VIDA ÚNICA E REENCARNAÇÃO

"Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo." (João, 17:18)

As religiões e filosofias, que consagram a vida única do Espírito na carne, proclamam que a alma é criada, por Deus, no ato da concepção do corpo, não admitindo, portanto, a sua preexistência.

Quando Jesus Cristo afirmou que nem Ele, nem os seus apóstolos eram do mundo (João, 17: 16) contrariou, frontalmente, essa crença e deu uma demonstração inequívoca de a alma preexistir, ao nascimento do corpo físico.

Os apóstolos de Jesus eram Espíritos de alta hierarquia, os quais, descendo desses lugares sublimados, vieram participar de uma das mais fulgurantes missões jamais desempenhadas na Terra, e, evidentemente, não poderiam ter sido criados por ocasião do nascimento na carne.

Espíritos sublimados como Jesus, os apóstolos e outros grandes missionários reencarnaram, na Terra, propiciando a mais insofismável confirmação de que existiam desde os tempos imemoriais. No caso específico de Jesus, o Evangelho segundo João (1 :3-10) é bastante claro na demonstração de que Jesus presidiu a formação do nosso mundo, sob a égide de Deus.

Se o Mestre e os apóstolos puderam reencarnar, na Terra, é óbvio que todos os Espíritos poderão fazê-lo. Se João Batista, que no dizer de Jesus, foi o maior Espírito encarnado, na Terra, forçoso é convir que ele não poderia ter alcançado essa elevação, senão no decurso de muitas vidas anteriores, de muitas reencarnações, uma vez que Deus, sendo a Perfeição Absoluta, cria todos os seus filhos em igualdade de condições, no estado de simplicidade e ignorância.

Todos os filhos de Deus têm que alcançar a perfeição pelo próprio esforço, sem nenhum tipo de privilégio, nos embates das múltiplas e sucessivas reencarnações. Não há exceção na Justiça Divina: todos têm que palmilhar os mesmos caminhos, submetendo-se as mesmas provas, atestando assim que Deus é justo e eqüitativo.

Como se pode crer na vida única, quando, na Terra, se observam tantas discrepâncias, diversidades de aptidões, de condições sociais, de inteligência? Deus seria sumamente injusto e nada magnânimo, se criasse seus filhos com tantas disparidades: uns desfrutando de invejável saúde, e outros doentes, muitas vezes, portando enfermidades incuráveis: uns nascendo na abastança e outros na mais extrema pobreza; uns vivendo pouco anos, e outros desfrutando de dilatada existência; uns sábios, e outros néscios; uns bons, e outros maus.

A luz da Lei da Reencarnação, todos esses problemas são equacionados, todas essas anomalias são sanadas, porquanto a Reencarnação nos mostra um Pai de justiça e de infinita misericórdia, cujo amor incomensurável acoberta todos os seu filhos, sem distinção, sem privilégios e sem levar em contas as tendências religiosas, ou as suas ideologias.

Demais, o próprio Jesus Cristo, nos Evangelhos, comprova de modo amplo, que o Espírito não encarna uma só vez. Ele confirma, de fato, que João Batista era a reencarnação do profeta Elias, como disse a Nicodemos que "ninguém verá o Reino de Deus, se não nascer de novo".

Paulo A. Godoy