COM A JOEIRA À MÃO

"Aquele que vem depois de mim traz sua joeira à mão e limpará sua cira,
recolherá seu trigo no celeiro e queimará as palhas em fogo que irá até o fim."
(Mateus, 3:11-12)

A joeira ou crivo era um instrumento em forma de forquilha de dois a quatro pontaços, com o qual se jogava ao ar o trigo ainda misturado com palha, a fim de o vento separá-los. Quando não havia vento, usava-se uma peneira de palha trançada, munida de duas alças, e soprava-se com a boca. No passado, a joeira era o símbolo da "vara do juiz", o instrumento de separação do justo e injusto. Homem com a joeira à mão equivalia ao homem com a "vara à mão"ou juiz. Outro nome para a joeira é a ciranda.

O simbolismo da joeira foi muito usado na Bíblia. Isaías, referindo-se ao julgamento de Deus, o aplicava amiúde. Segundo ele, Deus enviaria à Terra o seu Filho amado, para "joeirar as nações com a forquilha e a peneira, e sopraria para isso um vento destruidor que dispersaria os maus com palha."

João Batista, por sua vez, afirmou ser Jesus maior do que ele, e de quem não era digno de desatar as correias de suas sandálias, e que Jesus com a sua joeira à mão "limpará a sua eira, (porção de terra firme, onde se guarda a colheita) recolherá seu trigo no celeiro e queimará a palha em fogo inextinguível."

Joeirar, no dizer de João Batista, significa separar os bons dos maus, mas não no sentido que lhe tem sido dado pelas teologias, de uma separação definitiva e absoluta, recambiando uns para o gozo da bem-aventurança eterna e outros para amargarem as penas eternas.

O Evangelho também fala na separação dos bodes e das ovelhas, como indicação de que, na época da regeneração do mundo, haverá uma separação, também temporária, dos bons e dos maus.

Sendo Deus misericordioso e bom, justo e eqüitativo, jamais poderá condenar nenhum de seus filhos de modo irremissível. O que sempre acontecerá será uma separação temporária, pois mesmo as criaturas mais recalcitrantes chegarão, um dia, a sentir a necessidade de evoluírem, aproximando-se cada vez mais do Criador de todas as coisas, o que passará a ser feito, palmilhando o caminho do progresso e do bem.

Indubitavelmente, alicerçados na infinita misericórdia de Deus, podemos afirmar que apreciável porcentagem daqueles que transgrediram as leis de Deus, no passado remoto ou recente, já se reajustaram e hoje também palmilham as veredas do Bem. Disse o profeta que "o Pai não quer a morte do ímpio, mas quer que ele se redima e viva."

Não haverá jamais o tão decantado fim do mundo, conforme muitos acreditam, mas a transformação moral e espiritual de nosso Planeta, pois, assim como os Espíritos evoluem, também os mundos ascendem à escala do progresso.

Quando chegar a época da transformação do nosso velho mundo, conforme nos ensinam os bons Espíritos, ele mudará a condição de Planeta de expiação e dor, para Planeta de regenerações e menos amarguras. Nessa época, Jesus "limpará sua eira" e joeirará o trigo, a fim de separá-lo da palha, isto é, elegerá os que deverão continuar reecarnando no mundo de regeneração (o trigo) e os que deverão passar a reencarnar num mundo menos evoluído.

Ali, eles experimentarão o "choro e ranger de dentes" segundo o dizer judicioso do Evangelho, e se "queimarão" pelo remorso de não terem aceitado as palavras de vida eterna que o Mestre veio trazer à Terra, perdendo a oportunidade de enveredarem pelo caminho do bem e da justiça.

Nesse mundo menos evoluído, os maus terão a sensação de "terem perdido um paraíso", mas jamais Ihes faltará o auxílio divino, sempre que se predisponham a caminhar no roteiro do bem, procurando aproximar-se de Deus, e pautando suas vidas pelas normas rígidas da reforma interior.

Paulo A. Godoy