SEGURANÇA NO CÉU?

"Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas
boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus." (Mateus, 5:16)

Há algum tempo, num conhecido programa de televisão, o dirigente, referindo-se a uma figura de destaque na hierarquia clerical de uma grande religião cristã, disse: "Ele é o responsável pela nossa segurança no Céu."

Um dos participantes do programa, talvez comparando essa segurança com a que ocorre na Terra, indagou: "Mas, no Céu, também há necessidade de segurança?" É evidente que a interpelação ficou sem resposta.

Ninguém na Terra pode arrogar-se a desfrutar de um poder supostamente concedido por Jesus Cristo, ou por qualquer um dos apóstolos, de afiançar a qualquer indivíduo que o seu Espírito, ao ultrapassar o limiar do túmulo, não se deparará com problemas que impeçam ou dificultem o seu acesso aos planos sublimados da Espiritualidade. É óbvio que o julgamento do homem nem sempre desfruta de ressonância junto à Justiça Divina, ou de sua aprovação.

É imprescindível que todos os que estão encarnados, na Terra, evidem esforços para futuramente terem a segurança de que o acesso aos planos espirituais superiores, comumente chamado Céu, ocorra sem nenhum tipo de obstáculo, quando os seus Espíritos se despojarem dos seus corpos grosseiros, na Terra.

Demais, o que significa "segurança no Céu"? Será que isso está na dependência da intercessão de homens pecadores, considerando-se que quase todos os que estão encarnados na Terra, sacerdotes ou não, são criaturas que transgrediram as leis de Deus, ou, em outras palavras, são Espíritos falidos que para cá vieram, a fim de se reajustarem no quadro da Justiça Divina? Nosso mundo é um Planeta de expiação e de dor e, conseqüentemente, todos os que aqui encarnam, com raríssimas exceções, são Espíritos em débito para com a justiça do Criador.

É evidente, também, que o fato de desfrutar de segurança não consiste em ficar trancafiado no chamado Reino de Deus, protegido por "seguranças", para evitar qualquer investida por parte dos Espíritos das trevas, ou impedir que alguém escape de lá, por sentir saudades dos seus familiares que ficaram na Terra ou, ainda, evitar que alguém ali penetre indevidamente, sem mérito. Aqui, torna-se necessário compreender que o Céu é um estado consciencial, e que, para usufruir do seu gozo, basta ser criatura de boa vontade, cumprindo, fielmente, a lei de Deus, e cujas boas obras resplandeçam diante dos homens como uma luz interior, que ilumina o seu Espírito.

Para ter a segurança de que, após a morte do corpo, não haverá problemas para a alma, e que esta desfrutará da segurança de haver conquistado as benesses reservadas aos que desempenharam, a contento, as suas tarefas na Terra, é imprescindível que se tenham praticado boas obras e acumulado um tesouro nos Céus, onde, no dizer judicioso de Jesus Cristo: "Os ladrões não atacam nem roubam, nem a ferrugem consome."

Para conquistar isso é imperioso que a criatura tenha sido boa e misericordiosa, que tenha pautado a sua vida pelas normas sadias do amor e da caridade, pois, só isso, e somente isso, lhe é segurança de estar enquadrada na observância das leis de Deus.

Tomemos os Evangelhos como referência, para conhecermos, em alguns casos acontecidos, ou outros ensinados por Jesus, quem garantiu essa segurança na vida futura:

-O Bom Samaritano, porque, sobrepujando o levita e o sacerdote, foi o único que socorreu o moribundo que jazia à margem da estrada, demonstrando, assim, a amplitude do amor que vibrava em seu coração;

-Maria Madalena, porque, abandonando a sua vida de fausto e de vaidades terrenas, reformou-se intimamente, transmudando-se na mais dedicada seguidora de Jesus Cristo, no decurso do seu sublime Messiado na Terra;

- O Escriba que, acercando-se de Jesus, afirmou não desconhecer que a observância dos mandamentos, principalmente os de amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocausros, todos os sacrifícios.

Deixamos de mencionar as missões desenvolvidas por João Batista, Paulo de Tarso e os Apóstolos, porque estes já eram Espíritos que desceram à Terra, procedentes das mais elevadas esferas espirituais, para participarem da mais fulgurante das missões aqui desempenhadas, sendo que, de há muito, já haviam conquistado a segurança de conviverem nos planos mais elevados da Espiritualidade, na qualidade de Espíritos puros que são, e cuja qualidade não lhes foi outorgada por uma decisão unilateral de Deus, mas porque, em prolongadas jornadas evolutivas, em múltiplas encarnações, já haviam conquistado aquele "status".

Paulo A. Godoy