O SEMEADOR GENEROSO

"A semente é a palavra de Deus." (Lucas, 8:11)

Ensinando a Parábola do Semeador, Jesus Cristo ensejou um ensinamento de suma relevância, dando uma demonstração viva do incomensurável amor de Deus pelas suas criaturas.

O semeador, em apreço, não espalhou a semente apenas em terra propícia à produção de frutos em profusão; lançou, sim, a semente a esmo, em codos os tipos de terra, inclusive naquelas situadas à beira das estradas, no meio dos pedregais e dos espinheiros.

Isso simboliza a misericórdia infinita do Criador, propiciando a todos os seus filhos, indistintamente, a oportunidade de receberem a semente generosa dos ensinamentos de Jesus Cristo e dos grandes Enviados que o Pai Celestial faz descer à Terra.

O semeador descrito por Jesus, na Parábola, semeou em terras boas, mas também o fez em terras inóspitas, porque de todas elas o semeador esperava alguma retribuição. No entanto, o próprio Evangelho revela que isso não aconteceu, porquanto, somente uma parcela dessa terra retribuiu generosamente, produzindo frutos sazonados e em grande quantidade.

A pródiga semeadura encetada por Jesus, quando de sua curta estada no mundo, não teve como destinação apenas um pequeno agrupamento, mas, um sentido amplo, universal, sem limitação e sem nenhuma exceção.

No entanto, uma parte das sementes caiu à beira da estrada, sendo imediatamente devorada pelas aves. É equivalente às pessoas que recebem a palavra de Deus, mas, não a entendendo, esquecem-se de procurar o devido esclarecimento, não lhe dando o devido apreço. Os Espíritos das trevas, que abominam as luzes do esclarecimento, encarregam-se de afastar dessas pessoas o pouco que conseguem aprender.

Outra parte caiu no meio do pedregal. Não encontrando terra profunda para deitar as raízes, as sementes ficaram ressequidas e acabaram por fenecer. São as pessoas que recebem a palavra de Deus com relativa alegria, mas chegando as dores, as angústias e as tribulações, logo deixam esvair as poucas convicções que haviam conseguido amealhar.

A terceira parte caiu no meio do espinheiro, sendo logo abafada por falta de luz. São as pessoas que recebem a palavra de Deus, mas os cuidados deste mundo, a sedução das riquezas materiais e os convencionalismos conseguem sufocá-la, ficando assim infrutífera.

A quarta e última parte das sementes caiu em terra adequada, produzindo frutos sazonados a quarenta, sessenta e cem por uma. São as pessoas que recebem os ensinamentos passando a vivê-lo e propagá-los, ensejando, assim, oportunidade da difusão das luzes do esclarecimento aos seus semelhantes.

Todos os homens desfrutam do livre-arbítrio, e, deste modo a produção ou não da semente não depende do semeador, mas do próprio homem.

O ensinamento de Jesus, sobre o semeador, é bastante elucidativo e tem um endereço certo, destinando-se a todas as criaturas humanas.

Embora o Evangelho tenha sido revelado na velha Palestina, no meio do povo Judeu, os seus ensinamentos destinam-se a todos os povos, uma vez que ele tem cunho universal.

Compete, pois, aos homens, propiciarem meios de fazer com que esses ensinamentos, emanados do generoso coração de Jesus, tenham guarida e se traduzam em messes de luzes espirituais, a fim de iluminarem os horizontes do mundo, beneficiando todas as coletividades e todos os homens de boa vontade.

Paulo A. Godoy