METE A TUA ESPADA NA BAINHA

"Então, Jesus lhe disse: Mete a tua espada no seu lugar, Porque todos os que
lançarem mão da espada, à espada morrerão." (Mateus, 26:52)
"Mas Jesus disse a Pedro: Mete a tua espada na bainha, não beberei o cálice
que o meu me deu?" (João, 18:11)

Os quatro evangelistas são unânimes em afirmar que um dos apóstolos feriu a orelha de um dos soldados, componentes do séqüito que buscava prender Jesus. João disse que o autor desse ato foi o apóstolo Pedro. O evangelista João disse, ainda, que o soldado se chamava Malco, mas somente Mateus afirmou que o Mestre repreendeu o apóstolo, dizendo: "Mete no seu lugar a espada, porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão." O que, em em algumas versões, teve a seguinte tradução: "Quem com ferro fere, com ferro será ferido."

Dizendo "quem com ferro fere, com ferro será ferido", o Mestre corroborou a lei de Ação e Reação, ou de Causa e Efeito, amplamente ensinada pelo Espiritismo.

Trata-se de uma lei justa e eqüitativa, que destrói, pela base, as teorias absurdas da tão decantada "salvação pela graça", ou do perdão pleno, através da absolvição concedida por meio de uma singela confissão auricular, conforme apregoada por algumas religiões terrenas.

"Quem com ferro fere, com ferro será ferido" não significa, de modo absoluto e de forma inapelável, que o ofensor pagará a sua ofensa com o mesmo tipo de arma que usou para ferir. O resgate, muitas vezes, acontece de maneira diferente.

Os Espíritos têm ensinado que, muitas vezes, os grandes criminosos resgatam seus crimes em prolongadas e dolorosas reencarnações, num processo de loucura, de enfermidades incuráveis, ou renascendo em corpos terrivelmente mutilados.

O importante é saber que a Justiça Divina é reta e eqüitativa o que ficou evidenciado nas palavras de Jesus, quando disse: A cada um será dado, segundo as suas obras." Ninguém jamais fica impune como acontece muito freqüentemente entre os encarnados. Os males cometidos têm que ser resgatados de uma forma ou de outra, para que os Espíritos aprendam a assimilar o preceito da eterna lei de Deus que prescreve o "amor ao próximo como a si mesmo".

Se todos os homens assimilassem, em seu verdadeiro sentido as palavras do Cristo: "Quem com ferro fere, com ferro será ferido", o estágio evolutivo do mundo seria bem melhor, pois haveria menos assassinatos, menos seqüestros, roubos, estupros, suicídios e uma vasta gama de outros males correlatos, que assolam a Humanidade.

Pela lei de Causa e Efeito, o criminoso de hoje, que assassinou, friamente, um seu semelhante, passa a compreender que poderá vir a ser o assassinado de uma vida subseqüente; o estuprador de hoje poderá ser o estuprado da vida futura; o ladrão desta vida porvindoura, tem que devolver os bens que extorquiu, muitas vezes, ao seu legítimo dono, a quem roubou, ou a qualquer outro. Muitas vezes poderá também vir a ser roubado, da mesma forma como o fez na existência precedente.

O dizer de Jesus: "Quem com ferro fere, com ferro será ferido", tem aplicações, as mais variadas. O seqüestrados de hoje, que faz derramar lágrimas e esparge o desespero, virá a sofrer idêntico drama na vida futura e assim sucede com todos os que praticam o mal contra o seu semelhante.

Têm uma aplicação muito lógica os adágios populares:

"Quem semeia vento, colhe tempestades", ou "o homem colhe aquilo que plantou."

Entretanto, asseverou o apóstolo: "O amor cobre a multidão de pecados". Através dessa fórmula, semeando o amor, o prevaricador de hoje poderá furtar-se a muitos padecimentos nas vidas futuras, ou seja, o criminoso de hoje, na vida futura, poderá dar uma guinada em sua vida, e, em vez de semear a dor, passar a espargir o amor sem restrições; evitará sofrimentos dolorosos, porque essa é a única fórmula que pode apagar pecados, resgatando débitos no quadro da justiça do Criador.

O pecado perpetrado na vida presente jamais poderá ser perdoado mediante a simples absolvição concedida por um sacerdote ou por quem quer que seja. Isso seria muito cômodo e não faria o espírito progredir, pois que, em seu modo de ver, poderia cometer toda a sorte de desatinos, uma vez que numa fácil absolvição "in extremis", ou seja, no momento da morte, tudo estaria miraculosamente solucionado e voltaria ao mundo dos Espíritos tão puro como quando aqui nasceu.

"O amor cobre a multidão de pecados." Este ensinamento do apóstolo deixa bem claro que o homem que se dispuser a resgatar os males cometidos nas vidas pretéritas, ou mesmo na já presente, poderá merecer de Deus uma minoração em seus males, se ele praticar o amor de forma ilimitada, com devotamento e desinteresse.

Certa vez, foi formulada uma indagação ao iluminado Espírito de Emmanuel - se a lei de Ação e Reação era inflexível. Eis a resposta:

"Os tribunais da justiça humana, apesar de imperfeitos, por vezes não comutam as penas e não beneficiam os delinqüentes com a sursis? A inflexibilidade e a dureza não existem para a misericórdia divina, que, conforme a conduta do Espírito encarnado, pode dispensar na lei, em benefício do homem, quando a sua existência já demonstre certas expressões do amor que cobre a multidão de pecados."

Se os tribunais terrenos, que são eivados de influências mundanas, levam em consideração os bons antecedentes e a regeneração dos réus, concedendo-lhes o sursis, por que razão a Justiça Divina, que é perfeita e reta sob todos os aspectos, permaneceria surda e cega ante a regeneração dos Espíritos que prevaricaram, cometendo o mal?

Paulo A. Godoy