1 - ASPECTOS GERAIS DA METRÓPOLE
DO GRANDE CORAÇÃO

1 - ASPECTOS GERAIS DA METRÓPOLE DO GRANDE CORAÇÃO

O belo ajardinamento que cerca os edifícios destinados ao preparo científico e artístico dos candidatos a futuras reencarnações na Terra... é como se aquelas flores e ornamentações permanecessem incessantemente à espera do jardineiro que teria de lhes modificar as configurações comuns a todo instante. Os canteiros de flores que decoram os caminhos de entrada desses edifícios, por mais exóticos, belos e impressionantes que se apresentem à visão, são imediatamente substituídos por outros novos tipos desconhecidos ou aprimorados, assim que os men¬tores e os técnicos da metrópole verificam que os estudantes já estão se tornando indiferentes à sua cor, forma ou beleza.

Em tudo que se edifica em nossa comunidade, há um sentido estético muito mais aperfeiçoado do que o cultuado na Terra, mesmo quando se trata de realizações transitórias. A metrópole do Grande Coração e todas as edificações destinadas às suas principais atividades situam-se nos extremos da comunidade, formando grupos encantadores. Se vos fosse possível ter uma visão panorâmica do conjunto metropolitano, então veri¬ficaríeis certa semelhança com alguma cidade terrena, pois ele se estende sobre imensurável planalto astralino, perfeitamente dividido por sete gigantescas avenidas que partem do centro principal e penetram pelos subúrbios adentro, cujas edificações, a distância, lembram encantadoras miniaturas de paisagens só entrevistas nos mais poéticos sonhos orientais.

O coração da Metrópole é formado por gigantesco e magnífico logradouro, em forma de heptágono e que, baseando-me nas medidas terrenas, suponho atingir a alguns quilómetros quadrados. Trata-se de vastíssimo parque entremeado de bosques, cujos arvoredos, de pouca altura, facilitam que os raios solares iluminem todos os seus recantos e caminhos, compondo sedutoras clareiras recamadas de areia fina e de uma cor creme cintilante. A relva de tons esmeraldinos, lembra maravilhoso tapete de grama fulgente; tudo está matizado de florinhas miúdas, semelhantes a rubis, ametistas, topázios, safiras e turmalinas, que parecem tecidos de luz liquefeita e que, emolduradas por compridos cordões vegetais, formam caprichosos desenhos e compõem longas frases de louvores ao Criador. Da galharia miúda e suavemente colorida por um tom de malva, luminoso, pendem ramos em verde claro, cristalino, rendilhados de flores iguais às glicínias e espécies de campainhas vegetais que se movem facilmente sob o impulso leve da brisa, fazendo perpassar uma deliciosa fragrância que em mim sempre evocaram as orquídeas das matas brasileiras.

Todos os jardins, bosques, avenidas e clareiras foram edificados sob genial simetria, naturalmente prevista dentro de um plano geral, antecipado, que abrange toda a beleza geométrica e panorâmica da metrópole. Esse logradouro, que forma o coração da verdejante cidade astral de minha moradia, apresenta o máximo de capacidade, beleza e harmonia jamais produzidos por qualquer sábio, engenheiro ou artista terreno. Pequeninos regatos, que formam cordões líquido orlando ambos os lados das avenidas principais, depois coleam entre as frondes perfumadas, lembrando a figura de preguiçosas serpentes prateadas, que então se despejam em sete lagos artificiais. Cinco destes lagos são rodeados por delicados e espaçosos pavilhões multicores, feitos de um elemento vítreo desconhecido para vós, e que ao longe refulgem como se houvessem sido talhados diretamente em blocos de pedras preciosas. São cobertos por vistosas cúpulas translúcidas, em tons dourados, filases, esmeraldinos e de um verde claríssimo; circundam os lagos, lembrando cuidadosa moldura refulgente no seu colorido pitoresco. Aí, nesses atraentes pavilhões, é que se distribuem os salões de concertos, teatros educativos sobre os históricos das reencarnações, exposição de flores, casas de música, que nos períodos de comemorações especiais executam desde os temas folclóricos dos ascendentes espirituais da metrópole, até as majestosas sinfonias que fluem do Alto nas asas da inspiração angélica.

No centro exato desse grande logradouro, que vos poderia lembrar vagamente uma gigantesca praça terrena, e que constitui o coração da nossa metrópole, encontra-se edificado magnífico templo destinado às orações coletivas, cuja entrada principal está voltada para o Oriente. Os dois lagos a que vos referi ficam em direção sueste e noroeste da porta principal do templo; não estão circundados pelos pavilhões de natureza refulgente, mas cada um possui no centro das próprias águas um espaçoso estrado de substância leitosa, decorado numa tonalidade esvanescente de rosa e lilás, absorventes de luz. Nesses majestosos palcos é que então se executam os mais fascinantes bailados sidéreos, em que a graça e a emotividade espiritual atingem níveis tão elevados, que todo o ambiente se sensibiliza e adquire um contacto mais direto com as altas esferas. A "Festa do Céu", como é muito conhecida na tradição da metrópole, representa um espetáculo de beleza inenarrável!

Em verdade, são as hostes angélicas dos planos superiores que se encarregam de transformar o ambiente feliz e a superfície das águas na mais indescritível e prodigiosa orgia de cores, perfumes, luzes e melodias.

Afora os dois lagos que possuem os espaçosos palcos circulares no centro de suas águas, os outros cinco também possuem uma pequena e formosa ilha, muito semelhante a um bloco de esmeralda polido, surpreendentemente receptível às cores que se irradiam, à noite, tanto das sete torres do templo como das estruturas dos pavilhões à margem. Ainda no centro de cada uma dessas cinco ilhas emerge uma torre construída do mesmo material luminescente das ilhas, porém num tom de rosa-salmão. A sua base está rodeada de forte vegetação semelhante aos cedros terrenos, podados em forma de degraus, e que, além de comporem pitoresca escadaria em torno da torre, lembram perfeitamente um forte punho de vegetação verde-escura segurando-a até seu primeiro terço. Mais acima, forma-se vistoso caramanchão de flores entrelaçadas na mais inextricável rede de pétalas, ramos e corolas, cujas cores vão desde o amarelo gema de ovo até o carmíneo aureolado de um rosa claro. Por entre os canteiros recortados na forma de corações, duma tonalidade verde-seda, situam-se grupos de flores esguias, belíssimas, parecidas com as hastes do trigo novo, lembrando os desenhos coloridos das caudas dos pavões; elas balouçam suas pontas sob reflexos róseos, lilases e azul-sidéreo, exalando um perfume que sempre me faz lembrar algo como o jasmim ou a mirta terrenos.

No seio dos bosques encantadores, libertos de detritos ou perigos, inúmeras fontes de água colorida disseminam-se por entre as árvores que brotam nos prados de grama tão suave como fios de "nylon" refulgentes. Todas essas fontes singularizam-se pela feliz combinação dos jorros de água, mesclados de luz e sons, produzindo certas frases melodiosas, em períodos determinados. Algumas vezes a melodia recorda o vigor apaixonado que só pode ser transmitido pela harmonia e sonoridade grave do violoncelo terreno. Doutra feita, a ansiedade e a ternura espiritual que exprimem só poderiam ser transmitidas pelas cordas sensíveis do violino. Há momentos em que pela disposição de algum mecanismo interior, sincronizam-se de tal modo a cor, a luz, o líquido e o som, que se produzem alguns trechos buliçosos, lembrando a expressão melodiosa dos órgãos das catedrais em aligeiradas músicas de ritmos breves e sincopados!

Apesar de os contornos geométricos serem em forma de um heptágono, tudo faz lembrar na metrópole um amoroso coração de luz evanescente e suspenso na massa astralina. Trata-se de maravilhoso espetáculo impossível de vos descrever com os recursos limitados da linguagem humana; é um cenário de fadas pendente do Espaço e atado por sete fitas de luzes coloridas, que jorram das sete torres do templo e depois se enlaçam, no Alto, em torno de um facho de luz amarelo-dourado, que se abre no céu à altura do templo religioso. O conjunto completo da cidade astral do Grande Coração, além da aura que vai do azul claríssimo até o suave lilás, tem um halo luminoso que recrudesce de luz e então aviva alguns tons sobre outros, conforme a maior ou menor intensidade das correntes magnéticas, que se intercambiam em surpreendente vivacidade e descem das zonas superiores daquela região.

A denominação proveio da idéia de se fundar uma colônia de socorro espiritual no seio do astral selvático, em sentido perpendicular ao Brasil, e que significasse um coração sediado nas trevas do sofrimento espiritual. No entanto, a sua configuração geográfica, se assim posso me exprimir, fundamenta--se na forma de um heptágono, como disse atrás, ou seja um polígono de sete lados, cuja forma geométrica rege a harmonia e a edificação de toda a metrópole. O próprio templo, que é a aferição central da comunidade, foi edificado com a exigência de sete torres, que também se afinizam às medidas heptagonais da cidade.

Da antiga denominação de "Pequeno Coração", que ficou popularizada entre os primeiros povoadores, passou a se tornar conhecida como a metrópole do "Grande Coração", assim que o agrupamento foi crescendo e se tornando uma coletividade de mais responsabilidades espiritualistas. Mais tarde, devido à capacidade e ao espírito sacrificial dos seus moradores, mereceu então a inspeção de elevados espíritos sediados nos planos superiores, os quais não só louvaram os trabalhos da comunidade, como ainda ligaram-na diretamente ao departamento angélico responsável pela evolução espiritual do Brasil, que se filia, consequentemente, à hierarquia diretora da América do Sul. Depois disso é que foi traçado o plano do templo augusto com as sete torres, em substituição à velha "Casa de Orações", que só podia operar enviando vibrações cordiais ao astral inferior. Sob a inspiração direta desses elevados arquitetos do Alto, que conhecemos como "os senhores do pensamento disciplinado", os edificadores mentais de nossa metrópole submeteram a substância destinada ao templo a processos que não estou autorizado a revelar-vos, demorando-se principalmente na construção da torre principal, que se volta para o Oriente, onde se encontra o elemento divino, que representa o "canal" de união do nosso plano com a fonte dadivosa das comunidades angélicas da sétima esfera.

O Grande Arquiteto, de tempo em tempo, envia à Terra mensageiros ousados e fora de rotina, que expõem mensagens construtivas, mas prematuras, as quais, mais tarde, são consagradas pela opinião da maioria. Assim foram Crisna, Moisés, Buda, Confúcio, Fo-Hi, Jesus, Kardec e Ghandi, que arriscaram sua estabilidade no cenário terrícola, ousando perturbar os viandantes que trafegam tranquilos pelas "estradas asfaltadas" dos credos e religiões certinhas em direção ao Paraíso. Ramatís poderia filiar-se à linha convencional das entidades que transmitem para a Terra assuntos já consagrados. Porém, ele deu preferência a abordar problemas controvertidos, desmontando as prateleiras arramadinhas das mentes condicionadas a clichês tradicionais.

Obra sem paralelo na literatura espiritualista ocidental, Magia de Redenção analisa objetivamente em que consiste a Magia, o significado do Ritual, os processos técnicos de enfeitiçamento verbal, mental, através de objetos e animais, da aura humana, a produção de enfermidades etc., e antecipa as conclusões da Medicina Ortomolecular sobre o envelhecimento humano e as enfermidades, ao tratar do enfeitiçamento através dos metais organogênicos.

NORBERTO PEIXOTO