CAPÍTULO 17 - CONDUTORES AFETUOSOS

"Nos agregados pouco numerosos, todos se conhecem melhor e há mais segurança quanto à eficácia dos elementos que para eles entram. O silêncio e o recolhimento são mais fáceis e tudo se passa em família. As grandes assembléias excluem a intimidade, pela variedade dos elementos de que se compõem; exigem sedes especiais, recursos pecuniários e um aparelho administrativo desnecessário nos pequenos grupos." O Livro dos Médiuns

Sorriso irradiante, cordialidade contínua, conhecimento haurido na vivência, conduta íntegra, afeição indiscriminada, eis algumas das marcas dos "dirigentes emocionais".

Habituados a conduzirem-se pelo coração, são dotados de uma sabedoria espontânea adquirida na solução de suas problemáticas interiores; e porque convivem bem consigo, são afáveis e agradáveis no conviver com os outros.

Atos de equilíbrio, intuição e bom senso lhes são costumeiros, já que são portadores de harmonia e serenidade.

Condutores afetuosos são os que acolhem com cuidados especiais os seus tutelados e desvelam com carinho pelos deveres da tarefa.

Nos dias que passam, tornam-se como pólos atrativos de almas, graças à sede de atenção e ternura em que se encontram a grande maioria dos corações, sofridos e carcomidos em suas energias pelas provas dolorosas da reencarnação.

Como dispõem sempre de afeto cristão, fazem-se fonte de estímulo, esperança e diretriz no encaminhamento das soluções a quem recorrerem os que lhe partilham a convivência.

Apoiam, sem conivência. Ajudam, sem paternalismo. São afetuosos, sem pieguismo.

Ordenam com despretensão, dividindo responsabilidade.

Discordam, ampliando horizontes.

Promovem, confiando compromissos.

Coordenam com atitudes, além das palavras.

Pelas reações é que conhecemos o nível de afeto e inteligência emocional dos condutores em harmonia com Jesus.

Onde muitos enxergam problemas, eles percebem soluções.

Enquanto muitos desanimam, sua leitura é de que os obstáculos são sinais do caminho exato.

Se são criticados, asilam piedade no coração.

Quando vilipendiados, só se lembram da oração.

Condutores afetuosos são o esteio das sociedades espíritas fraternas. A eles compete a relevante tarefa de zelar pelo dever de toda instituição doutrinária no melhoramento moral-espiritual. Conduzindo as atividades para esse fim, certamente facultarão aos seus conduzidos um campo afetivo de largas proporções na execução das mais belas semeaduras nos terrenos da espiritualização do ser, e no desabrochar dos melhores sentimentos entre todos os que se entrelaçam no clima da lídima fraternidade.

Cuidando manter uma homogeneidade de visão quanto a esse precípuo compromisso de todo espírita, estabelecerão condições à uniformidade do afeto nas expressões da amizade, dos relacionamentos sólidos e do estímulo advindo dos exemplos salutares uns dos outros, entre seus membros, porque todos estarão matriculados nas disciplinas da renúncia, do trabalho, do respeito fraternal, da solidariedade, que são virtudes indutoras da auto-educação e do crescimento espiritual.

Vibrando em faixas de saúde afetiva, os componentes de seu grupo obterão melhores resultados no labor, mais motivação para os encontros diuturnos, e se formará uma rede de corações estendendo bênçãos de conforto e esclarecimento a tantos outros quantos possam beneficiar de semelhante banquete emocional.

Tomando seu grupamento como uma grande família, esmerará por lhes oportunizar as melhores condições de convivência pelo entendimento.

Adotando simplicidade administrativa e proximidade com grande "calor humano", conseguirá tornar o centro espírita um educandário do afeto em direção aos rumos da ética de Jesus e Kardec, evitando que discórdias e desavenças venham a se tornar uma propaganda negativa para sua instituição. Para isso, ocupar-se-á em manter o "tamanho afetivo" de seu grupo, ou seja, ainda que ele cresça em número, deverá fazê-lo preservando, proporcionalmente, a mentalidade inicial de ser uma família e de se amarem sem exceções.

Allan Kardec, o condutor espírita exemplar, reunia em si a sobriedade intelectual e a generosidade, a sensatez e a ternura, o raciocínio vigilante e o acolhimento fraternal. Ele foi o primeiro dirigente espírita, e quem lhe empresta caracteres de um homem de ciência não imagina como era um coração rico de humor e de palavras espirituosas, com finas expressões de descontração.

Na Sociedade Parisiense era querido e respeitado, conquanto alvo de inveja e intrigas, face à conduta ilibada e à confiança irrestrita que lhe depositavam ante as cortesias e gestos amoráveis que externava.

Sempre acompanhado por Amélie, compunham um par de almas que plenificavam o ambiente em dúlcida paz.

O tratamento afetuoso era-lhe constante qualidade, e pelo Amor que nutria ao Espiritismo nascente não lhe era enfadonho repetir sua gratidão a Deus por ter-lhe descortinado os horizontes da vida espiritual que, para ele, era a fonte da alegria, do amor e da felicidade relativa que qualquer homem passaria a semear quando se tornasse um verdadeiro espírita.

Assim, o Codificador ajustava sua existência à finalidade primeira do Espiritismo, para a qual conduziu-se com rigor para consigo e amavelmente para com os outros, junto à Sociedade que fundou, buscando sempre priorizar no contato com o mundo dos Espíritos a essência moral dos intercâmbios, através de estudos metódicos e aplicados nos quais todos absorviam a essência do Espiritismo por um mundo melhor.

Ermance Dufaux