CAPÍTULO 37 - HOMOGENEIDADE NO GRUPO

"Uma reunião é um ser coletivo, cujas qualidades e propriedades são a resultante das de seus membros e formam como que um feixe. Ora, este feixe tanto mais força terá, quanto mais homogêneo for. (...) (...) Toda reunião espírita, deve, pois, tender para a maior homogeneidade possível. Está entendido que falamos das em que se deseja chegar a resultados sérios e verdadeiramente úteis. Se o que se quer é apenas obter comunicações, sejam estas quais forem, sem nenhuma atenção à qualidade dos que as dêem, evidentemente desnecessárias se tornam todas essas precauções; mas, então, ninguém tem que se queixar da qualidade do produto." O Livro dos Médiuns

Um dos requisitos mais valorosos na formação e desenvolvimento de grupos é a homogeneidade.

A palavra grupo em suas raízes etimológicas significa um nó, provindo esse gênero da língua Italiana.

O nó recorda os pontos de sustentação e fortalecimento de uma rede, e esse simbolismo nos remete aos grupos espíritas, que deverão ser como redes tecidas pelo sentimento que agrega e baliza todas as suas rotas educacionais no aprendizado espiritual.

Quando se menciona a terminologia homogêneo para grupos, logo vem à mente a idéia de igualdade, padronização. Contudo, seu significado é um tanto mais elástico e profundo, porque jamais obteremos características uniformes, uma vez que cada pessoa é um mundo em si.

Apregoar a qualidade de homogêneo condicionado a imposições é desrespeitar o fluxo dos valores latentes e adormecidos na intimidade de cada ser.

Grupos homogêneos são os que guardam uma certa atração para um ideal comum, um objetivo claro, e que têm uma visão compartilhada de seu futuro, de onde querem chegar, para onde se dirigem. Em torno desse ideal compartilhado, nascido de dentro para fora e constituindo as aspirações de todos, tem-se a chave da homogeneidade.

Esse comprometimento com uma meta, um programa, uma mentalidade estabelece laços no coração, conquanto a divergência de visões intelectivas e as diferenças temperamentais.

Aliás, os grupos só se tornarão harmoniosos na proporção em que prezem, no clima da mais pura fraternidade, as diferenças e as divergências, tomando-as sempre como pontos de aperfeiçoamento e sinais de aferição quanto às direções a se tomar, burilando relações e superando problemas.

Para que valores e necessidades pertinentes a cada criatura possam constituir nó de intercessão e interação entre seus membros, há de se ter o coração ajustado na faixa dos sentimentos evangélicos, únicos capazes de resguardar o clima da necessária segurança e do preciso entendimento, a fim de vencer os embates naturais que tentarão desatar os elos da rede.

Outro sentido não menos valoroso para a homogeneidade é o do resultado da habilidade em transpor os desajustes, provenientes das diferenças na vida interpessoal, propiciando uma convivência harmónica.

Homogeneidade afetiva com diversidade de ideias, sem que isso constitua óbice e fonte de perturbação: eis o caminho natural dos grupamentos que almejem crescer sob a luminosidade espiritual da alteridade.

A força mediadora entre o cérebro repleto de pensamentos e o coração vibrante de amor é a educação. Os grupos espíritas homogéneos são escolas de convivência. Não existem sem problemas, aversões, simpatias, antipatias, dúvidas, desavenças e frustrações, mas como estão aquinhoados com as luzes das diretrizes do Cristo, são regulados por uma consciência de dever e responsabilidade que, espontaneamente, aciona-lhes o campo afetivo para a vitória e a conquista de si mesmos pelas vias da assertividade, do perdão, da disposição sincera de amar e do desejo de aprender, educando as emoções a rumos superiores.

Dentro dessa perspectiva, as relações interpessoais, dada a solidez dos recursos morais, formam um feixe de corações unidos no idealismo superior, banhados pelos júbilos da convivência fraternal e enriquecedora.

Resultados de maior profundez de objetivos só poderão ser alcançados em grupos sérios. Essa homogeneidade é uma insígnia de tal conquista.

Corações que se respeitam, que cativam a amizade, que vibram com o sucesso uns dos outros, que se querem bem, apesar das diferenças, são o esteio de Sociedades Fraternais, que vão refletir em sua atmosfera espiritual os tesouros de afeto cultivados entre seus tarefeiros, em plena afinidade de busca para Deus.

Ermance Dufaux