OS ESTRANHOS PRESENTES DOS MAGOS

"E tendo Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes,
eis que uns magos vieram do Oriente a Jerusalém." (Mateus, 2:1)

Narra o Evangelho segundo Mateus que três Reis Magos se deslocaram do Oriente e foram a Belém, um obscuro lugarejo da Judéia, próximo de Jerusalém, para, num mísero estábulo, visitarem um menino que havia nascido e em cujo corpo estava encarnado o Maior dentre todos os Espíritos que jamais vieram desempenhar missões na Terra.

Ali chegando, eles abriram os seus tesouros e ofereceram ao menino três presentes um tanto exóticos: Incenso, Ouro e Mirra. (Mateus, 2:11)

Parece paradoxal que aqueles Reis oferecessem dádivas tão estranhas e completamente inadequadas para um recém-nascido. O que faria Maria de Nazaré, a mãe carnal de Jesus, com presentes tão esquisitos?

No entanto, torna-se necessário extrair dessa passagem evangélica um sentido oculto, que nos proporciona um ensinamento de suma relevância.

O Incenso significa Espírito, pois, no passado, segundo a crença prevalecente na época, ele era usado para balsamizar o ambiente, a fim de propiciar a manifestação de Espíritos.

No livro Êxodo deparamos com uma ordenação a Moisés sobre a maneira como preparar o Incenso, afirmando que "ele será santo para o Senhor". E dele porás, diante do testemunho, na tenda da congregação, onde eu virei a ti, coisa santíssima será."

O Ouro é um metal raro, de alto valor, em torno do qual os homens fazem girar as suas cogitações. Ele tem sido o fator principal do egoísmo e o causador de muitas misérias no mundo, por isso, o Ouro simboliza o homem carnal.

A Mirra é uma planta extremamente amarga, difícil de ser suportada na boca.

Por conseguinte, os três presentes significam que Jesus Cristo, como Espírito, encarnou num corpo material para o desempenho de uma fulgurante missão, em cujo epílogo teria que tragar a taça amarga do sacrifício do Calvário.

Os Evangelhos contêm muitas narrativas que devem ser entendida de modo diverso, ou seja, "pelo Espírito que vivifica" e não pela "Letra que mata". De outro modo, o estudioso dos textos evangélicos ficaria face ao angustiante problema de não entender o significado real da narrativa.

Evidentemente, a descrição evangélica sobre a visita e os presentes dos Reis Magos carece de uma interpretação mais realística, tornando-se necessário analisa-la sob o bafejo do Espírito que vivifica.

Para a Humanidade, no entanto, o mais relevante não foi a dádiva generosa dos Reis Magos, mas o próprio advento de Jesus Cristo na face da Terra, pois ele trouxe ao gênero humano o mais régio, o mais significativo, o mais nobre dos presentes, a mensagem imorredoura de suas palavras de vida eterna.

Jesus Cristo trouxe para o gênero humano um repositório de ensinamentos dos mais edificantes, um monumento de novos conceitos, a revelação de novas verdades. Com isso, preparou terreno para a derrocada do obscurantismo, dos dogmas e superstições, dos vãos formalismos e das doutrinas fundamentadas sobre a mentira.

Os Evangelhos aí estão como um atestado eloqüente do incomensurável amor de Deus pelas suas criaturas, e o Cristo, o Grande Enviado dos Céus, foi arauto encarregado de transmitir a todos os filhos de Deus, que habitam todos os quadrantes do mundo, esse manancial perene de consolação, de paz, de encorajamento, de misericórdia e de amor.

PAULO ALVES GODOY