligno saísse. Nesse momento, a criança foi atirada, violentamente, ao solo, contorceu-se terrivelmente mas o Espírito não teve outra alternativa senão sair.

Os Apóstolos, um tanto desgastados, porque não tiveram autoridade para afastar o obsessor, indagaram do Mestre a razão pela qual não haviam conseguido aquele intento, ao que Jesus respondeu: "Essa casta de Espíritos somente são afastados com jejum e oração."

Mas o jejum de que o Mestre falara não é aquele de fazer abstinência na ingestão de determinados alimentos. É um jejum que consiste em evitar a prática de atos imorais e maus, evitar a contaminação pelas viciações terrenas. É óbvio, pois, uma pessoa que não se munir de uma autoridade moral, uma fé inquebrantável, jamais conseguirá exercer influência decisiva sobre os Espíritos que se comprazem na prática do mal.

É evidente que os Apóstolos de Jesus eram homens bons, virtuosos e de boa moral, mas não estavam animados de uma convicção inabalável e de uma autoridade inquestionável, como aquela recomendada pelo Mestre, ao ponto de fazerem com que uma ordenação fosse obedecida sem nenhuma outra alternativa.

Paulo A. Godoy