O JOIO E O TRIGO

"Ou dizei que a árvore é boa, e o seu fruto bom; ou dizei que a árvore é má,
e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore." (Mateus, 12:33)

O ensinamento de Jesus Cristo sobre o joio e o trigo, contido em Mateus (13:24-30), é dos mais edificantes.

Um homem semeou boa semente de trigo em sua seara, mas, à noite, vieram seus inimigos e semearam, na mesma terra, a daninha semente do joio.

Quando a erva começou a brotar, o joio apareceu junto com o trigo. Os trabalhadores da seara vieram apressadamente comunicar a ocorrência ao dono da seara, indagando se queria que extirpassem o JOIO.

Ele não o permitiu, dizendo: Se forem extirpar o joio, poderão arrancar muito trigo. Deixem que eles cresçam juntos, quando chegar a época da colheita, o joio será atado em feixe e queimado, e o trigo será armazenado no celeiro.

Quão maravilhoso é esse ensinamento do Mestre. Em seu contexto, revela-se a infinita misericórdia de Deus para com suas criaturas.

O trigo (boa semente) simboliza as pessoas boas, sensatas, equilibradas, que procuram cumprir os mandamentos, executando a vontade de Deus.

O joio (má semente), por sua vez, representa as criaturas recalcitrantes, más, revoltadas, que se distanciam do cumprimento da vontade de Deus.

O Mestre disse que quem crer nele e cumprir os seus ensinamentos, ainda que esteja morto, viverá. Morto, no dizer de Jesus, é aquele que não cumpre a vontade de Deus, que se rebela contra os ensinamentos oriundos do Alto. Deste modo, as criaturas más, ainda que estejam mortas para as coisas divinas, para as coisas do Espírito, desde que se arrependam e se decidam a palmilhar o caminho do bem, serão bafejadas pela misericórdia infinita de Deus e passarão a desfrutar das benesses espirituais, reservadas aos que são cumpridores da vontade do Pai Celestial.

Deus permite que os maus convivam com os bons, pois, através dos exemplos destes, eles poderão melhorar e até mudar de roteiro. Se os maus fossem afastados da Terra, Deus estaria sendo injusto, porquanto não estaria propiciando a seus filhos a oportunidade de se reformarem, através da vivência no meio dos bons.

Os Evangelhos estão repletos de ensinamentos que objetivam demonstrar a misericordiosa justiça de Deus e o seu incomensurável amor pelos seus filhos.

Recomendou-nos o Mestre Jesus que, se um nosso inimigo nos obrigar a caminhar um quilômetro, deveremos andar com ele mais um, porque nessa segunda caminhada poderão cessar os rancores, poderão surgir o diálogo, o entendimento, a reconciliação e a harmonia, e então teremos conquistado o nosso desafeto, fazendo dele um amigo.

Num dos estados da região oeste do Brasil, existiu um temível criminoso (A. S.), autor de dezenas e dezenas de assassinatos.

Após praticar uma série infinda de delitos, ele foi preso, encarcerado e condenado.

Na prisão, alguém o presenteou com O Evangelho Segundo Espiritismo e O Livro dos Espíritos, obras de Allan Kardec. Ele leu esses livros com muita atenção, e, após prolongada meditação lançando o seu olhar para o passado, viu o tremendo erro que havia cometido e o caminho tenebroso pelo qual havia enveredado.

Por isso, aceitou intimamente os ensinamentos da Doutrina Espírita, e, através da leitura edificante, se reencontrou a si próprio, dizendo, reiteradamente, àqueles que o visitavam na prisão: Antigamente, eu matava para não morrer, agora eu morro para não matar."

Paulo A. Godoy