CAPÍTULO 7 - CORROSIVOS DA SENSIBILIDADE

A educação do coração no estágio em que nos encontramos conta com empecilhos de largas proporções para o exercício do Amor.

Existem sulcos psico-emocionais profundos no "aparelho mental" que funcionam ativamente como "inibidores do afeto", compondo entraves vigorosos nas fibras da sensibilidade junto ao sistema da afetividade do ser integral.

Adquiridos em milênios de renitente rebeldia no erro, tais óbices fazem parte desse desafiante processo auto-educativo nos rumos da aquisição do patrimônio do Amor.

A culpa, a mágoa, o preconceito, a ingratidão, o medo, o azedume e as frustrações são os monturos emocionais mais comuns e corrosivos do sentir Divino, fatores perturbadores, alteradores e neutralizadores do funcionamento harmonioso do pulsar emocional.

"Conquistas" nossas das quais teremos que aprender a nos libertar.

Outros corrosivos adjacentes e agravadores são os traumas infantis, bloqueios defensivos de vivências pretéritas, doenças endócrinas, distúrbios do humor, estima corporal, relacionamentos de conveniência, sobrecarga com interesses materiais e competitividade exacerbada, tensões físicas e emocionais, cansaço, inquietação interior e sentimentalismo - fatores perturbadores da expansão afetiva.

Nenhum deles, porém, é eterno ou insuperável quando a alma se abre para o autodescobrimento, a disciplina, a ação no bem.

A direção que imprimimos ao afeto, seguida de decisões infelizes, esculpiram a natureza enfermiça de tais sentimentos, porém nada nos impede de renovar essa "qualidade imperfeita" e retomar a "condição natural" das emoções que foram adquiridas para a felicidade e a paz, esse o seu destino maior.

E como encetar uma nova caminhada? Como nos recompormos ante a consciência?

Resgatar a sensiblidade e enobrecer a ação são alguns dos desafios.

Vamos pensar sobre isso?

Ermance Dufaux