JESUS NADA ESCREVEU

"Como sabe estes as letras, não as tendo estudado?" (João, 7:15)

Os contemporâneos de Jesus Cristo maravilharam-se pelo fato de Ele saber ler e escrever, sem que tivesse cursado qualquer escola. Rezam os Evangelhos que, certa vez, o Mestre, quando tinha apenas 12 anos de idade, foi encontrado entre os doutores no Templo, fazendo perguntas e dando respostas, tendo todos se surpreendido com a sua sabedoria. (Lucas, 2:41-47)

Em outra parte dos Evangelhos, a parece a narração de ter o Mestre entrando numa Sinagoga; ali, tomando do livro do profeta lsaías, leu para todos um certo trecho e disse: "Hoje, cumpriu-se em mim esta profecia."

É sumamente interessante que, descendo à Terra, a fim de pregar a Humanidade um manancial de luz e de verdade novas, o Mestre nada tenha escrito, o mesmo acontecendo com os seus apóstolos, que também nada escreveram, durante o Messiado.

Os ensinamentos de Jesus foram mantidos durante cerca de quarenta anos, apenas pela tradição oral, pois os rabinos judeus alimentavam a idéia de que um bom discípulo é semelhante a uma cisterna sem rachaduras, não deixando escapar um pingo sequer daquilo que aprenderam dos seus mestres."

Dois dos Evangelhos de Jesus (o de Mateus e o de João) foram escritos por esses apóstolos diretos do Mestre, os quais o acompanharam em todos os acontecimentos, durante os três curtos anos de Messiado. Os outros dois (o de Lucas e o de Marcos) foram escritos por estes que não conviveram com o Mestre, nem fizeram parte do grupo de apóstolos. Aqui cabe acrescentar que os quatro Evangelhos foram escritos cerca de 40 a 60 anos, após o início da Era Cristã.

A única narrativa evangélica que descreve algo que Jesus, tenha escrito, é aquela quando Ele se defronta com uma turba de homens fanatizados, que pretendiam apedrejar uma mulher adúltera. Dizem os Evangelhos que o Messias, no intuito de salvar a mulher da terrível morte por lapidação, curvou-se e escreve, na areia. Logo a seguir, erguendo-se, disse: "Aquele que estive sem pecados, atire a primeira pedra", sentença essa que teve, mérito de esfriar os ânimos exaltados dos acusadores gratuitos, que logo a seguir, atiraram as pedras ao chão e se retiraram do local.

Afirma o livro Atos dos Apóstolos, que os discípulos de Jesus eram homens de poucas letras; isso constitui surpresa geral porquanto, no chamado Dia de Pentecostes, passaram a espargir os ensinamentos do Mestre em várias línguas; este fato somente poderá ser explicado como uma autêntica manifestação de mediunidade poliglota.

Sócrates, o grande mestre da Humanidade, considerado maior filósofo da Grécia, também nada escreveu. Seu método de ensino era a Dialética , ou seja, a conversação e a interrogação que dominava com sabedoria. Tudo o que se sabe sobre a sua doutrina foi transmitido à Humanidade pelo seu discípulo dileto Platão e por Xenofonte.

No livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec esta inserida a transição das idéias de Sócrates e Platão sobre as vidas sucessivas (Reencarnação), o que representa uma página de grande beleza, encerrando verdades mais tarde apregoadas por Jesus Cristo e por muitos outros grandes mestres da Humanidade.

Uma análise mais profunda do livro Atos dos Apóstolos deixa entrever, claramente, que esta obra foi escrita por Lucas, o mesmo autor do Terceiro Evangelho. A Humanidade deve a esse grande divulgador do Cristianismo o trabalho gigantesco que teve para transmitir, à posteridade, as descrições maravilhosas de fatos acontecidos no tempo do Cristianismo primitivo, após crucificação do Mestre, descrevendo, ainda, suas pesquisas sobre a vida e a obra de Jesus Cristo .

As duas epístolas de Pedro também foram escritas com auxílio de Marcos, autor do Segundo Evangelho. Marcos, que primeiramente era discípulo de Paulo e Barnabé, após a separação havida entre esses dois grandes vultos do Cristianismo primitivo, fez-se discípulo de Pedro.

No ano de 1945, quando lavradores faziam uma escavação num velho cemitério de Nag Hammadi, no Egito, depararam com alguns potes de barro, contendo manuscritos em caracteres coptas. Parte desses papiros, encadernados em couro, foi vendida, e parte foi parar no museu copta, do Cairo, onde esses manuscritos foram mantidos durante mais de uma década, sem que ninguém lhe desse nenhum valor.

Mais tarde, quando alguns peritos examinaram, cientificamente, esses documentos, verificaram que, além de outros manuscritos, esses papiros continham o Evangelho do apóstolo Tomé, ou seja, cópias do original, as quais remontam ao II século da Era Cristã.

Esse evangelho vertido para a língua portuguesa, graças ao trabalho do erudito dr. Huben Rohden, não encerra uma descrição histórica da vida de Jesus, mas, sim, uma série de ensinamentos esparsos, contidos nos outros quatro Evangelhos.

Ademais, esse Evangelho segundo Tomé, não só por apresentar talvez, uma diferença de estilo, embora sendo chamado de Quinto Evangelho, além de nada discorrer sobre a vida de Jesus em seus primórdios, não é completo, nem encerra a graça e a beleza das descrições contidas nos Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João.

Paulo A. Godoy