FRATERNIDADE DOS IRMÃOS DA LUA

Há muito, vínhamos ouvindo referências a esse agrupamento e pedimos, insistentemente, ao Plano Espiritual uma oportunidade de conhecê-lo. Prepararão-nos durante três semanas e, finalmente, uma noite os Instrutores vieram buscar-nos para esse encontro.

Entretanto, qual não foi a nossa surpresa quando fomos levados para um grande Vale umbralino, onde, juntamente com preces e pedidos de socorro, ouvíamos, também, brados de revolta e inconformação.

E um lugar extremamente triste. Verificamos que, mesmo entre os desencarnados, encontram-se vítimas e algozes, Vimos a maldade dos que se julgam fortes, tentando maltratar e menosprezar os que se sentem enfraquecidos pela lembrança de culpas passadas, afogados no remorso.

Nossas almas encheram-se de tristeza e piedade; um dos Instrutores nos aconselhou o recurso da prece, buscando o mais Alto.
Quando em meio à prece nossos olhos se voltaram para o céu, fomos surpreendidos por uma nuvem de seres alados, luminosamente prateados. Era um espetáculo tão deslumbrante que um dos nossos companheiros perguntou se aquelas gaivotas prateadas vinham da Lua.

A resposta foi: "Não, não moravam na Lua, porém em uma colônia celestial muito perto do astro que torna as noites na Terra mais românticas, inspirando poetas".

À medida que eles se aproximavam, fomos reconhecendo entidades envoltas como em uma túnica ou hábito franciscano de um tecido que possui a luminescência do luar, espargindo à sua volta imensa claridade, que traz serenidade, calma, porquanto os seres que estão aprisionados nas sombras dos próprios sentimentos na portariam uma irradiação tão luminosa.

Esses seres, portadores da mais sublime humildade, descem ao vale escuro do sofrimento, para ajudarem aqueles que, através da prece, se tornam passíveis de socorro e tratamento.

Suas vozes como um sussurrar melodioso fazem chegar aos corações sedentos a Água Viva do Evangelho Redentor.
Enquanto alguns corações se abrem como flor para receberem o orvalho da paz, outros, no entanto vociferam, revoltados; estes se afastam, quando o grupo fraternal, descendo com os braços abertos, vai acolhendo um a um aqueles que estão dispostos a aceitar tratamento depurativo.

Alguns exautos, fracos, são encaminhados aos Albergues que funcionam como Pronto-Socorro, enquanto outros, que já podem aceitar a luz do conhecimento, são encaminhados às Casas Espíritas da Terra, onde, através do contato com médiuns, passam a assimilar os ensinamentos.

Esses companheiros são albergados em dependências espirituais colocadas logo acima das Casas Espíritas, no Espaço, para serem encaminhados em horário próprio a reuniões de trabalho fraternal.

Aí são entregues a grupos especializados e, aos poucos, vão aprendendo a buscar a oração, reeducando-se mentalmente.

Se os médiuns proporcionassem a si mesmos a qualidade precisa, harmonizando-se através da prece estariam, eles próprios, esses seres que passeiam no Espaço, sempre com os braços abertos, oferecendo amor dos seus corações, espargindo a luz clara e suave da lua, chamando a atenção dos transeuntes terrestres para verificarem que, desde a erva tenra do chão até os mundos estelares, onde houver amor, aí estará o Espírito do Senhor, e, à medida que formos aprendendo a amar a Criação, nos estaremos aproximando do Criador.

Perguntamos, ainda, por que esses Grupos Fraternos dedicam tanta atenção ao Brasil e como o Benfeitor dessa Fraternidade, Francisco de Assis, deixa sua cidade de Assis, para beneficiar um país que dizem pertencer ao Terceiro Mundo. E nos veio a resposta: "Para o Pai não há primeiro nem último, e, onde houver vontade de servir, os orientadores estão prontos a orientar, porque é só amando que somos amados e só compreendendo que seremos compreendidos e se quisermos receber é preciso que aprendamos a dar."

Havia à nossa frente um imenso Vale imerso na escuridão, de onde surgiam de quando em vez estridentes gargalhadas e lancinantes gritos.

Nosso grupo parou distante, para poder observar o socorro que um dos Grupos Fraternais do Espaço iria promover, chamado àquele local. Nosso Instrutor explicava que os membros daquela Fraternidade, por terem um corpo perispiritual extremamente sutilizado, devido à elevada condição espiritual, buscavam, naqueles momentos, recolher vibrações em varias Casas Espíritas, na Crosta, de modo que pudessem aumentar a Densidade Especifica de seus Períspiritos e, assim, poderem entrar em contato com aqueles infelizes sob nossas vistas, pois, se assim não fosse, de acordo com a Lei da Densidade Específica, não seria provável ou possível esse tipo de socorro.

Formas humanas moviam-se no Vale abaixo como massa conduzida por invisível látego. Agora, ouvíamos as súplicas pungentes, os pedidos de socorro, os gritos de perdão. Percebia-se que dentre a imensa turba de sofredores alguns se desfaziam em lágrimas de dor e arrependimento.

Nisto, vindos do Alto, de longínqua Constelação como pássaros cor de prata, a Fraternidade dos Irmãos da Lua surge de braços abertos no Espaço, sobre o Vale, como que desejando abraçar todos os penitentes num amplexo de amizade e carinho; assim, descendo sempre esses Espíritos revestidos da claridade suave do luar aproximam-se dos sofredores arrependidos, segurando-os nos braços, lembrando, pelo gesto, as mães que protegem e amparam seus filhos nos braços do amor.

Os Espíritos resgatados, devido ao ambiente de escuridão espiritual em que mergulharam, não suportam claridade solar; por isso é que os Irmãos da Lua se revestem da suavidadade do luar para os serviços de resgate.

Enquanto nosso instrutor nos explicava esses detalhes, pensamos como é importante as vibrações que fazemos em nossas reuniões do Evangelho e como é dignificante o desprendimento daquelas almas que tão nobremente exemplificam os ideais de FRANCISCO DE ASSIS, inspirador desse grupo, responsável por essa Fraternidade.

Meditando sobre a noção de Fraternidade, como ainda é minúscula nos corações, deixamos aquele local e direção à Crosta, emocionados pelo que presenciamos porém, mais ainda, pelo que percebemos ser o Amor ao próximo, e o que sua manifestação pela Alma humana é capaz de fazer.

Que esse testemunho nos possa explicar melhor o significado da frase do Mestre Jesus: "Amai-vos uns a outros".

Martha G. Thomaz