HOLOCAUSTOS, SACRIFÍCIOS

"Amar a Deus de todo o coração, e de todo o entendimento,
e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como
a si mesmo, é mais que todos os holocaustos, todos os sacrifícios."
(Marcos, 12:33)

No remoto passado, era hábito fazer sacrifícios de animais e até de seres humanos. Supunham os nossos antepassados de longíquas, eras que os deuses se deleitavam com o cheiro de carne assada, de animais e de infiéis.

Havia mesmo o costume de se sacrificarem dezenas e dezenas de escravos, quando desencarnava um potentado da Terra, por julgarem que o Espírito daquele homem poderoso necessitaria de escravos, para servi-lo na vida futura.

Os antigos Judeus preferiam sacrificar animais, ovelhas e pombos; entretanto, os povos politeístas, que habitavam a quase totalidade das nações do passado, davam mais guarida ao sacrifício de crianças, como era o caso dos Cartagineses, e de homens e mulheres, como acontecia entre outros povos politeístas.

Também no Antigo Testamento, fala-se sobre Caim e Abel, dois lendários personagens que teriam habitado o mundo, há alguns milênios, afirmando-se que Abel ofereceu a Deus o sacrifício de uma ovelha, ao passo que Caim ofertou frutos da Terra. Segundo relato, houve preferência pelo sacrifício oferecido por Abel. Embora a existência desses dois irmãos não seja mais que uma lenda, ficou a nítida impressão que Deus se comprazia com o sacrifício de animais.

Os sacrifícios aconteciam, na maioria das vezes, quando ocorria um fenômeno da Natureza: enchentes, terremotos, vendavais, maremotos etc., ou, ainda, quando as colheitas não eram pródigas, ou havia falta de chuva; obviamente, o objetivo era aplacar a fúria dos deuses, porquanto se acreditava que eles estavam irados.

Outros hábitos, entre esses povos, era de adornar as árvores com flores e braceletes, esperando, assim, uma farta retribuição de frutos.

Ainda no Antigo Testamento, depara-se a narrativa sobre um quase sacrifício de Isaac, pelo patriarca Abraão. O jovem foi substituído, na última hora, por uma ovelha.

Mais recentemente, na Idade Média, os cristãos costumavam sacrificar "hereges" em suas fogueiras inquisitoriais, julgando que, agindo dessa maneira, afugentavam o "demônio" e prestavam um serviço a Deus.

No passado, também usava-se, no meio de algumas comunidades, a prática do cilício, que consistia no uso de uma túnica, ou cinto, ou cordão feito de crina ou de lã áspera, com farpas de madeira, uma penitencia que os indivíduos traziam diretamente, sobre a pele, torturado o próprio corpo, provocando assim, tormentos ou aflições, fazendo-o com a convicção de que se são "Bem-aventurados os aflitos, porque herdarão o Reino dos Céus ", a tortura aplicada ao próprio corpo abreviaria a conquista desse Reino; esqueciam-se de que o verdadeiro cilício é o que se pratica em favor do próximo, quando uma pessoa sacrifica próprios interesses e comodidades em favor do seu semelhante significado desprendimento e abnegação.

No entanto, corroborando a assertiva evangélica de que o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo supera todos os holocaustos, todos os sacrifícios, pode-se afirmar que, para Deus, não existe nenhum mérito na prática de sacrifícios, de holocaustos, cilícios, oblatas, penitências, ou qualquer ato exterior que os homens pretendem fazer, para agradá-lo ou para lhe render homenagens.

Jesus Cristo afirmou que deveríamos conhecer a verdade, para nos tornamos livres, abominando, assim, os preconceitos e superstições; e isto, obviamente, envolve a prática de todo e qualquer ritualismo, a qual a nada conduz, tendo por objetivo único gerar um fanatismo grosseiro e anuviar a mente das criaturas humanas.

Na realidade, os atos exteriores do culto representam um ópio para entorpecer as consciências dos seres humanos, dilatando o tempo de sua redenção espiritual.

Paulo A. Godoy