SAULO DE TARSIH

"E, CAINDO POR TERRA, OUVIU UMA VOZ QUE LHE DISSE:
SAULO, SAULO, POR QUE ME PERSEGUES?" (ATOS, 9:4)

Paulo de Tarso é o nome latinizado de Saulo de Tarsish, um homem que nasceu na cidade de Tarso, capital da província de Cilícia, na Ásia Menor, e se tornou o mais ardente propagador das idéias cristãs, na época do Cristianismo primitivo.

Ninguém melhor do que ele, para servir de paradigma àqueles que desejem desempenhar tarefas de projeção na divulgação de um ideal.

Convocado na Estrada de Damasco, através de majestosa manifestação espiritual, Paulo deu início a um vigoroso processo de propagação do Cristianismo, levando-o a numerosos núcleos populacionais da época, inclusive Atenas e Roma.

O jovem tarsense não hesitou um só instante em seu propósito de servir o Cristo. Armou-se, resolutamente, de um inquebrantável espírito de luta, enfrentando obstáculos aparentemente intransponíveis, inclusive, tornando-se inimigo ferrenho de seus antigos amigos da escola farisaica. Ele jamais tergiversou, mesmo diante das ameaças mais terríveis até de apedrejamento e morte.

Quando de sua conversão, não indagou ao Espírito de Jesus com que instrumento poderia contar; não impôs condições, não retrucou, mas aceitou a tarefa com o firme propósito de servir, propugnando, de forma denodada, para que a Doutrina Cristã se implantasse nos corações daqueles que o ouviam.

Essa disposição para a luta, fez com que Paulo se constituísse em eficaz instrumento, no propósito de levar avante a missão esplendorosa, iniciada por Jesus Cristo, pois, consoante as próprias palavras do Espírito de Jesus, dirigidas ao velho Ananias, Paulo era o vaso escolhido, para levar as palavras dos Evangelhos a todos os povos, além das fronteiras de Israel.

Sua firmeza e dedicação fizeram com que se convertesse no apóstolo da gentilidade, porque não se limitou a pregar, apenas, na Galiléia, Samaria e Judéia; ultrapassou essas fronteiras e foi pregar aos Efésios, aos Coríntios, aos Gálatas, aos Colossenses, aos Macedônios, aos Filipenses, aos Tessalonicenses e a muitas outras comunidades, enfrentando fome, frio, noitadas nos abismos, naufrágios e até um apedrejamento. Paulo tornou-se, na realidade, o vaso escolhido, ou o médium escolhido, para dar continuidade à portentosa tarefa de divulgar o que o Mestre, em apenas três curtos anos de Messiado, conseguiu ensinar.

Paulo de Tarso não só combateu a superstição e o fanatismo, como também não hesitou em combater velhas e arraigadas tradições, antigos costumes, dentre eles o batismo pela água, a circuncisão, a idolatria e toda espécie de encenações exteriores, que nenhum resultado prático oferecem.

Pode-se mesmo afirmar que Paulo foi um gigante no propósito nobilitante de implantar o estandarte do Cristianismo, no seio dos povos politeístas, constribuindo, eficazmente, para que, nos três séculos porvindouros, acontecesse a derrocada das idéias pagãs, até mesmo no mais poderoso Império da época.

Candidato a fazer parte do Sinédrio, discípulo de Gamaliel, tornou-se um nome de destaque entre os Escribas e Fariseus, porém abandonou tudo isso, tudo o que lhe daria projeção na vida terrena, como Fariseu de renome, para passar a servir o Cristo e os ideais nobres da nova Doutrina, não pactuando com os preconceitos da época, os quais mantinham a verdade enjaulada e impediam o Espírito do homem de alcançar a libertação, através do conhecimenro da própria verdade.

Ele nada ficou a dever aos demais apóstolos de Jesus; na realidade, foi o que mais sofreu, no propósito de fazer a semeadura dos ideais do Cristianismo em todas as comunidades, fazendo com que a semente generosa se transmudasse em frondosa árvore.

Combateu, sobretudo, a idolatria, o falso mediunismo e muitas práticas exteriores, embora algumas religiões cristãs continuem a adotar muitas coisas por ele combatidas, com especial destaque a idolatria, que infelizmente, é ainda praticada no mundo ocidental.

Paulo A. Godoy