FRATERNIDADE DOS FILHOS DO SOL

Foi em agosto de 1955, em uma cidade do interior paulista, que tivemos o primeiro contato com esses Espíritos maravilhosos.

Estávamos com um grupo de amigos, num dia ensolarado, quando, de repente, em pleno meio-dia, surgiram luzes inimitáveis que se aproximaram de nós; o deslumbramento que se apossou de nossas almas com a aproximação dessas luzes foi indescritível e, quando conseguimos identificar criaturas como portadoras dessa luminosidade, Noel Rosa, que estava conosco em Espírito, ajoelhou-se e fez a seguinte súplica:

"Ó Ser Angelical, de Rútila Morada,
Que vives no Palácio da Grande Compreensão,
Tu, que sempre dás tudo e nunca pedes nada,
Desces à mísera Terra e ajuda a teu irmão.

Desce a este Planeta, de miséria e de dor,
Ilumina as mentes com teus rútilos clarões,
Ensina que a Renúncia, o Serviço e o Amor,
É que trazem a paz, a calma aos corações.

Vem! Ensina ao transeunte terráqueo,
Que não consegue sequer olhar a luz do Sol,
Que existem vida e amor, desde a estrela ao batráquio.

Que não existe parada na ascese redentora,
Que não há melhor nem pior. E para ser de escol,
É compreender e amar a humanidade sofredora."

Tudo isto aprendemos e compreendemos, ao sermos envolvidos naquela aura resplandecente. Desde então, começamos a estudar o ser humano, para encontrarmos a melhor maneira de ajudá-lo, a fim de ajudar a clarear o nosso Planeta.

Eles, os Filhos do Sol, nada nos disseram; apenas nos envolveram em vibrações de puríssimo amor, dando a entender que em breve voltariam.

E como Noel havia compreendido bem, aplicamo-nos a amar as pessoas.

Em novembro do mesmo ano, tivemos um segundo contato com essa Fraternidade, e o nosso deslumbramento e emoção foram ainda maiores.

Novamente foi a inspiração de Noel que fez a seguinte prece:

"Ó seres que viveis nas alturas solares,
Num remanso de paz aureolados de luz,
Sede os nossos guias, anjos tutelares,
Clareai o caminho que ao Mestre nos conduz.

Ouvi a nossa prece, ouvi nossos cantares,
Que a nossa pobreza indigência traduz,
Trazei ensinamentos aos pobres escolares
Que procuram amar e conhecer Jesus.

Nossa pobreza é grande. Porque é ignorância.
Mas o Mestre Divino, ensinou tolerância,

Nossos erros corrigi: — O seres de escol.
Atentai na indigência da pobre humanidade.
Que desconhece o amor e a fraternidade.
Dai-nos luz e calor, Claros Filhos do Sol."

Desta vez, eles, os Filhos do Sol se comunicaram conosco, elucidando-nos que a ignorância poderia ser resgatada com o estudo, advertindo-nos, ainda, de que, dentro de alguns meses, seríamos levados pare São Paulo, onde teríamos a possibilidade de maiores esclarecimentos.

Realmente, em Janeiro de 1956, por motivos de ma­nutenção da família, mudamo-nos para São Paulo e fomos convidados a fazer um teste com o Comandante Armond que nos deu a oportunidade de cursarmos, ao mesmo tempo, a Escola de Aprendizes e a Escola de Médiuns.

No entanto, em maio, de novo surgiram, dizendo que não nos bastava conhecer e amar Jesus, porém precisávamos aprender a agir como cristãos, colocando toda a nossa capacidade de amar na execução das tarefas que, daí por diante, nos iriam ser oferecidas. Perguntamos, então, o que deveríamos fazer, para entrarmos em contato mais frequente.

Eles, apenas, nos disseram que não os procurássemos, porém, no momento em que pudessem ser ampliados os nossos deveres para com a coletividade, teríamos nova aproximação.

Ficaram longo tempo sem aparecer. Somente em 1967, quando o Comandante se afastou da Federação e fui convidada para assumir a coordenação do Colégio de Médiuns, é que novamente se aproximaram de nós, dando-nos instruções, para formarmos grupos de estudos; que estariam sempre prontos a nos enviar socorro, quando precisássemos manter um contato permanente com a Legião dos Guardiães ou Guias, pois mais facilmente penetrariam a nossa faixa vibratória, porquanto a aproximação deles nos causava sempre uma emoção muito grande.

Pás sou-se mais de uma década, e quando surgiram, novamente, nos mostraram o "Livro de Judite", na Bíblia, indicando-nos as primeiras cinco linhas do Capitulo 16, as quais dizem assim:

"Louvem o meu Deus com pandeiros,
Celebrem o 'Senhor com tamborins,
Componham para Ele um Salmo de Louvor.
Exaltem e invoquem o Seu nome,

O Senhor é um Deus que acaba com as guerras..."
Com isto, entendemos que era a hora de mostrarmos as músicas de Noel. Assim, com pandeiros, violões e tamborins, um grupo de amigos jovens fez uma série da shows e gravaram um disco de Noel.

Em 1981, novamente nos apareceram. Disseram-nos que era o momento de executarmos as lições prometidas por Jesus, quando nos fala no Capitulo das Consolações.

Esses Espíritos, os Filhos do Sol, só se aproximam quando é preciso incentivar o desenvolvimento da Fraternidade, através do estudo do Evangelho, o Sol das nossas almas.

Diversos grupos mediúnicos têm entrado em contata com essas Entidades que zelam tanto pela nossa Terra e somente, agora, tivemos a curiosidade de saber em que Plano estão sediados.

Fomos informados por seres espirituais de que estão fixados em Sírius. Perguntamos, também, por que a Ciência ainda não detectou vida em outros Planetas. Deram-nos a seguinte resposta: Cada Planeta, tendo própria atmosfera, faz com que seus habitantes se utilizem de corpos sutis, invisíveis àqueles que não podeis respirar o ar que eles respiram.

Porém, à medida que formos evoluindo, naturalmente, desenvolveremos percepções que nos permitirão uma comunicação maior.
Por enquanto, embora na Casa do Pai existam muitas moradas, cada qual tem que viver na Casa que lhe oferece condições de aprender.

Aprendamos a amar o Universo, e o Universo nos mostrará as suas riquezas.

Martha G. Thomaz