... E DEUS FEZ O HOMEM

"Sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai Celestial." (Mateus, 5:48)

No livro de O Gênese, (o primeiro livro do Pentateuco), afirma Moisés que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança.

Feito à semelhança de Deus e refletindo Sua imagem, deveríamos, obviamente, possuir todas as características da perfeição e da sabedoria, tornando-se, pois, supérfluo o convite de Jesus para que procurássemos ser perfeitos ou exponentes da sabedoria e da sublimação.

É bem verdade que o grande legislador dos hebreus chegou a tal conclusão por deduções, com base nas revelações que vinha recebendo do Mundo Maior, através da sua portentosa mediunidade. O sentido verdadeiro do ensino, porém, é bem diverso daquele que geralmente se assume entre nós, pelos que aceitam, sem restrições, a doutrina antropomorfista e acreditam na vida única do Espírito na carne.

Somente através das reencarnações sucessivas do Espírito, torna-se possível achar qualquer afinidade entre o que escreveu Moisés e o que preceituou Jesus Crito, posteriormente.

Criados por Deus, os Espíritos são situados nos vários planos da vida espiritual, onde, no decorrer de prolongados aprendizados, em corpos cada vez menos grosseiros, se aprimoram em todas as direções, aproximando-se cada vez mais da perfeição, porém, mesmo assim, refletem, de forma bastante apagada, a imagem de Deus.

Deve-se salientar aqui que a exeqüibilidade dessa semelhança somente poderá ser aceita, tomando-se o homem em sua essência espiritual, abstração feita das formas proporcionadas pelo corpo físico. O Espírito, quando atinge o estágio de sublimação, aproxima-se mais do seu Criador, porém disso se deduz que ele deve percorrer um laborioso processo de purificação e de elevação, despindo-se das roupagens grosseiras da imperfeição e dos vícios, redimindo-se das faltas cometidas no passado, no decurso de muitas vidas corpóreas. Aprimorando-se, desse modo, o Espírito que habitou o corpo do homem passa a ser uma acanhada manifestação da imagem do Senhor dos Mundos.

Jamais pode existir qualquer possibilidade de comparação entre o homem embrutecido, grosseiro, e a perfeição absoluta de Deus. Considerando-se a questão pela bitola acanhada do dogma da unicidade da existência do Espírito na carne, chega-se a terríveis confusões.

Francisco de Assis e Nero tiveram compleições físicas relativamente idênticas, quando encaradas de um modo geral, no entanto, um foi o expoente da virtude e do amor; o outro foi o vexilário do crime e do ódio. É indubitável que, espiritualmente o "poverelo de Assis" estivesse em muito melhores condiçãoes para passar a refletir, embora de modo muito apagada, a imagem de Deus.

Enquanto a teoria da unicidade das existências físicas torna absurda a possibilidade de comparar a criatura ao Criador, a lei da Reencarnação, ou das vidas sucessivas, faz o homem antever a possibilidade de se aproximar cada vez mais do Criador, pelo burilamento da alma, através das experiências na carne e do enquadramento na lei do progresso constante, faz com que ele seja sempre impulsionado para próximo de Deus.

Quando o Mestre asseverou: "Quem vê a mim vê ao Pai", ensejou demonstrar que existe uma grande afinidade entre o Filho e o Pai, dado o elevado índice de progresso alcançado pelo primeiro. Em relação a nós, Jesus é a expressão da Perfeição, embora não o seja no sentido absoluto como o é o Pai.

Deus é a expressão máxima, a expressão superior da perfeição, e para ele caminham todos os Espíritos, inclusive o próprio Jesus Cristo.

Paulo A. Godoy